Antártica

Grupo de Oceanografia de Altas Latitudes realiza workshop sobre atividades no Oceano Austral

Atividades foram desenvolvidas ao longo de três dias, no auditório João Rocha, em Rio Grande

Foto: Vinícius Barcellos/Secom

Encerrou nesta quinta-feira, 21, o V Workshop do Grupo de Oceanografia de Altas Latitudes (GOAL). Ao longo de três dias, estudantes, pesquisadores e professores apresentaram e debateram o trabalho da equipe, dedicado a contribuir para o entendimento da relação entre o ambiente físico/químico, os microrganismos marinhos, e os predadores de topo da cadeia trófica (mamíferos marinhos) no Oceano Austral.

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Na prática, o GOAL desenvolve pesquisas voltadas à compreensão das mudanças ambientais globais e dos impactos locais causados pelas atividades humanas na Antártica. Estruturado em duas grandes redes de pesquisa, o grupo reúne especialistas de diferentes instituições nacionais e internacionais para investigar fenômenos ambientais, climáticos e oceanográficos de relevância mundial.

O grupo é constituído por uma coordenação geral, conduzida pelo professor Maurício Mata, em conjunto com coordenações específicas para cada subprojeto vinculado ao GOAL. De acordo com o pesquisador, a motivação que deu origem à equipe tem raízes na intenção de discutir e compreender, de forma integrada, os processos complexos associados ao Oceano Austral, que são de extrema importância para a saúde do planeta.

“O Oceano Austral é o único oceano que ocupa todas as longitudes do planeta; possui a maior e mais extensa corrente oceânica na Terra, e, além disso, é também responsável por conectar as bacias oceânicas do globo, garantindo uma comunicação global desses corpos d’água. Dada essa importância, há mais de 20 anos iniciamos um processo de pensar em como contribuir para o entendimento e a qualificação da pesquisa sobre os seus principais aspectos e processos”, destacou o professor.

O projeto conta com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Redes de trabalho

A primeira frente de atuação à qual o projeto se dedica, denominada Rede 1, se concentra na realização de estudos integrados sobre mudanças ambientais globais. As pesquisas têm como objetivo detectar alterações de escala planetária na Antártica e identificar os processos críticos que conectam a região ao sistema terrestre, especialmente ao território brasileiro. Entre os principais temas investigados estão o efeito estufa, o aquecimento global e a elevação do nível do mar, além do buraco na camada de ozônio e da incidência de radiação UV-B.

Também fazem parte das análises a variabilidade climática, os impactos da interação entre o meio espacial e a atmosfera inferior, a dinâmica entre oceano, atmosfera e criosfera, bem como o transporte global e a dispersão de agentes poluidores. Outro foco importante é o estudo das respostas da flora e da fauna antártica às mudanças ambientais globais.

Já a Rede 2 se dedica ao monitoramento dos impactos ambientais locais provocados pelas atividades brasileiras na Área Antártica Especialmente Gerenciada da Baía do Almirantado. O trabalho envolve a definição, o mapeamento e a integração espacial das principais variáveis ambientais da região.

Entre os indicadores considerados prioritários estão hidrocarbonetos, esgoto, metais pesados, compostos orgânicos persistentes e patógenos. Além disso, os pesquisadores analisam a resposta dos ecossistemas à presença desses contaminantes, investigando a acumulação de substâncias tóxicas em organismos animais e vegetais e seus efeitos biológicos, como alterações sensoriais, sucesso reprodutivo, introdução de doenças, dinâmica populacional, mapeamento de colônias e ecologia alimentar.

O grupo reúne pesquisadores vinculados a diversas instituições de ensino e pesquisa, além da FURG, participam representantes da Universidade Santa Úrsula (USU), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Alfred-Wegener-Institut für Polar- und Meeresforschung (AWI).

Capacidade instalada

Para apoiar as atividades científicas, o GOAL conta com equipamentos modernos voltados à coleta e análise precisa de dados oceanográficos e ambientais. O grupo destaca também o trabalho realizado em conjunto com o Laboratório de Sensoriamento Remoto (LOCFIS/FURG), onde são recebidas e analisadas diariamente imagens dos satélites NOAA e SeaWifs, transformadas em diversos produtos de imagens, além de possibilitar comparações de importância relevantes com dados colhidos nas regiões de abrangência.

O GOAL também realiza perfilagens CTD da superfície ao fundo do oceano aproximadamente a cada oito milhas náuticas. Entre os demais equipamentos empregados nas pesquisas estão bóias radiométricas, rastreadores por satélite de cetáceos e elefantes-marinhos, perfiladores de fluorescência e O2D, além de derivadores LCD.