Nesta segunda-feira, 10, a Rede Saúde Única (RSU/Fiocruz) publicou uma nota técnica dedicada à integridade da informação e à comunicação de risco relacionadas ao El Niño 2026-2027. O documento tem abrangência nacional e reúne conhecimentos científicos e orientações para qualificar a forma como informações sobre o fenômeno climático e seus possíveis impactos são produzidas e compartilhadas com a sociedade.
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Entre as instituições autoras estão: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Feevale, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e SECOM/RS.
Na elaboração técnica, representando a FURG, participaram da construção do texto a coordenadora do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), Elisa Fernandes; e a jornalista da Secretaria de Comunicação (Secom), Tammie Farias.
Segundo a publicação, a nota ganha relevância diante da ocorrência de um novo episódio de El Niño no ciclo 2026-2027. O fenômeno, que pode alterar padrões de precipitação e temperatura em diferentes regiões do Brasil, traz possíveis impactos particularmente importantes para o Sul brasileiro.
De acordo com a jornalista Tammie Farias, a produção de materiais como esse reflete o papel das instituições em orientar agentes públicos e sociedade civil para o enfrentamento adequado dos eventos extremos, a partir do que a ciência, em diferentes áreas, preconiza. “Por se tratar de uma situação delicada, em que a população fica vulnerável e as condições mudam de maneira constante, é necessário garantir que a sociedade se sinta segura e isso passa pela integridade da informação, principalmente diante da possibilidade de disseminação de informações falsas, por fontes não confiáveis, fenômeno crescente na atualidade”, destaca.
A comunicação como parte do processo de prevenção
Para Elisa, a participação do Ciex na construção da nota técnica reforça uma das frentes de atuação do Centro: aproximar produção científica, monitoramento, previsão e informação para qualificar a preparação diante de eventos extremos, sobretudo, entendendo que a comunicação de risco precisa ser compreendida como parte do próprio processo de prevenção.
“Em situações de risco climático, comunicar bem é também uma forma de prevenção. A informação precisa ser baseada em evidências, apresentada de maneira clara e contextualizada e, principalmente, chegar às pessoas no momento adequado. A participação do Ciex nessa construção reforça nosso compromisso com uma comunicação que aproxime a ciência da sociedade e contribua para decisões mais qualificadas diante de situações de risco”, comentou a coordenadora.
Comunicação de risco baseada em ciência
Segundo os organizadores, além das orientações conceituais, a publicação reúne ferramentas de aplicação prática, como protocolos de verificação e correção de informações, checklist para publicação de conteúdos e modelo de boletim público, oferecendo suporte a instituições e profissionais responsáveis pela comunicação de riscos.
A Nota Técnica considera a integridade da informação como componente fundamental da preparação para eventos climáticos, especialmente diante dos possíveis impactos sobre a saúde humana, animal e ambiental. Entre as recomendações apresentadas está a manutenção de uma fonte institucional de referência, datada e atualizada, que reúna informações técnicas, perguntas frequentes, orientações, correções, histórico de versões e materiais derivados. A proposta é reduzir lacunas informacionais e facilitar o acesso de gestores, profissionais e população a conteúdos confiáveis durante todo o ciclo do fenômeno.
“A Fiocruz tem realizado um trabalho impecável em aliar conhecimentos das diferentes áreas envolvidas, valorizando cada campo, e a FURG figurar entre as referências no tema reforça o quanto a instituição tem uma atuação séria e comprometida com a sociedade”, aponta Tammie.
O documento também orienta que instituições públicas, universidades, pesquisadores e equipes de comunicação estabeleçam uma distinção clara entre observações, previsões, cenários e recomendações. A medida busca evitar que probabilidades sejam apresentadas como certezas ou que tendências sazonais sejam interpretadas como previsões de desastres específicos. Nesse sentido, a comunicação deve explicitar o que já é conhecido, quais são as incertezas existentes e de que forma novas informações podem alterar as avaliações ao longo do tempo.
“O acesso à tecnologia facilita a disseminação e a produção de informações, mas nem todos estão preparados para assumir, junto com a facilidade, a responsabilidade que a emissão e o consumo exigem. Participar desse debate é também reforçar a Comunicação e o Jornalismo como ciências. Minha contribuição foi pautada em facilitar a compreensão da mensagem pelos diferentes usuários, principalmente, os que não estão diretamente envolvidos com as ações, uma vez que é um documento público, voltado também à sociedade civil”, completou a jornalista.
Entre as principais referências utilizadas está o Guia de Integridade da Informação no Contexto da Crise Climática no Rio Grande do Sul, produzido pela Fiocruz, Embrapa, UNIC Rio e Secom/RS, além de referências nacionais e internacionais relacionadas à comunicação de risco, incerteza, confiança e participação comunitária.
A Nota Técnica será atualizada ao longo do ciclo do El Niño, permitindo incorporar novas evidências, informações e avaliações à medida que o fenômeno evoluir.
Ciex e seu caráter interinstitucional
A atuação do Ciex integra diferentes etapas do processo de preparação para eventos extremos, desde a observação e o monitoramento das condições ambientais até a produção de previsões e a disseminação de informações qualificadas. A participação na construção da Nota Técnica amplia essa atuação ao incorporar também a perspectiva da integridade da informação e da comunicação de risco, fortalecendo a aproximação entre ciência, gestores e sociedade.
“Quando conseguimos integrar dados, conhecimento científico e comunicação, ampliamos a capacidade de antecipar cenários e de preparar a sociedade para lidar com eles. Esse diálogo entre diferentes áreas e instituições é fundamental para que a informação cumpra seu papel na redução de riscos e na construção de territórios mais resilientes”, finaliza Elisa.
*Este material foi produzido de acordo com as normas disciplinadas pela Portaria SECOM/MCOM Nº 5.973, DE 28 DE JUNHO DE 2022, assim como também considera e respeita os demais materiais publicados até o momento acerca do regramento para a comunicação pública dos órgãos federais durante o período de defeso eleitoral, compreendido de 4 de julho a 25 de outubro de 2026, podendo ser prorrogado em caso de segundo turno.