De 4 a 6 de agosto, foi realizado o 18º do Workshop de Tecnologia da Informação e Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil (WTICIFES), em Garibaldi, Rio Grande do Sul. Com o tema “Soberania Digital e Transformação Tecnológica nas Universidades Federais”, o evento foi promovido pelo Colégio de Gestores de Tecnologia da Informação e Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior (CGTIC/Andifes), reunindo gestores, profissionais, pesquisadores, empresas e representantes de universidades federais para discutir soluções, experiências e desafios relacionados à tecnologia da informação e comunicação no ensino superior.
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Neste ano, o evento passou por uma importante mudança, passando a ser considerado Congresso de Tecnologia da Informação e Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil. A alteração acompanha a ampliação do escopo, do público e da produção técnico-científica do encontro, no entanto, a sigla WTICIFES foi mantida.
O CGTIC/Andifes reúne dirigentes de 64 instituições federais e tem entre suas atribuições promover estudos, estabelecer intercâmbio com outros órgãos e incentivar o compartilhamento e o desenvolvimento colaborativo de soluções. Nesse contexto, o congresso funciona como espaço de troca entre equipes que enfrentam desafios institucionais semelhantes. Grande parte dos trabalhos apresentados é composta por relatos técnicos de soluções efetivamente implantadas nas universidades, permitindo que experiências locais sejam documentadas e possam ser replicadas ou adaptadas por outras instituições.
FURG na organização
Como parte integrante da organização, a FURG esteve representada na Comissão Organizadora pelo diretor do Centro de Gestão de Tecnologia da Informação (CGTI), Diogo Paludo. “A participação na organização começou aproximadamente dois anos antes da realização do Congresso. Nesse período, o grupo acompanhou a preparação e a realização da edição de 2025, identificando pontos que poderiam ser aperfeiçoados e práticas que deveriam ser mantidas na edição seguinte. No último ano, o trabalho envolveu reuniões semanais, divisão de responsabilidades e acompanhamento permanente das entregas necessárias para a realização do evento”, explica o gestor.
Sobre o evento
A organização da primeira edição caracterizada como Congresso representou uma responsabilidade adicional para as instituições gaúchas. Além da execução operacional, foi necessário estruturar uma programação compatível com a ampliação da produção técnico-científica, articular a participação de universidades, palestrantes, órgãos públicos e empresas e preparar uma base administrativa e financeira que possa ser aproveitada pela organização da próxima edição.
A programação também contou com um painel sobre os desafios da universidade pública na era da transformação digital, que reuniu as reitoras e os reitores das seis instituições organizadoras, entre eles a reitora da FURG, Suzane Gonçalves.
“Há dois anos, coloquei a FURG à disposição para, ao lado das demais universidades federais gaúchas, organizar o WTICIFES 2026. Desde então, acompanhamos de perto a organização da edição passada, procurando preservar os acertos, corrigir pontos de atenção e preparar uma edição ainda mais estruturada. No último ano, o trabalho exigiu dedicação constante, reuniões semanais e o cumprimento de uma série de entregas”, destacou Diogo.
Maior edição da história
Ainda segundo Diogo, o WTICIFES 2026 alcançou os maiores números da história do evento. Ao todo, foram 272 artigos submetidos, dos quais 205 foram aprovados; 634 participantes, sendo 451 vinculados às universidades federais, 23 convidados e 160 representantes de empresas. A programação teve ainda 50 palestras convidadas, painéis e apresentações de empresas, distribuídas em 32 sessões técnicas e quatro sessões de pôsteres, além da participação de 34 entidades patrocinadoras.
As atividades ocorreram simultaneamente em diferentes espaços e abordaram temas como sistemas de informação, infraestrutura, governança, inovação, transformação digital, segurança da informação e cibersegurança. Também foram realizados painéis sobre soberania digital, transformação das universidades, atuação do Ministério da Educação (MEC) e do CGTIC, além de encontros específicos entre gestores e parceiros tecnológicos.
Trabalhos da FURG
Durante o evento, além de participar da organização, a FURG também apresentou quatro trabalhos: três deles em sessões técnicas orais e um em sessão de pôsteres. As produções abordaram diferentes frentes relacionadas à atuação do CGTI.
Na área de Sistemas de Informação, Diogo Oliveira apresentou o trabalho “Desenvolvimento com IA agêntica no apoio a processos institucionais em IFES: estudo de caso do OMR-FURG”, que relata a utilização de programação apoiada por inteligência artificial agêntica no desenvolvimento do sistema utilizado pela Universidade para leitura e processamento automatizado de cartões de respostas.
Também na área de Sistemas de Informação, Douglas Severo Silveira, Rafael Chaplin Schramm e Lisandro Tavares da Silva apresentaram “Adequação do DSpace à Identidade Digital Institucional: Relato de Experiência na Customização de Tema para o Repositório da FURG”, trabalho que registra a experiência de adequação visual e funcional do repositório institucional à identidade digital da Universidade.
Na sessão técnica de Segurança da Informação e Cibersegurança, Pablo Mesquita e Luis Alberto Barbosa Azambuja apresentaram “O Papel do Sistema de Gestão de Incidentes de Segurança (SGIS) na Resposta a Incidentes Cibernéticos na FURG”, sobre a estrutura utilizada pela Universidade para registrar, organizar, acompanhar e responder a incidentes de segurança.
Já na sessão de pôsteres de Infraestrutura, Segurança da Informação e Cibersegurança, Bruno Ramos apresentou “Detecção Automatizada de Vulnerabilidades em Protocolos de Tunelamento IP com Integração ao SIEM Wazuh: Uma Abordagem Baseada em Active Response”, que apresenta uma solução de automação para detecção e resposta a vulnerabilidades integrada à infraestrutura de monitoramento de segurança.
Presença institucional
Além disso, a FURG também marcou forte presença institucional no congresso, levando 17 servidores da Universidade. Essa é a maior delegação da FURG já presente em uma edição do congresso.
A participação permitiu que servidores de diferentes áreas acompanhassem atividades relacionadas às suas atribuições e tivessem contato com experiências desenvolvidas por outras instituições. “Os conhecimentos adquiridos podem ser compartilhados posteriormente com equipes de sistemas, infraestrutura, redes, serviços, segurança da informação, atendimento e governança”, completa Diogo.
Troca de experiências e fortalecimento institucional
Outro fator importante, considerando a grandeza do evento e a relevância institucional da participação da FURG, é o acesso a relatos de experiências reais, inclusive sobre dificuldades, custos, erros e resultados de projetos conduzidos por outras instituições. A troca permite comparar práticas, identificar soluções já testadas e reduzir a necessidade de iniciar projetos sem referências anteriores.
Entre os retornos institucionais estão ainda a formação de contatos técnicos para intercâmbio posterior entre equipes, a discussão dos trabalhos desenvolvidos pela FURG com profissionais externos, o incentivo à documentação e publicação de soluções institucionais e a qualificação das decisões relacionadas a sistemas, infraestrutura, redes, segurança, governança, aquisições e contratação de serviços.
O evento também fortalece a relação da Universidade com o CGTIC/Andifes e aproxima a equipe de representantes de órgãos e entidades que influenciam diretamente as políticas e os serviços digitais das instituições federais. “Essa proximidade permite que a FURG acompanhe mudanças regulatórias, programas governamentais, serviços compartilhados e tendências que afetam as universidades. Ao mesmo tempo, cria condições para que a instituição apresente suas necessidades e participe da construção de soluções para problemas comuns à rede federal”, acrescenta o diretor.
A presença de empresas e fornecedores também permite acompanhar alternativas tecnológicas, conhecer arquiteturas e serviços disponíveis e estabelecer contatos que podem contribuir para estudos técnicos e futuras contratações.
Legado para as próximas edições
Além dos resultados imediatos, a organização do WTICIFES 2026 deixa uma estrutura que poderá ser aproveitada pelas próximas edições. A Comissão Organizadora pretende repassar à Universidade Federal do Cariri (UFCA), responsável pela edição de 2027, uma organização consolidada, parceiros interessados em permanecer no evento e recursos financeiros para apoiar o início dos trabalhos.
O repasse reduz a necessidade de que a instituição responsável pela próxima edição reconstrua integralmente os processos administrativos, comerciais e operacionais. Dessa forma, a experiência acumulada pelas universidades gaúchas passa a integrar a memória organizacional do congresso.
Para Diogo, a transferência da organização representa também um dos legados da participação das instituições gaúchas na edição deste ano. “Encerramos a edição de 2026 com um resultado muito positivo e entregaremos à UFCA uma base estruturada, com parceiros mobilizados, recursos para o início dos trabalhos e processos de organização que poderão ser reaproveitados. Esse é um legado coletivo das instituições gaúchas e uma demonstração da capacidade da FURG de assumir responsabilidades e contribuir nacionalmente para o desenvolvimento da TIC nas instituições federais”, conclui o gestor.