Em algumas semanas, o estudante Esteve Maris, que cursa o último período de Artes Visuais na FURG, embarcará para Maputo, a capital de Moçambique, para um intercâmbio de 15 dias. A oportunidade veio através da sua seleção no edital do “Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbio Sul-Sul – Edição Moçambique”, oferecido pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério da Igualdade Racial (MIR) e Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
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A seleção foi destinada a estudantes quilombolas ou autodeclarados pretos ou pardos, alunos de licenciaturas a partir do 5° semestre e vinculados a Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (Neabs), a Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabis), ou grupos correlatos. Durante o processo, foi avaliado o histórico acadêmico dos candidatos; participação em projetos pesquisa, ensino ou extensão; participação como representante em entidade do movimento negro; e publicação de artigos científicos e demais produções bibliográficas.
Os estudantes selecionados passarão 15 dias na Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) com as despesas com diárias, passagens aéreas, passaporte, visto e seguro-saúde subsidiadas pelo MIR. Durante esse período, eles participarão de atividades como eventos científicos, visitas guiadas em escolas, locais históricos e museus, e rodas de conversa com movimentos sociais moçambicanos, além de elaborar um relatório de atividades realizadas durante o período de estudo no exterior, com o objetivo de compartilhar os aprendizados adquiridos ao longo da experiência e fortalecer a História e Cultura Afro-brasileira e Africana.
Engajado com causas sociais e produção científica durante toda sua trajetória acadêmica, Esteve faz parte de dois núcleos da FURG: o ARTƎECOS - Núcleo de Estudos e Práticas Artísticas Ecosóficas (FURG/CNPq) e o ERER FURG - Grupos de Pesquisa Educação para as Relações Étnico-Raciais. Assim como ambos os núcleos são realizados por muitas pessoas, Esteve conta que todo o seu processo de inscrição no programa foi fruto de uma construção coletiva, um sonho que sonhou em comunidade. “Sem elus eu não teria autoestima suficiente para tentar a bolsa do intercâmbio do Caminhos Amefricanos”, comenta.
Preto, periférico e morador da Casa do Estudante no Campus Carreiros, Esteve revela que escolheu a FURG por ser uma das instituições federais com a melhor assistência estudantil do país, uma política pública que, segundo ele, foi a grande responsável por viabilizar a oportunidade de dedicar-se exclusivamente aos estudos ao longo da sua graduação.
Na sua inscrição para o programa, enviou uma proposta de pesquisa guiada por perguntas e uma convicção: “Nossos sonhos merecem a nossa disciplina”. De acordo com o estudante, nessa experiência transatlântica de pesquisa, ele irá se “aprofundar na compreensão das fragilidades coloniais em busca de descontruir narrativas cristalizadas no Ocidente em relação à construção e os atravessamentos da identidade do docente de Artes, fazendo um paralelo com os Moçambicanes”.
Para Esteve, que está prestes a concluir a graduação, sua aprovação no programa Caminhos Amefricanos significa para a universidade “a oportunidade de reconhecer e valorizar cada vez mais as Politicas Públicas de Educação voltadas para jovens e adultos marcados pelos efeitos e implicações da colonização do território de Abya Ayla [continente americano]. E não somente, significa uma confirmação de que tem preto com pesquisa qualificada no sul”. A conquista do intercâmbio ele dedica, com emoção, à sua mãe, Deise Ap Mello.
Em 2021, Esteve conversou com o furg.br para falar um pouco da sua participação no documentário "Intransitivo: Um Documentário Sobre Narrativas Trans”, que conta a história de vida de oito pessoas trans de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Mais informações sobre o documentário você encontra aqui.
Nas próximas semanas, Esteve deve seguir rumo às terras africanas para uma descoberta de novos conhecimentos e de produção científica com o objetivo de contribuir com o debate e o combate ao racismo no Brasil em prol da promoção da igualdade racial no país, uma experiência que marcará a conclusão de sua graduação com uma rica contribuição para a universidade, sua vida acadêmica e sua trajetória profissional.
Sobre o “Caminhos Amefricanos”
O “Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul” visa estimular a troca de conhecimentos, experiências e políticas públicas que contribuam para o combate do racismo e para a educação das relações étnico-raciais a partir da cooperação acadêmica entre instituições educacionais e incentivo a pesquisas e ao desenvolvimento científico e tecnológico para a promoção da igualdade racial através de intercâmbios de curta duração realizados no exterior, em países africanos, latino-americanos e caribenhos.
A iniciativa é do Ministério da Educação (MEC), por meio da Capes e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), e do Ministério da Igualdade Racial (MIR).
Atualmente, o programa se encontra em processo de avaliação das inscrições da sua segunda edição, que selecionará 50 discentes e 50 docentes para intercâmbios a serem realizados na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), com sede na cidade de Praia, República de Cabo Verde; e na Secretaría de Educación Distrital, com sede na cidade de Bogotá, República da Colômbia, respectivamente.
Mais informações sobre o programa podem ser encontradas aqui.
*Estagiária sob supervisão do jornalista Fernando Halal.