Entre os dias 20 e 23 novembro, a FURG São Lourenço do Sul (FURG-SLS) foi representada por uma comitiva de aproximadamente 50 pessoas no 12° Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), realizado no Rio de Janeiro. Participaram discentes, técnicos, docentes, egressos e pessoas vinculadas a movimentos sociais parceiros, como Teia dos Povos, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Escola Família Agrícola da Região Sul (Efasul). O grupo apresentou mais de trinta trabalhos acadêmicos.
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Além da apresentação de trabalhos, integraram a programação plenárias; exposição de filmes e documentários; atividades culturais; feiras; oficinas de receitas ancestrais; e ações de combate à fome, como a distribuição de comidas para pessoas em situação de rua, preparadas pelas cozinhas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) com alimentos agroecológicos.
A coordenadora do curso de Agroecologia da FURG-SLS, Ana Silvia Rolon, avalia que o evento possibilitou o encontro de pessoas interessadas em repensar a produção, consumo e diversificação dos alimentos, a partir do respeito às questões ambientais, sociais e econômicas das diferentes regiões e povos. “As atividades científicas e culturais, os debates, as apresentações e as degustações retrataram desafios e potencialidades quando se tem o foco na produção sustentável e saudável, na soberania alimentar e na segurança alimentar para todos, além de ressaltar as lutas dos povos tradicionais e movimentos populares, pautas que têm sido discutidas e promovidas ao longo dos vinte anos de realização do CBA”, ressalta.
Segundo ela, a participação da comitiva da FURG-SLS no CBA permitiu ampliar as discussões em diferentes temáticas, a partir da troca de conhecimentos e aproximação com diferentes realidades da Agroecologia no Brasil, bem como dos povos tradicionais e suas culturas. “Além de apresentar trabalhos acadêmicos e relatos de experiências, retratando suas pesquisas, ações de extensão e vivências em diferentes dimensões da Agroecologia, a participação no CBA possibilitou vivenciar, discutir e promover a Agroecologia”.
Mobilização estudantil garantiu ida ao Congresso
Do total de pessoas que representaram a FURG, 44 foram ao Congresso em ônibus viabilizado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), a partir de solicitação realizada pelo movimento estudantil, representado pelo Centro Acadêmico de Agroecologia União Libertária (Caauli), Diretório Acadêmico de Gestão de Cooperativas (Dagcoop), Movimento Estudantil Unificado (Meu) e Grupo de Trabalho Juventudes da Associação Brasileira de Agroecologia (Aba).
A articulação, iniciada em fevereiro de 2023, incluiu reuniões periódicas entre estudantes e a Prae, garantindo, mesmo diante de desafios, o transporte e o custeio da alimentação para os discentes.
Para as alunas de Agroecologia, Aline Mello e Naytiara Evaldt, a mobilização foi fundamental para garantir a ida de um grupo tão significativo ao CBA. “Foi bem importante para o curso como um todo e para a FURG a ida ao Congresso. A gente apresentou muitos trabalhos e possibilitou que pessoas do movimento social, que escolhemos para ir conosco, também apresentassem trabalhos em um evento que teve várias importâncias científicas, acadêmicas e políticas”, afirma Aline.
Naytiara considera que sem a iniciativa dos estudantes e o fortalecimento do Caauli, a organização não seria possível. “Tem muita diferença entre eu individualmente pedir um ônibus para a Prae, do que o Centro Acadêmico de Agroecologia pedir, que é formado por pessoas eleitas de forma democrática que representam um coletivo de estudantes que tem um propósito único, no caso, ir para o Congresso”.
A estudante também entende que viabilizar a ida de agricultores ao CBA foi uma forma da universidade dar um retorno às famílias que se mostram sempre disponíveis para receber turmas em suas propriedades para a realização das atividades acadêmicas do curso. “São agricultores que estamos sempre em contato, então algo que estamos tentando melhorar é o fato de que vamos nas propriedades em busca dos conhecimentos deles e pecamos no retorno. Por isso, acho que ter levado agricultores que apresentaram trabalhos lá é uma forma de dar esse retorno para eles. Tem que ser uma via de mão dupla”.
Naytiara destaca que a quantidade de trabalhos submetidos e apresentados no 12º CBA superou as edições anteriores, devido à motivação e à mobilização dos estudantes, que realizaram oficinas para escrita científica, denominadas “Pré-CBA”. Os temas foram variados e surgiram a partir de conhecimentos adquiridos não só em sala de aula, mas também em projetos de extensão, diálogos com a comunidade e iniciativas desenvolvidas por egressos. “É uma forma de valorizar o curso, de valorizar a FURG, porque foram mais de 30 trabalhos inscritos por estudantes de agroecologia da FURG. Uma questão para valorizar a universidade”.
Ela avalia que a preparação antecipada foi acertada. “Nos articulamos muito cedo, sabíamos que o evento seria em novembro e desde fevereiro a gente já tinha a confirmação do ônibus”, diz, salientando que a conquista foi fruto da união entre os acadêmicos. “Mesmo com diferenças, a gente consegue sentar, se organizar e fazer acontecer. Então temos uma força quando nos juntamos. É muito forte, porque a gente se articula muito bem”.
As colegas relatam que a ida ao congresso oportunizou a presença dos futuros agroecólogos e agroecólogas em plenária promovida pelo Comitê Nacional de Profissionais em Agroecologia sobre a regularização da profissão, ainda não regulamentada. “Foi muito importante para debatermos a nossa questão profissional que ainda não tinha sido amplamente discutida com os estudantes e com os profissionais. Esse foi um momento fundamental para a gente construir essa articulação, em que escrevemos uma carta política e pedimos assinaturas de quem estava envolvido. Foi uma plenária gigantesca”, diz Aline.
Aline também destaca que a ida ao CBA possibilitou que o grupo conhecesse o Rio de Janeiro e visse como é a realidade de uma cidade grande. “A gente teve muito forte lá esse choque cultural, esse contato com a fome, de ver as pessoas comendo comida do chão, do lixo, e foi realmente chocante para muitos de nós. Conhecemos alguns problemas estruturais de uma cidade grande, algo que eu acho que foi fundamental para pensarmos a Agroecologia”.