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Pescadoras artesanais e moradoras de comunidade tradicional realizam intercâmbio comunitário

Ação, nas cidades de Iguape e Cananéia, em São Paulo, faz parte do projeto Água que nos movimenta e inclui visita à Ilha do Cardoso

Entre os dias 29 de junho e 3 de julho, uma comitiva de pescadoras artesanais e moradoras da comunidade tradicional pesqueira Barra de Pelotas, realiza intercâmbio comunitário nas cidades de Iguape e Cananéia, com visita a Ilha do Cardoso, no estado de São Paulo. A ação faz parte do projeto Água que nos movimenta.

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A saída de campo em uma comunidade tradicional da pesca fora do Rio Grande do Sul, visa a contribuir com a formação por meio de intercâmbio de experiências, trazendo aspectos importantes para o fortalecimento comunitário, orientado por princípios de participação, compromisso, representatividade e responsabilidade coletiva com a comunidade Barra de Pelotas.

A visita começou com uma oficina de trocas de experiências sobre a realidade local, pesca artesanal e o turismo comunitário caiçara. Entre as experiências realizadas no intercâmbio, destaca-se a oficina sobre o passado, presente e futuro da resistência e luta da comunidade.

A comitiva visitou a antiga localidade da enseada e a barra nova, formada a partir dos processos erosivos, condições que impõem desafios à comunidade de maneira similar àqueles resultantes das mudanças climáticas. Também foi realizada oficina de beneficiamento do pescado, compartilhando práticas entre a Enseada da Baleia, em Cananéia, e a Barra de Pelotas.

Foi promovida uma experiência de captura de kiru (peixe típico local) e salga de peixe para secagem. Na oportunidade, foi realizada uma avaliação da experiência, através de produção artística de uma tela em diálogos sobre pesca artesanal, território, mulheres e empoderamento.

Após a visita à Ilha do Cardoso, o grupo segue para o município de Iguape, onde será recebido por pescadores e pescadoras vinculados à Cooperativa dos Pescadores Artesanais (Cooperpesca), para conhecer sua experiência em torno da organização e da comercialização.

Participam da viagem: as pescadoras artesanais e moradoras da Barra de Pelotas Yasmim Caroline Silva da Silva, Beatriz Cabistany Farias e Silvia Matos de Freitas, a coordenadora técnica do projeto e filha da pesca Fabiane Fonseca e o pesquisador Ederson Silva. Durante a viagem, o diário de campo dos participantes tem sido publicado diariamente nas redes sociais do Laboratório Maréss no Instagram e no Facebook.

A pescadora artesanal Yasmim Caroline Silva da Silva acredita que a experiência é muito importante, trazendo resultados para a comunidade pesqueira Barra de Pelotas. "A experiência está sendo maravilhosa. Ter contato com outros pescadores também é incrível para a gente, vamos levar essa experiência para a nossa comunidade e vai ser bem importante. A gente aproveita muito, conhecemos as histórias, compartilhamos um pouco da nossa e espero que isso, esse intercâmbio nos ajude a nossa comunidade, na nossa luta também", destacou.

A pescadora Silvia Matos de Freitas ressalta que a luta das comunidades visitadas são muito parecidas com as vivências em Pelotas e a pescadora Beatriz Cabistany Farias, destaca que a viagem contribui para o trabalho na comunidade da Barra, em Pelotas. "Saio com muita esperança, a partir do que vivemos na viagem para contribuir, de cabeça erguida", destaca Beatriz.

A coordenadora técnica Fabiane Fonseca reforça a importância da experiência. "Conhecemos muito nessas comunidades. Lideranças mulheres em sua maioria. Eu vi a relação de coletivo, de parceria que elas têm. Eu nos vi nos desafios, nas dificuldades também enfrentadas. O que elas fazem aqui tem resultado na pesca artesanal, tem resultado para qualidade de vida dessas pessoas e que a gente pode estar influenciando lá na barra também", relata a filha da pesca da Barra de Pelotas.

O projeto Água que nos movimenta, de responsabilidade do Laboratório Maréss e vinculado à Ineesol da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), está contribuindo para a constituição de uma associação da comunidade para defesa de seus direitos e de seu território, dentre outros aspectos, com vistas ao enfrentamento da crise climática. além de desenvolver reflexões teórico-práticas sobre os processos organizativos das comunidades tradicionais pesqueiras da comunidade tradicional pesqueira Barra de Pelotas.

O projeto de extensão está sendo conduzido conforme requisitos e diretrizes estipuladas no Protocolo de Consulta das Comunidades Tradicionais Pesqueiras da Lagoa dos Patos/RS e envolve recursos de emenda parlamentar*.

*Redação alterada em função do período de defeso eleitoral

 

 

Galeria

Ação faz parte do projeto Água que nos movimenta

Acervo Maréss/FURG