No próximo dia 20, a FURG realiza sua tradicional Assembleia Universitária, em celebração aos 57 anos desde a fundação da Universidade. O encontro é um momento solene e busca refletir sobre as conquistas acumuladas ao longo das décadas. Durante a ocasião, serão feitas as tradicionais homenagens dedicadas às pessoas que entregam seu compromisso à construção e ao fortalecimento do ensino superior e da instituição.
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Doutor Honoris Causa
Neste ano, a Universidade concederá o título honorífico de Doutor Honoris Causa para duas pessoas: o professor da Escola de Engenharia (EE), Ernesto Alquati; e, em uma homenagem póstuma, à intelectual e ativista do movimento negro, Lélia Gonzales.
Ernesto Alquati
Com uma trajetória de 46 anos dedicada à FURG, o professor mestre Ernesto Luiz Gomes Alquati consolidou uma carreira marcada pela excelência no ensino, pela atuação em cargos estratégicos de gestão universitária e pelo compromisso com o desenvolvimento institucional da Universidade.
Graduado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1976, e mestre em Engenharia, na área de Estruturas, pela mesma instituição, ingressou na FURG em março de 1980 como docente do então Departamento de Materiais e Construção (DMC). A partir da reestruturação acadêmica de 2007, passou a integrar o quadro da Escola de Engenharia (EE).
Ao longo de sua carreira, foi responsável pela formação de inúmeras gerações de engenheiros, ministrando disciplinas consideradas fundamentais para os cursos da área, como Resistência dos Materiais, Mecânica Estrutural I e II, Mecânica Estrutural Computacional e Mecânica dos Sólidos. Também contribuiu para a pós-graduação ao lecionar a disciplina Fundamentos de Matemática no Programa de Pós-graduação em Engenharia Oceânica.
Além da atuação em sala de aula, Alquati participou ativamente da vida acadêmica e administrativa da Universidade. Integrou colegiados, o Conselho da Escola de Engenharia e atualmente representa a unidade no Conselho Universitário (Consun). Na gestão universitária, exerceu funções como Superintendente Técnico na atual Diretoria de Obras, Pró-reitor de Infraestrutura e assessor da Reitoria em diferentes administrações.
Lélia Gonzales
Reconhecida como uma das mais importantes intelectuais brasileiras do século XX, Lélia Gonzalez construiu uma trajetória que uniu produção acadêmica, atuação política e compromisso com a transformação social. Antropóloga, filósofa, professora, escritora e ativista, tornou-se referência nos estudos sobre relações raciais, cultura afro-brasileira e gênero, contribuindo para a consolidação desses campos em um período marcado pela ditadura militar, pela repressão política e pela exclusão da população negra dos espaços de produção do conhecimento.
Nascida em Belo Horizonte, em 1935, filha de um ferroviário negro e de uma trabalhadora doméstica indígena, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Em uma época em que o acesso de mulheres, especialmente mulheres negras, ao ensino superior era extremamente restrito, conciliou trabalho e estudos para concluir sua formação acadêmica. Graduou-se em História, Geografia e Filosofia, lecionou na rede pública e no Colégio de Aplicação da UERJ e concluiu mestrado em Comunicação Social e doutorado em Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde também atuou como docente e chefe de departamento.
A partir da década de 1970, sua produção intelectual passou a influenciar decisivamente o pensamento social brasileiro. Em obras como Lugar de Negro, escrita em coautoria com Carlos Hasenbalg, analisou as desigualdades raciais e os efeitos da estrutura social brasileira sobre a população negra. Também investigou as manifestações culturais de matriz africana, desenvolveu o conceito de "amefricanidade", refletindo sobre as experiências afro-latino-americanas, e formulou a noção de "pretuguês", evidenciando a influência africana na constituição da língua portuguesa falada no Brasil.
Paralelamente à carreira acadêmica, Lélia Gonzalez desempenhou papel de destaque nos movimentos sociais. Participou da fundação do Movimento Negro Unificado, em 1978, e do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras, além de integrar o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher entre 1985 e 1989. Sua atuação ampliou a presença de mulheres negras nos espaços de formulação política e fortaleceu o debate público sobre racismo, desigualdade e direitos humanos no processo de redemocratização do país.
Na FURG, sua produção intelectual integra atividades de ensino, pesquisa e extensão, com destaque para o Grupo de Estudos Feministas Lélia Gonzalez, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação e registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Seus escritos seguem orientando pesquisas e contribuindo para a formação crítica da comunidade universitária.
A concessão póstuma do título de Doutor Honoris Causa representa o reconhecimento institucional de uma trajetória que transformou o pensamento acadêmico brasileiro e permanece como referência para a produção científica, a defesa da universidade pública e a promoção da igualdade racial e de gênero.
Mérito Institucional
Concedida pela Universidade para entidades, organismos ou instituições que apoiam a FURG no desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e em prol da sociedade, o Mérito Institucional é uma das distinções que englobam os parceiros da comunidade, o respaldo social e os impactos causados pelo ensino superior na região. Nesta edição, recebem a homenagem as Amigas do HU e a Prefeitura de Santo Antônio da Patrulha
Amigas do HU
Criada em julho de 1994, a Associação das Amigas do Hospital Universitário (HU) da FURG consolidou-se como uma das principais iniciativas de apoio voluntário ao Hospital Universitário, desenvolvendo, há mais de 30 anos, ações voltadas à humanização do atendimento, à mobilização de recursos e ao fortalecimento da assistência prestada à comunidade. Fundada por iniciativa de mulheres da comunidade rio-grandina, sob a liderança de Neusa Rocha da Senhora, com apoio da direção e de profissionais do Hospital, a entidade surgiu com o propósito de colaborar com as necessidades do HU por meio do trabalho voluntário.
Desde então, mantém atuação permanente na identificação de demandas estruturais e assistenciais, contribuindo para a aquisição de equipamentos, materiais e outros itens essenciais ao funcionamento da instituição. Para viabilizar essas ações, a Associação promove campanhas e eventos beneficentes, como bazares, almoços, jantares e desfiles, além de estabelecer parcerias com o comércio local para arrecadação de recursos destinados ao Hospital. O trabalho desenvolvido ao longo das décadas tornou-se parte da rede de apoio que complementa a assistência oferecida pelo HU à população da região.
Entre as iniciativas de maior impacto estão as ações voltadas à humanização do atendimento pediátrico e neonatal. As voluntárias confeccionam e doam fraldas e enxovais destinados às crianças atendidas na Pediatria e nas unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal, contribuindo para o acolhimento de pacientes e familiares durante o período de internação.
A atuação da Associação também foi decisiva para a implantação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Universitário, inaugurada em 2017. Em outro momento de grande relevância, durante a pandemia de Covid-19, o grupo participou da mobilização de doações de insumos e equipamentos, mantendo o apoio às áreas materno-infantis mesmo diante das restrições impostas pelo período.
Ao longo de sua história, a Associação das Amigas do HU tornou-se símbolo da participação comunitária e do compromisso social em apoio à Universidade pública. Sua atuação permanente fortalece as ações de humanização, contribui para a qualificação do atendimento prestado pelo Hospital Universitário da FURG e reafirma a importância do trabalho voluntário como elemento de integração entre a Universidade e a comunidade.
Prefeitura de Santo Antônio da Patrulha
A parceria entre a Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Patrulha e FURG tem sido um dos pilares para a consolidação da educação superior pública no município. Desde o início da implantação do campus FURG-SAP, em 2009, a administração municipal atua em cooperação com a instituição, contribuindo para criar as condições necessárias à instalação e ao fortalecimento das atividades acadêmicas na região.
Reconhecido como um dos municípios mais antigos do Rio Grande do Sul, Santo Antônio da Patrulha possui uma trajetória histórica ligada ao desenvolvimento do Estado, com destaque para o tropeirismo e para a produção de derivados da cana-de-açúcar. Ao longo dos anos, a valorização da educação passou a integrar as estratégias de desenvolvimento local, aproximando o poder público das instituições de ensino.
Nesse contexto, a Prefeitura manteve diálogo permanente com a FURG, o Ministério da Educação (MEC) e órgãos estaduais, colaborando na articulação de demandas e na construção de soluções voltadas à consolidação do campus. A atuação conjunta favoreceu a expansão do acesso ao ensino superior público, além de contribuir para a permanência estudantil e para o fortalecimento da presença da Universidade no município.
Mérito Universitário
Destinado ao reconhecimento de servidores e servidoras que, ao longo de suas trajetórias profissionais, contribuíram de forma expressiva para o desenvolvimento da Universidade, a distinção de Mérito Universitário representa o legado de compromisso institucional, competência e dedicação. Nesta edição, três servidores recebem a homenagem: Maria de Lourdes Lose, Abel Varella da Silva e Cláudio Moss.
Maria de Lourdes Lose
Com uma trajetória marcada por mais de duas décadas de atuação como servidora técnico-administrativa em educação, Maria de Lourdes Lose é reconhecida pelo seu envolvimento permanente com a representação da categoria e pela dedicação às pautas de igualdade, inclusão e direitos humanos.
Ingressou na Universidade em 1977, como assistente em administração, desempenhando a maior parte de sua carreira no então Departamento de Matemática. Ao longo de mais de 20 anos de serviço, acompanhou diferentes etapas da consolidação institucional da FURG até a sua aposentadoria em 1999.
Mesmo após a aposentadoria, manteve forte vínculo com a instituição por meio da atuação no Sindicato dos Técnicos-administrativos em Educação da FURG (APTAFURG), onde participa da mobilização sindical e da defesa dos direitos dos servidores técnicos. Sua atuação contribuiu para fortalecer o debate sobre valorização profissional, condições de trabalho e participação coletiva no ambiente universitário.
Maria também integra a Comissão de Gênero e Diversidades da FURG, colaborando na organização de debates, atividades formativas e iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, da inclusão e da equidade no ambiente universitário.
Além da atuação na Universidade, exerceu dois mandatos consecutivos como vereadora no município do Rio Grande, entre 1997 e 2004, dedicando-se à elaboração e ao acompanhamento de políticas públicas, especialmente nas áreas sociais e de promoção da igualdade. Posteriormente, assumiu a coordenação municipal de políticas para as mulheres, conduzindo ações de enfrentamento à violência de gênero e de fortalecimento dos direitos das mulheres.
Abel Varella da Silva
Com uma trajetória de 48 anos na Universidade, Abel tornou-se uma referência na área de infraestrutura, contribuindo diretamente para a manutenção, preservação e desenvolvimento dos espaços que sustentam as atividades acadêmicas e administrativas da instituição. Ingressando em 1976 como técnico em móveis e esquadrias, o servidor acompanhou diferentes fases da expansão física e administrativa da FURG. Ao longo da carreira, atuou em setores como a Superintendência Técnica, a Superintendência de Administração dos campi e a Prefeitura Universitária, desempenhando papel essencial na execução de serviços voltados à conservação da infraestrutura universitária.
Reconhecido pela disponibilidade, pela responsabilidade e pela capacidade de encontrar soluções diante de diferentes desafios, Abel construiu uma carreira marcada pelo compromisso com o serviço público. Seu trabalho esteve relacionado à construção, manutenção e recuperação de estruturas e equipamentos, assegurando as condições necessárias para o funcionamento cotidiano da Universidade, inclusive em períodos de limitações orçamentárias.
Ao longo dos anos, consolidou-se como um profissional de confiança para a comunidade universitária, destacando-se pela experiência acumulada e pela disposição permanente em atender às demandas institucionais. Em 2024, passou a exercer a função de chefe da Divisão de Serviços Gerais da Prefeitura Universitária, vinculada à Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra), assumindo também a coordenação e o acompanhamento das equipes responsáveis pelos serviços de apoio à instituição.
Sua história funcional evidencia a importância do trabalho técnico para a consolidação da Universidade pública. Ao longo de quase cinco décadas, Abel contribuiu para a preservação do patrimônio institucional e para o funcionamento das atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão.
Cláudio Moss
Professor da Faculdade de Medicina, Cláudio Moss da Silva possui uma trajetória marcada pela integração entre ensino, pesquisa, extensão, gestão universitária e assistência em saúde. Vinculado à instituição desde 1989, quando ingressou como médico técnico-administrativo, tornou-se professor efetivo da Famed em 1993, mantendo, desde então, atuação contínua na formação médica e no fortalecimento da área da saúde.
Ao longo de mais de três décadas na docência, participou da formação de inúmeras gerações de médicos, ministrando disciplinas nas áreas de Clínica Médica, Doenças Infecciosas e Parasitárias, Terapia Intensiva e estágio curricular, além de atuar como preceptor de programas de residência em Clínica Médica e Infectologia. Também coordenou cursos de especialização e projetos de ensino voltados ao aperfeiçoamento da formação profissional.
Na pesquisa, é reconhecido por sua produção científica voltada às doenças infecciosas, com destaque para estudos sobre HIV/aids, hepatites virais, coinfecções, infecções hospitalares e vigilância epidemiológica. Participou da coordenação e do desenvolvimento de projetos financiados por agências de fomento, incluindo pesquisas multicêntricas realizadas em parceria com o Ministério da Saúde e instituições nacionais e internacionais.
Sua atuação também se destaca na gestão universitária. Atualmente diretor da Faculdade de Medicina, exerceu funções estratégicas na administração acadêmica, como a coordenação da Comissão de Residência Médica (Coreme), período em que contribuiu para a criação de novos programas de residência e para a ampliação das vagas destinadas à formação de especialistas.
Na extensão universitária, Cláudio Moss é um dos fundadores do Serviço de HIV/Aids do HU-FURG/HU-Brasil, referência no atendimento especializado à população do extremo sul do Estado. Sua participação foi decisiva para a estruturação do serviço, a implantação do Hospital-Dia e a qualificação da assistência prestada às pessoas vivendo com HIV. Durante a pandemia de Covid-19, integrou o Comitê de Monitoramento da Universidade, colaborando com ações de vigilância epidemiológica e enfrentamento da emergência sanitária.
Paralelamente às atividades acadêmicas, manteve atuação assistencial como médico infectologista e intensivista, contribuindo para o atendimento da população. Sua trajetória reúne contribuições expressivas para a FURG e para a saúde pública, consolidando um legado pautado pela excelência acadêmica, pelo compromisso institucional e pelo cuidado com a comunidade.
Professor Emérito
Concedida para professores aposentados que se destacaram de forma extraordinária pelo ensino, pesquisa e serviços prestados à Universidade, a honraria acadêmica de Professor Emérito, nesta edição, presta homenagem a três importantes professores: Jussara Maria Silveira e Isabel Cristina de Oliveira, da Famed; e Péricles Gonçalves, da Faculdade de Direito (Fadir).
Jussara Maria Silveira
A professora aposentada construiu uma trajetória marcada pela excelência acadêmica, pela dedicação ao ensino e pelo protagonismo no enfrentamento ao HIV/Aids no extremo sul do Rio Grande do Sul. Médica formada pela FURG em 1979, ingressou na carreira docente em 1984 e, dois anos depois, tornou-se professora efetiva da Famed, iniciando uma atuação que se estendeu por quase quatro décadas.
Sua atuação ganhou destaque ainda na década de 1980, quando a epidemia de HIV/Aids começava a se expandir no Brasil. Diante dos primeiros casos registrados em Rio Grande, participou da criação do Serviço de Infectologia do Hospital Universitário da FURG, coordenando iniciativas pioneiras de diagnóstico, prevenção e tratamento. Em parceria com os professores Gabriela Mendoza Sassi e Cláudio Moss da Silva, contribuiu para estruturar uma rede de assistência especializada, aliando atendimento médico, ações educativas e promoção da saúde.
Entre as principais conquistas de sua trajetória estão a implantação do Hospital-Dia para atendimento de pessoas vivendo com HIV, em 1992, e a criação do Laboratório de Biologia Molecular do Hospital Universitário, que passou a realizar exames de carga viral e fortaleceu o diagnóstico e o acompanhamento dos pacientes na região. Também participou da formulação de políticas públicas em âmbito estadual e nacional, integrando comitês técnicos e colaborando para a descentralização da assistência em infectologia.
Na graduação e na pós-graduação, dedicou-se à formação de diversas gerações de médicos, ministrando disciplinas nas áreas de Clínica Médica, Doenças Infecto-Parasitárias, Bioética e Farmacologia, além de atuar como preceptora de residências médicas. Sua produção científica é tida como referência na área das doenças infecciosas, incluindo estudos sobre resistência viral e diversidade genética do HIV no Brasil.
Reconhecida com o Mérito Universitário da FURG em 2015, Jussara Martins permaneceu à frente do Serviço de Infectologia do Hospital Universitário entre 1990 e 2017. Mesmo após a aposentadoria, segue contribuindo para a saúde pública como consultora do Ministério da Saúde, integrante de comitês técnicos estaduais e médica voluntária no Ambulatório de HIV/aids do HU-FURG/HU-Brasil.
Isabel Cristina de Oliveira
Médica formada pela FURG em 1984, ingressou no corpo docente da Famed em 1989 e, ao longo de mais de três décadas, contribuiu para a formação de médicos comprometidos com a ética, a humanização do cuidado e a defesa da saúde pública. Especialista em Pneumologia, desenvolveu pesquisas pioneiras sobre tabagismo passivo em lactentes, trabalho que recebeu reconhecimento científico nacional e internacional.
Na graduação, destacou-se como docente das áreas de Semiologia e Clínica Médica, priorizando uma formação centrada na relação entre médico e paciente e na integração entre conhecimento técnico e responsabilidade social. Também orientou estudantes em projetos de pesquisa e iniciação científica, contribuindo para o aperfeiçoamento do currículo do curso de Medicina.
Sua atuação extrapolou as atividades de ensino ao assumir papel de liderança em programas voltados à integração entre Universidade e serviços de saúde. À frente de iniciativas como o Pró-saúde e o PET-saúde, colaborou para aproximar a formação médica da atenção básica, fortalecer a parceria entre a FURG e a rede municipal de saúde e qualificar a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da saúde.
Na gestão universitária, exerceu funções estratégicas como coordenadora e vice-coordenadora do curso de Medicina, vice-diretora e diretora da Faculdade de Medicina, além de integrar comissões voltadas ao planejamento institucional, à ética em pesquisa, à revalidação de diplomas e aos projetos de expansão do Hospital Universitário. Sua atuação foi marcada pela capacidade de articulação, pelo compromisso institucional e pela busca permanente da qualificação da formação médica.
Mesmo após a aposentadoria, em 2022, Isabel mantém vínculo ativo com a Universidade, participando como docente convidada em jornadas, ligas acadêmicas e cursos de atualização, além de integrar a Comissão Permanente de Memória da Famed.
Péricles Gonçalves
Ao longo de cinco décadas de dedicação ao ensino superior, à gestão universitária e ao fortalecimento da vida acadêmica e cultural da instituição, Péricles Gonçalves iniciou sua vocação ainda na adolescência, aos 16 anos, quando passou a preparar estudantes para os exames de ingresso ao ensino superior, experiência que deu início a uma carreira pautada pelo compromisso com a educação.
Também nesta fase da vida, como estudante secundarista, integrou movimentos estudantis que buscavam a fundação de uma Universidade na cidade do Rio Grande, contribuindo diretamente para a criação das cinco faculdades que deram origem à FURG.
Péricles ingressou na FURG em 1975, junto ao então Departamento de Ciências Jurídicas. Ao longo da carreira docente, tornou-se referência nas áreas de Direito Constitucional, Teoria Geral do Estado, Ciência Política e Direito Internacional Público, contribuindo para a formação de inúmeras gerações de profissionais. Além da atuação em sala de aula, desempenhou papel decisivo na consolidação institucional da Universidade, exercendo funções como diretor do campus Avançado de Cáceres, chefe do Departamento de Ciências Jurídicas, diretor da Faculdade de Direito (Fadir) e pró-reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis, participando de diferentes momentos da expansão e do desenvolvimento da instituição.
Sua contribuição também se destaca pela promoção da cultura e da produção do conhecimento. Foi fundador e primeiro presidente da Editora da FURG, idealizador da primeira Feira do Livro da Universidade e responsável pela criação do Coral e do Grupo de Teatro da instituição, iniciativas que ampliaram a integração entre ensino, cultura e comunidade universitária.
Mesmo após a aposentadoria, mantém atuação ativa na Universidade como presidente do Núcleo de Memória Eng. Francisco Martins Bastos (Nume), dedicando-se à preservação da história institucional e à valorização do patrimônio acadêmico. Também exerce a presidência da Academia Rio-Grandina de Letras, fortalecendo a difusão da literatura e da cultura na região.
Ao longo da carreira, recebeu diversas distinções em reconhecimento à sua contribuição para a educação, a cultura e o Direito, entre elas a Ordem do Mérito Naval, o título de Amigo do Exército, a Comenda Francisco Lobo Noronha, concedida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Rio Grande, e o Mérito Educacional da Câmara Municipal do Rio Grande.