Na última sexta-feira, 29, a FURG recebeu um dos mais avançados equipamentos para análise científica disponíveis no mercado. Avaliado em aproximadamente R$ 4 milhões, o Espectrômetro de Fotoelétrons de Raios X (XPS, na sigla em inglês) passará a integrar a infraestrutura do Centro Integrado de Análises (CIA), fortalecendo a capacidade da instituição em pesquisas de ponta nas áreas de materiais, nanotecnologia, meio ambiente e ciências biológicas.
FURG está entre as cinco universidades brasileiras que subiram em ranking mundial
FURG promove quarta edição do Forcult da região Sul, em Santo Antônio da Patrulha
FURG participa do III Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
Além da montagem, a alta complexidade do equipamento também requer um período de treinamento para os técnicos do centro. De acordo com o professor, a previsão para o início da disponibilização dos agendamentos de uso é para a metade do segundo semestre de 2026.
A logística de aquisição, transporte e instalação é fruto do trabalho conjunto da Propesp, Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra), Prefeitura Universitária (PU), Pró-reitoria de Planejamento e Administração (Proplad), Faurg e da empresa encarregada pelo transporte.
“A equipe do CIA unto com o Comitê Técnico-cientifico ressalta o grande trabalho em equipe de todas essas pessoas e órgãos, que, em menos de duas horas, conseguiu descarregar com segurança o aparelho”, pontuou Kessler.
Sobre o equipamento
Considerado uma das ferramentas mais sofisticadas para caracterização química de superfícies, o XPS permite identificar os elementos químicos presentes em uma amostra e determinar como eles estão ligados quimicamente. A técnica utiliza raios X para estimular a emissão de elétrons da superfície dos materiais, possibilitando análises em escala nanométrica.
A aquisição do equipamento integra os projetos de expansão da infraestrutura multiusuária da FURG, coordenados pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propesp), em parceria com a Fundação de Apoio à FURG (FAURG), com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio de um edital lançado em 2024.
Segundo Kessler, entre as principais aplicações do equipamento estão estudos relacionados ao ambiente costeiro e oceânico, uma das áreas estratégicas da Universidade. “Com o foco estratégico da FURG em ecossistemas marinhos, o XPS será um aliado poderoso na análise de micro e nanoplásticos, contaminantes no ambiente, flora e fauna. Compreender como esses materiais interagem quimicamente no ambiente é o primeiro passo para desenvolver estratégias de mitigação e preservação ambiental”, destacou o professor.
Além disso, o equipamento terá papel importante no desenvolvimento de novos materiais para áreas como nanotecnologia, engenharia de superfícies, sensores, semicondutores, baterias e catalisadores. A estrutura também fortalece a autonomia científica nacional ao permitir que análises complexas sejam realizadas no próprio país, reduzindo a dependência de laboratórios internacionais e acelerando o avanço das pesquisas.
A configuração do XPS possibilita a análise de amostras sólidas, semissólidas e biológicas. Células vegetais, animais e humanas poderão ser estudadas com elevado nível de detalhamento, permitindo a identificação de elementos químicos e sua distribuição em escala nanométrica.
CIA e sua importância
Criado em 2015, o Centro de Análises Integradas da FURG é parte da estrutura multiusuária da instituição, com finalidade de oferecer condições de uso de equipamentos para análises químicas, físicas e biológicas em atividades relacionadas à pesquisa, ensino, extensão e inovação.
Instalado na unidade Carreiros, em Rio Grande, o equipamento ficará disponível em regime multiusuário, atendendo pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, instituições de ensino, centros de pesquisa, empresas e organizações do Brasil e do exterior. “A expectativa é que a nova estrutura transforme a universidade em um importante polo de análises avançadas, ampliando as oportunidades de colaboração científica e inovação tecnológica”, completou Kessler.