CIEX

FURG sedia exercício de simulação frente a eventos extremos

Utilizando expertise e modelos computacionais, equipes treinaram ações e previram o impacto de desastres climáticos, como enchentes e tempestades

Foto: Fernando Halal/Locoste

Diversas autoridades do Estado e da Região Sul estiveram reunidas no Cidec-sul, na tarde desta quarta-feira, 9, para uma missão em comum: participar de um simulado de mesa que abordou a preparação para situações de eventos extremos.

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Para isso, o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da FURG convidou uma série de agentes envolvidos na gestão e resposta a situações de emergência, como Defesas Civis, órgãos de controle e representantes de municípios situados às margens da Lagoa dos Patos.

O evento contou com a organização da Agência de Desenvolvimento Regional da Zona Sul (Câmara Técnica de Resiliência e Desenvolvimento, da Azonasul) e com o apoio do Governo do Estado do RS, da FURG e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O exercício compreendeu a simulação de um período de quatro dias, reproduzindo o momento mais severo pelo qual passou o RS em tempos recentes, referente a maio de 2024. Ao longo da tarde, a progressão dos eventos adversos foi elaborada de forma contínua, com a dinâmica de emissão de boletins e avisos da DCRS, e a consequente atualização do Ciex.

Cada instituição foi responsável por estruturar, analisar e articular quais medidas seriam de sua responsabilidade, informando sobre preparação, resposta e capacidade de apoio, e propondo suas ações. Integrantes da Defesa Civil estiveram presentes para solucionar dúvidas.

Além de destacar o trabalho dos municípios e instituições que apoiam as iniciativas do Ciex, cada um dentro de suas particularidades, a coordenadora do Centro, Elisa Fernandes, citou a parceria de colaboradores internacionais, como a Universidade de Cambridge. "Esta sala reflete o conceito interinstitucional original do Ciex; há uma riqueza de contribuições que culminam aqui neste momento. Hoje temos a oportunidade de colocar à prova, da melhor forma possível, a nossa capacidade de resposta e de gerar informações frente aos eventos extremos para auxiliar as diferentes instituições nas suas ações", avaliou a professora. "É uma satisfação muito grande ver a Universidade cumprindo o seu papel de levar à sociedade o conhecimento aqui desenvolvido, e contribuir para a segurança e bem-estar de toda a região", completou.

O vice-reitor, Ednei Primel, ressaltou que, nesse momento, a Universidade "está integrada nessa ação do Rio Grande do Sul, procurando através de pesquisas, da inovação e da extensão, junto com vários atores que estão aqui representados, desenvolver e fortalecer as ações propostas, de forma cooperada, pelo nosso território. Integrar essas redes e abrir as portas da universidade para que as pessoas possam se integrar a essas iniciativas é também o nosso papel".

"A ideia do MP é participar, contribuir, interagir e se garantir como um instrumento disponível e eficiente à cidadania nesses momentos", apontou Daniel Indrusiak, 1º promotor de Justiça Cível de Rio Grande.

"Nós, instituições públicas, às vezes temos muita dificuldade de interlocução, porque são várias lideranças envolvidas em episódios recentes (de eventos extremos no Rio Grande do Sul). Então eventos como este são de grande importância no atual cenário do Estado", destacou a coordenadora do Gabinete de Estudos Climáticos, promotora Silvia Capelli. O GabClima foi criado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em novembro de 2023, após o aumento de desastres naturais na região.

Monitoramento e previsões

O Ciex foi criado após as enchentes de 2024 para monitorar e prever eventos climáticos extremos no sul do Rio Grande do Sul. Hoje o Centro reúne pesquisadores, estudantes e quase 30 instituições da quádrupla hélice, incluindo parcerias com outras universidades federais, prefeituras, defesa civil, setores produtivo e industrial e forças de segurança pública.

Entre as atividades realizadas pelo Ciex, estão o monitoramento de chuvas, ventos, temperatura e nível da água; o acompanhamento das condições da Lagoa dos Patos em tempo real; a produção de previsões meteorológicas e hidrológicas; o desenvolvimento de mapas de inundação e cenários de risco; e ao apoio a tomadas de decisões em situações de emergência.