Os projetos Kilombo Literário e Linguagens e Expressões Negras na Escola, vinculados ao curso de Letras do Campus FURG São Lourenço do Sul (FURG-SLS), participaram do 1º Congresso Internacional de Afrofonia, realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Pescadoras artesanais e moradoras de comunidade tradicional realizam intercâmbio comunitário
Seminário Integrador da Licenciatura em Educação do Campo será na próxima semana
Kilombo Literário realiza roda de leitura antirracista
As apresentações abordaram os temas “Linguagens e Expressões Negras na Escola” e “Kilombo Literário: interdisciplinaridade em práticas de linguagem antirracistas”, conduzidas pelas professoras Aline dos Santos, Letícia Chaplin, Faustia Fanka e Charlene Santana.
De acordo com a professora Aline dos Santos, o momento foi significativo por marcar a primeira socialização das ações do projeto em um evento acadêmico.
“O Kilombo Literário, coordenado por mim, é parte do projeto Linguagens e Expressões Negras na Escola, que ainda inclui os projetos Verso a Verso e Poesia fora da Caixa, coordenados pela professora Letícia. Foi um momento muito especial, pois contou com o protagonismo da professora Faustia Fanka, da educação básica, e de mulheres negras quilombolas e pesquisadoras, como Charlene e Ana Teresa Santana”, destacou.
Para a docente Letícia Chaplin, a participação no congresso consolida um movimento que vem se fortalecendo no curso de Letras.
“Foi uma participação muito marcante para o projeto, porque ele é um projeto ainda bastante inicial, ele ainda está engatinhando, ele começou este ano. Ele deu origem à criação de um núcleo dentro do curso de Letras, que é um núcleo de estudos em linguagens e literaturas na escola. Não tem ‘negra’ no nome do núcleo porque a gente pretende trabalhar com outros projetos que não sejam só de caráter antirracista, mas foi a participação nesse projeto de Linguagens e Literaturas Negras na Escola que deu essa ideia de que a gente precisava criar uma referência loca para as escolas, para os estudantes, de práticas pedagógicas mais democráticas, mais inclusivas e menos racistas”, explicou.
Segundo Charlene Santana, mulher negra e quilombola, representar o Kilombo Literário no congresso foi motivo de grande satisfação.
“O nosso projeto foi muito elogiado por ter esse diferencial em trabalhar com rodas de conversas que, na atualidade, com o uso das tecnologias, não são realizadas com tanta frequência. Outro fator foi o do projeto trabalhar única e exclusivamente com literatura negra, onde cada pessoa pode contribuir com a leitura de livros ou poemas levados pela equipe do projeto, ou levar a sua produção”, contou.
Por fim, Charlene ressaltou o impacto afetivo das ações, marcadas por trocas de saberes, aprendizados e energias, compartilhando campo foi a sua participação.
“Foi de extrema importância. Nesses (re)encontros realizamos, além de trocas de aprendizados e trocas de saberes, trocas de energias e de afetos. A cada encontro é uma surpresa, não sabemos quem vai estar e como será esse encontro. No final de cada encontro, os relatos são sempre muito positivos, e dificilmente alguma pessoa sai sem se emocionar, inclusive nós, que nos preparamos para o encontro”, concluiu.