O Núcleo de Estudos em Agroecologia PancPop, do campus São Lourenço do Sul da Universidade Federal do Rio Grande (FURG-SLS), promoveu, em 13 de setembro, mais um encontro do seu Grupo de Estudos, dedicado à apresentação de resultados preliminares de pesquisas com Plantas Alimentícias Não Convencionais (panc). O encontro, realizado no Campus FURG-SLS, reuniu integrantes do núcleo, entre eles os docentes Jaqueline Durigon e Carlos Alberto Seifert Junior (Jajá), além de estudantes de graduação, pesquisadores e representantes dos agricultores familiares.
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Também participou Priscila Tessmer Scaglioni, docente e pesquisadora vinculada ao Laboratório de Tecnologia de Alimentos (LTA) e ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência de Alimentos (PPGECA), ambos do Campus Rio Grande, Unidade Carreiros da FURG. A atividade contou ainda com estudantes de graduação e pós-graduação vinculados ao LTA, envolvidos nos estudos desenvolvidos no laboratório.
O Grupo de Estudos reúne integrantes interessados em aprofundar os conhecimentos sobre as espécies de panc, seu manejo e suas possibilidades de processamento, promovendo a troca de conhecimentos entre áreas e etapas da formação acadêmica.
Das plantas coletadas às pesquisas no laboratório
A parceria entre diferentes campi e laboratórios da FURG, possibilitou o realização de diversas pesquisas, a partir da análise de amostras de panc no Laboratório de Tecnologia de Alimentos. Entre as amostras estavam: A farinha de chaya, tupinambor in natura e desidratado, farinha de tupinambor e sementes de caruru. Também foram realizadas coletas específicas de folhas ora-pro-nóbis e flores de tupinambor.
Os dados obtidos a partir das análises integram pesquisas que serão apresentadas em eventos científicos das áreas de Química e Tecnologia de Alimentos, incluindo a Mostra da Produção Universitária (MPU) da FURG. Para Priscila, a diversidade de espécies ainda pouco estudadas amplia o campo de investigação. "Tem uma infinidade de espécies de panc para a gente avaliar, na região Sul do Brasil, por exemplo, que não são ainda conhecidas e estudadas a fundo, o que faz com que a gente tenha diferentes possibilidades de aprofundamento", explica.
A docente também destaca a importância de conhecer a composição dessas plantas para ampliar o conhecimento sobre espécies já cultivadas por agricultores. Segundo ela, a identificação de determinados compostos pode, futuramente, contribuir para a elaboração de formulações alternativas de alimentos.
Integração entre pesquisa, ensino e extensão
O encontro relacionou conhecimentos sobre o manejo agroecológico das panc a estudos sobre aspectos nutricionais e compostos bioativos. "Essa convergência de áreas de conhecimento, essa integração entre os diferentes campi da FURG, isso é muito bacana, porque isso potencializa as nossas atividades de pesquisa, ensino e extensão", destaca Jaqueline.
Após a apresentação da metodologia e dos resultados, os participantes tiveram um momento destinado à discussão e ao esclarecimento de dúvidas. A presença de estudantes de graduação e pós-graduação do Laboratório de Tecnologia de Alimentos também favoreceu o intercâmbio entre diferentes etapas da formação acadêmica e os estudos desenvolvidos a partir das panc.
Para a profª. Priscila, a experiência também contribui para aproximar a produção acadêmica da sociedade. "A universidade conversando diretamente com a sociedade gera benefício para ambas partes", afirma.
A docente relaciona essa experiência à própria trajetória familiar: "É muito gratificante poder trabalhar, até resgatando as minhas origens, que venho de uma família de agricultores", destaca.
Entre os caminhos apontados para a continuidade dos estudos estão investigações sobre o potencial tecnológico e nutricional das panc. Priscila cita possibilidades relacionadas à elaboração de diferentes formulações de alimentos, ao uso de componentes vegetais em sistemas emulsificados, ao teor proteico e à presença de compostos bioativos.
Parcerias como essa reforçam o caráter interdisciplinar das ações do NEA PancPop coordenado pela FURG, que conta com 25 instituições, entre colaboradoras e co-executoras e quase 40 pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.