A Universidade Federal do Rio Grande (FURG) sedia, em Santo Antônio da Patrulha, o 35º Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap). Com o tema “Extrema Natureza”, o evento começou na segunda-feira, 28, e segue até 2 de outubro, reunindo artistas, pesquisadoras e pesquisadores, estudantes e comunidades para refletir sobre as relações entre as artes visuais, o ambiente e as transformações dos territórios.
A programação ocorre no Campus Santo Antônio da Patrulha da FURG, Unidade Bom Princípio, no CTG Patrulha do Rio Grande, em Santo Antônio da Patrulha, e no Grande Hotel Canela, em Canela. A realização simultânea em diferentes espaços busca aproximar a produção acadêmica e artística dos territórios e das comunidades que participam das discussões propostas pelo encontro.
FURG amplia inserção no cenário nacional das artes visuais
A 35ª edição dá continuidade aos debates do encontro anterior, realizado em 2025 na FURG em Rio Grande, sob o tema “Extremos” e reforça a presença da FURG na organização e no debate nacional sobre pesquisa em artes visuais.
A edição 34 reuniu quase 900 participantes, com presença de pesquisadores e artistas de diferentes regiões do Brasil e adesão internacional da Espanha. O evento também contou com exposições, performances, palestras e conferências. Entre os pesquisadores vinculados à FURG que participaram da programação estavam docentes do Instituto de Letras e Artes (ILA), entre eles Felipe Caldas e Janice Martins Appel, presidente da Anpap no biênio 2025-2026, e coordenadora do encontro.
Nesta edição, a Anpap convida a investigar de que maneira as artes visuais podem revelar, tensionar e reimaginar as relações entre cultura e ambiente em um contexto marcado por crises climáticas, desigualdades e transformações territoriais. Ao propor a “Extrema Natureza” como desdobramento crítico da edição passada, o encontro busca transformar as urgências ambientais contemporâneas em possibilidades de investigação e criação, reunindo diferentes perspectivas sobre o futuro das artes visuais e suas relações com o mundo.
A provocação parte da diversidade dos biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Mata Atlântica — e amplia a discussão para uma perspectiva internacional. O encontro promove diálogos entre arte, ciência, tecnologia, saberes tradicionais, feminismos, estudos ambientais e perspectivas decoloniais.
Entre as atividades previstas estão mesas-redondas dos comitês da Anpap, conferências de especialistas nacionais e internacionais, oficinas, exposição e ações de campo. A programação também prevê atividades em diálogo com comunidades indígenas, quilombolas e pesqueiras da região lagunar-oceânica de Santo Antônio da Patrulha e arredores.
De acordo com a organização, a proposta é refletir sobre as implicações éticas da criação artística em territórios submetidos a eventos climáticos extremos, além de fortalecer redes voltadas à justiça socioambiental e estimular discussões sobre políticas culturais diante das transformações ambientais contemporâneas.