A professora drª. Angélica Miranda, do curso de Biblioteconomia do Instituto de Ciências Humanas e da Informação (ICHI) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), defendeu seu memorial acadêmico para promoção à professora titular na sexta-feira, 18, tornando-se a primeira docente da área a receber o título na instituição, em 51 anos do curso. A defesa do memorial acadêmico "A Infância, a família e o ensino público: sonhos que viraram realidade" ocorreu no auditório do Instituto de Matemática, Estatística e Física (Imef/FURG), no Campus Rio Grande, Unidade Carreiros, às 17h.
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O memorial foi aprovado com louvor pela banca examinadora, composta pelos professores titulares Elaine Correa Pereira (Imef/FURG, presidente), Eliana Maria dos Santos Bahia, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, membro), Célia Regina Simoneti Barbalho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam, membro) e Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio, membro).
Em sua avaliação, a professora Célia Regina Simoneti Barbalho destaca a pontuação atingida, três vezes acima do mínimo exigido. "Apresenta um desempenho acadêmico superavitário e brilhante, que comprova uma trajetória profissional irretocável, caracterizada pela liderança científica em Ciência Aberta, excelência no ensino e na orientação na graduação e pós-graduação, inovação pedagógica e relevante dedicação à gestão universitária. Tal resultado demonstra não apenas o atendimento aos requisitos formais, mas também a regularidade, a amplitude e a relevância da atuação acadêmica da docente, distribuída entre ensino de graduação e pós-graduação, orientação, pesquisa, inovação, extensão, gestão universitária e participação institucional", afirma. Para a professora, o memorial apresentado reforça "a dedicação transformadora ao ensino e à formação humana, a liderança científica e o impacto em Ciência Aberta e Repositórios e a gestão universitária exemplar e representação de classe. Permite reconhecer uma trajetória profissional consolidada, marcada pelo compromisso com a educação pública, pela atuação qualificada na formação de pessoas, pela produção científica relevante e pela contribuição institucional à FURG e à área da Ciência da Informação".
Entre os aspectos de destaque, a professora Eliana Maria dos Santos Bahia pontuou a simplicidade e a relação com a formação dos alunos. "Gostei da simplicidade dela em começar a sua narrativa de vida pelos ancestrais, pelas brincadeiras das turmas da rua, desde a infância, a sua família, sempre procurando cada vez mais o conhecimento. Mostra a trajetória de uma mulher valente, que não se intimida pelo não que recebe e vai à frente, sempre com foco positivo, muito carinhoso com qualquer pessoa, sempre ajudando e isso realmente é muito especial. Ela transmite essa delicadeza para seus alunos. Já tive vários alunos dela, pessoas preparadas, com uma bagagem muito boa. Angélica sabe fazer a diferença na vida das pessoas, preparar bem os alunos e isso é muito importante e contagiante", afirma.
O professor Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda destaca o desenvolvimento de projetos de iniciação científica, desenvolvimento tecnológico, extensão e ensino; a atuação na formação e desenvolvimento de pessoas; e a vasta produção científica acerca da circulação do conhecimento científico, acesso à informação, ciência aberta e repositórios institucionais. "Angélica Miranda transitou da escassez à abundância da informação, passando pela não-informação, desinformação e fake News. Da Comunicação à Comunicação Científica, da ciência em movimento ao movimento da Ciência Aberta, da educação bancária à educação libertadora, das estantes aos repositórios digitais. Do conhecimento aos dados científicos e dos dados científicos ao conhecimento. Seu memorial revela que foi forjada na sabedoria ancestral, na poesia, na leitura e nos livros. Brindou-nos com um saboroso gosto pela Biblioteconomia e na crença do potencial dos seres humanos. Seu saber provoca um atravessamento nos seres humanos que a cercam em casa, na profissão, na academia e na vida. Sua narrativa para titularidade demonstra uma mulher forte, inteligente, afetuosa, amiga e íntegra que desafia os desafios", reforça.
A professora Elaine Correa Pereira reforça que a comissão examinadora constatou uma trajetória excepcional, coerente e de profundo compromisso com o ensino público. "A candidata parte da sua origem no bairro Buchholz, filha de Shirley, mulher negra e benzedeira que ensinou que estudar é a maior riqueza, e de Aldivo, pai operário, para construir uma carreira que é o reflexo da evolução da Ciência da Informação no Brasil. O mérito central e incontestável está na construção de duas obras patrimoniais para a FURG, mantidas por 20 anos: o Portal de Periódicos (2004-2007) e o Repositório Institucional (2009-2010), que hoje evoluem para o Observatório dos Repositórios Brasileiros", enfatiza. A produção focada em Acesso Aberto, Ciência Aberta e dados de pesquisa é outro ponto de destaque, além da criação do curso de Biblioteconomia EaD em cinco polos. "É o memorial de uma menina da luz de lampião que se tornou referência nacional em Ciência Aberta, sem nunca romper com suas raízes. Cumpre com distinção os requisitos de ensino, pesquisa, extensão, gestão e formação", pontua.
Trajetória
A professora Angélica Miranda enfatiza a importância do ensino público em sua trajetória. "O ensino público e gratuito, na minha caminhada, é o mais importante. Sem uma universidade pública perto de mim, certamente eu não teria as oportunidades de formação que tive. Compreendo minha formação como resultado de um movimento contínuo entre ensinar, aprender, pesquisar, dialogar com a sociedade e vivenciar a cultura. Esses caminhos não foram percorridos de forma independente: encontraram-se e deram sentido à minha existência", destaca.
Sobre a experiência docente, ressalta a relação entre ensino, pesquisa e aprendizagem constantes. "Não creio que o docente ensina, mas que ensinar e aprender são indissociáveis e ao colocar em prática os temas relacionados à Biblioteconomia, à Ciência da Informação, à Ciência Aberta, às tecnologias da informação e aos repositórios digitais e aos dados de pesquisa, percebi que a sala de aula permitiu-me um espaço de pesquisa, reflexão e transformação. A pesquisa fez de mim uma estudante ativa, concentrada e inquieta.
A professora Angélica graduou-se em Biblioteconomia em 1993, pela FURG, onde atua como professora desde 1997. Concluiu o mestrado em Engenharia de Produção, em 2003, e o doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento, em 2010, ambos pela Universidade Federal de Santa Catarina. Em 2016, realizou pós-doutorado em Educação em Ciências: química da vida e da Saúde, pela FURG.
Foi responsável pela criação do Portal de Periódicos eletrônicos da FURG, em 2007, e implementou o Repositório Institucional da universidade, em 2010. Atualmente, é coordenadora da Rede Sul de Repositórios Digitais. Atua no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGInfo), na FURG. Foi professora permanente no Programa de Pós-Graduação em Administração, entre 2014 e 2024. É líder e pesquisadora do Grupo de Pesquisa Ciência, Informação e Tecnologia e Gestão (Citeg/FURG).
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