A literatura como espaço de criação, reflexão e trânsito é o ponto de partida de Escrituras errantes: diálogos de poética, obra póstuma de Aimée Tereza González Bolaños, lançada na última segunda-feira, 31, durante a 51ª Feira do Livro da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). A publicação teve lançamento durante o Sarau Aimée Bolaños e integra o catálogo da Editora da FURG.
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Com 202 páginas, o e-book reúne ensaios, estudos críticos e diálogos que percorrem diferentes autores, obras, línguas, culturas e formas de escritura. A poética, compreendida tanto como arte da composição quanto como uma forma de pensar o próprio fazer literário, constitui o eixo que articula os textos.
O lançamento marcou também um momento de reconhecimento da permanência de sua produção intelectual e literária. A edição permite que textos deixados pela autora continuem circulando, sendo lidos e produzindo novos diálogos - agora também entre aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer sua obra e as novas gerações de leitores que poderão descobri-la por meio desta publicação.
A edição foi organizada por Cátia Goulart, a partir dos originais deixados por Aimée Bolaños. A coordenação editorial é de Fabiane Pianowski, com assistência editorial de José Carlos Rodrigues Torres. A capa foi criada por Gabriel Cabral, estudante do curso de Artes Visuais - Bacharelado e bolsista da Editora da FURG. A formatação e diagramação são de Gilmar Torchelsen. A revisão em língua portuguesa foi realizada por João Reguffe e, em língua espanhola, por María Mure.
A obra foi selecionada por meio do Edital nº 10, de 22 de novembro de 2024, da Editora da FURG, destinado à publicação de livros eletrônicos (e-books), e está disponível gratuitamente em formato digital no Repositório da FURG, com acesso AQUI.
Sobre a obra
A noção de errância atravessa a obra em seus sentidos literal e simbólico. O movimento aparece nos deslocamentos entre línguas e culturas, memória e esquecimento, identidade e alteridade, vida e morte, experiência e ficção. Nesse percurso, a leitura se transforma em uma experiência de diálogo com autores, textos e processos criativos, fazendo da própria crítica uma forma de escritura.
Entre as reflexões presentes no livro, estão as leituras de Solombra, de Cecília Meireles, a partir da hermenêutica de Paul Ricoeur, além das especulações de Jorge Luis Borges sobre o autor, o livro, o espelho e o enigma. A obra também se dedica à produção de escritoras e escritores que fazem da própria literatura um espaço de investigação sobre a linguagem, a memória, a existência e o ato de criar.
Nesse contexto, ganha especial relevância a autopoética, entendida como um lugar privilegiado de reflexão sobre a figura autoral, o projeto criativo e as relações entre vida, obra e literatura. A perspectiva atravessa uma produção que aproxima crítica literária, teoria e criação, campos que estiveram presentes na trajetória intelectual de Aimée Bolaños.
A publicação póstuma nasce, assim, de uma trajetória construída entre docência, pesquisa, crítica e criação literária. Em vez de propor interpretações fechadas e definitivas, Escrituras errantes convida o leitor a acompanhar os movimentos, as metamorfoses e as possibilidades de sentido que emergem dos textos.
O livro constitui uma verdadeira cartografia de encontros: entre autores e leitores, teoria e criação, português e espanhol, memória e imaginação. Nessa perspectiva, escrever, ler e pensar aparecem como diferentes maneiras de habitar a poesia.