DEBATE

No Cidec-Sul, FURG dá início ao 11º Fórum Gaúcho do Envelhecimento Humano

Evento chega à cidade do Rio Grande pela primeira vez

Foto: Hiago Reisdoerfer/Secom

Nesta quinta-feira, 21, o Cidec-Sul abrigou a abertura oficial do 11º Fórum Gaúcho do Envelhecimento Humano (ForGEH), evento que reúne pesquisadores, estudantes, profissionais, gestores públicos e pessoas idosas para debater os desafios e as perspectivas da longevidade no Brasil contemporâneo. Com 26 anos de bagagem, a iniciativa chega pela primeira vez na cidade do Rio Grande, e, nesta edição, é organizada pelo Instituto de Educação (IE) com a proposta de fortalecer o diálogo entre Universidade, sociedade e poder público, incentivando a construção de políticas e práticas voltadas ao envelhecimento ativo, saudável e sustentável.

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A iniciativa, que atualmente reúne participantes de 14 universidades do Rio Grande do Sul, teve a sua gênese no ano 2000, como um espaço para a troca de conhecimentos sobre o envelhecimento humano e as experiências de trabalhar e pesquisar o tema. Desde então, as instituições participantes entenderam que um coletivo acadêmico, dedicado ao estudo e à discussão do tema englobando ainda mais áreas como a extensão e o ensino, poderia promover resultados mais benéficos para a sociedade.

“E assim se criaram as condições para a construção desse Fórum Gaúcho do Ensino Superior sobre Envelhecimento Humano que, 26 anos depois, tem se consolidado como um coletivo reconhecido pelo seu trabalho; onde cada uma das instituições que o integram tem construído sólidos projetos e programas junto com as pessoas idosas das regiões onde atuam”, comentou o professor do IE e organizador geral do evento, Ivan Miguel.

Em sua fala, o professor destacou a sua felicidade em ver o auditório lotado, o que, segundo ele, qualificará os debates desenvolvidos durante a programação, que se estende até esta sexta-feira, 22. “Neste ano o Fórum nos convoca para discutir a longevidade sustentável num mundo complexo e desafiante. Um mundo em que temos um aumento significativo e constante da expectativa de vida, mas que requer o desenvolvimento de políticas públicas que atuem para que essas vidas mais longas sejam plenamente vivas”, discursou.

Além de Ivan, também compuseram a mesa de abertura o vice-reitor, Ednei Primel; a diretora do IE, Tamires Podewils; o deputado federal, Alexandre Lindenmeyer; a coordenadora municipal de Políticas Públicas para Pessoas Idosas, Kátia Martins; e o vereador Glauber Nunes.

Ineditismo e vínculo com o tema

Esta será a primeira vez que o município do Rio Grande sediará o Fórum, considerado um dos principais espaços de discussão sobre envelhecimento humano no Estado. A programação conta com mesas, debates, apresentações de trabalhos científicos e atividades voltadas à reflexão sobre as mudanças sociais, econômicas, ambientais e epidemiológicas que impactam a população idosa.

Familiar ao tema, a Universidade desenvolve diversas iniciativas voltadas ao envelhecimento saudável, como as ações do tradicional Núcleo de Terceira Idade (NUTI), programa criado em 1994 para promover integração social, atividades físicas, culturais e ações de qualidade de vida para idosos da região.

Durante a abertura, a diretora do IE apresentou alguns dos pontos que tornam a realização do evento um feito de grande importância, especialmente no sentido de ampliar o debate sobre o envelhecimento humano para além das questões individuais, considerando principalmente as relações sociais que sustentam a qualidade de vida ao longo da velhice.

Segundo ela, é fundamental compreender o envelhecimento como uma pauta coletiva e ligada à justiça social. Ao mencionar estudos da área da filosofia e da reprodução social, Tamires citou a filósofa italiana Silvia Federici ao afirmar que a luta pelo cuidado dos idosos deve ser politizada e incluída na agenda dos movimentos de justiça social.

“Ações como essa nos proporcionam pensar e decidir coletivamente sobre o nosso destino na Terra. E é claro que essa decisão vai demandar repensarmos a educação, a saúde física e mental, as formas de trabalho e de cuidado. É preciso refletir como estamos cuidando uns dos outros, quem nos cuida, como cuida e a qualidade de vida de todas as pessoas. A própria emergência climática é um debate que a gente precisa levar em consideração quando se pensa em longevidade sustentável”, pontuou Tamires.

O papel transformador da universidade

Para o vice-reitor, ao realizar este evento, a FURG cumpre o seu papel enquanto instituição pública, no desenvolvimento de ações concretas de ensino, pesquisa, extensão, inovação, cultura, arte e lazer, promovendo a participação e a integração efetiva das pessoas dos territórios ao redor da Universidade.

“De nada adiantam políticas públicas serem estabelecidas se as partes interessadas não participam ativamente da sua construção. De nada adianta termos políticas públicas se não há respeito, reconhecimento e empatia pelas partes interessadas. E nesse aspecto, a FURG desempenha um papel estratégico dentro de um tema estratégico, que são as políticas públicas para a pessoa idosa, que devem ser pauta não só do município e do Estado, mas também do país”, comentou Ednei.

Ainda segundo o gestor, o Brasil enfrenta desafios complexos por ser constituído por uma sociedade diversa e em constante transformação, especialmente diante da nova realidade climática. Em sua fala, ressaltou que é preciso preparar profissionais, crianças e toda a sociedade para compreender a importância da inclusão e do respeito às pessoas idosas. “E aqui, neste Fórum, me alegra ver a integração dos estudantes com os representantes da sociedade, pois são vocês que sabem o dia a dia vivido, os desafios enfrentados e a complexidade de se viver em territórios onde não se tem, por exemplo, uma mobilidade urbana de transporte adequada, ou o direito de ir e vir respeitado”, completou.

Pelo restante da programação do dia, os participantes puderam debater diferentes aspectos relacionados ao envelhecimento humano na sociedade contemporânea. Entre os temas discutidos estiveram as relações e interações humanas na era digital, as experiências desenvolvidas em outras cidades e países como alternativas para pensar novas formas de envelhecer, além dos desafios sociais enfrentados por populações em situação de vulnerabilidade.

No segundo dia, as discussões esperadas devem abordar os impactos das desigualdades sociais e da concentração de renda sobre a qualidade de vida das pessoas idosas, refletindo sobre como a falta de distribuição mais justa de recursos afeta principalmente grupos mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, o fórum também oportunizará o compartilhamento de experiências coletivas e iniciativas baseadas na empatia e na participação social como possibilidades concretas de transformação.

Mais do que um espaço acadêmico de debate, o Fórum evidencia que discutir envelhecimento humano é também discutir os rumos da sociedade, as formas de convivência coletiva e a capacidade de construir futuros mais justos e sustentáveis. Em meio às transformações sociais, econômicas e climáticas do presente, o evento reforça a necessidade de colocar o cuidado, a escuta e a participação das pessoas idosas no centro das decisões sobre o amanhã.

 

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Hiago Reisdoerfer/Secom