CULTURA ANTIRRACISTA

FURG participa do 14º Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as)

Protagonismo da universidade marcou debates sobre ações afirmativas, educação antirracista e equidade racial

A Universidade Federal do Rio Grande (FURG) esteve representada no 14º Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), realizado entre os dias 28 e 31 de julho de 2026, na Universidade de Brasília (UnB), Distrito Federal. Com o tema "Consciência Negra: contribuição do pensamento afrodiaspórico para a democracia brasileira", o congresso reuniu mais de 7 mil pesquisadores e pesquisadoras negros(as) de todas as regiões do país, consolidando-se como o maior evento científico brasileiro voltado à produção de conhecimento sobre relações étnico-raciais, pensamento afrodiaspórico e políticas de equidade.

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Representaram a FURG no evento a Técnica em Assuntos Educacionais Elina Oliveira, o doutorando do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) Matheus Souza e a professora da Escola de Enfermagem (EEnf) Simone Quadros Alvarez. Os três integram o Grupo de Pesquisa Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer/FURG), liderado pela professora Cassiane Paixão, desenvolvendo pesquisas e ações voltadas ao fortalecimento da educação para as relações étnico-raciais, das ações afirmativas e da equidade racial na Universidade e nos serviços públicos.


Ações afirmativas e fortalecimento das políticas de equidade

Servidora da Secretaria de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidades (Secaid), doutoranda em Educação Ambiental e também integrante do Grupo de Estudos Feministas Lélia Gonzalez, Elina Oliveira apresentou trabalhos em sessões temáticas que abordaram sua experiência como formadora e integrante das bancas de heteroidentificação da FURG, além das ações desenvolvidas pelo grupo de trabalho responsável pela implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNeerq) no extremo sul do Rio Grande do Sul.

Durante o congresso, também participou do minicurso "A raça que os olhos veem: comissões de heteroidentificação enquanto experimentos sociológicos", ministrado pelos professores Rodrigo Ednilson de Jesus (UFMG) e Tiago Heliodoro Nascimento (USP), referências nacionais na temática da heteroidentificação. Segundo Elina, a atividade contribuiu significativamente para o aperfeiçoamento dos procedimentos adotados pela FURG.

A programação ainda contou com palestras, oficinas e minicursos voltados aos feminismos negros, ações afirmativas, colonialidade e educação antirracista, além da participação de importantes intelectuais, como Nilma Lino Gomes, Carla Akotirene, Miguel de Barros e Kabengele Munanga.


Educação antirracista na saúde e fortalecimento da enfermagem

Representando o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-FURG/HU Brasil), o doutorando do PPGEnf e coordenador da Comissão de Ações Afirmativas, Inclusão, Diversidade e Equidade (Caaide) do hospital, Matheus Souza, coordenou, em parceria com a Câmara Técnica de Enfrentamento ao Racismo do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), a oficina "Como ser um Educador Antirracista na Saúde". A proposta discutiu o papel da educação antirracista na formação e na atuação dos profissionais de saúde, especialmente da enfermagem, utilizando as contribuições do pensamento afrodiaspórico para problematizar o racismo estrutural e institucional presente nas práticas de cuidado, ensino e gestão.

A oficina apresentou estratégias pedagógicas, éticas e políticas voltadas à construção de práticas educativas comprometidas com a equidade racial, valorizando saberes, experiências e epistemologias negras, além de aproximar teoria e prática a partir do cotidiano dos serviços de saúde.


Branquitude e democracia em debate

Outra contribuição da FURG ao congresso foi a proposição da Sessão Temática "O silêncio do privilégio: branquitude, consciência negra e racismo estrutural", organizada por Matheus Souza em parceria com a professora Simone Quadros Alvarez, representante da Aprofurg, coordenadora do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as questões Étnico-Racias, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), membro do Coletivo Negras e Negros do Andes/SN e educadora antirracista da EEnf.

A sessão reuniu 18 trabalhos submetidos, dos quais 13 foram aprovados, promovendo dois turnos de debates sobre os estudos críticos da branquitude, o racismo estrutural e a construção de práticas antirracistas na sociedade brasileira. Fundamentada nas contribuições dos estudos críticos da branquitude e das epistemologias negras, a sessão discutiu como os privilégios raciais se estruturam e se reproduzem nas instituições, nas políticas públicas e nos espaços acadêmicos, deslocando o foco analítico para a responsabilização das estruturas que sustentam as desigualdades raciais.

O objetivo das reflexões foi reforçar a importância da consciência racial como elemento indispensável para o enfrentamento do mito da democracia racial e para a consolidação de uma democracia efetivamente comprometida com a justiça social e racial.


Compromisso institucional com a equidade

As atividades desenvolvidas durante o Copene refletem ações articuladas entre a Secaid/FURG, por meio da Comissão de Assuntos Afro-Brasileiros, e a Caaide do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa, extensão e gestão institucional na construção de políticas antirracistas.

A presença da FURG em um dos mais importantes eventos científicos do país sobre relações étnico-raciais reafirma o papel da Universidade como espaço de produção de conhecimento, diálogo com os movimentos sociais e defesa de uma educação pública comprometida com a democracia, a diversidade e a transformação social e evidencia o compromisso permanente da instituição com a promoção da equidade racial, da inclusão e dos direitos humanos.

*Este material foi produzido de acordo com as normas disciplinadas pela Portaria Secom/MCom nº 5.973, de 28 de junho de 2022, assim como também considera e respeita os demais materiais publicados até o momento acerca do regramento para a comunicação pública dos órgãos federais durante o período de defeso eleitoral, compreendido de 4 de julho a 25 de outubro de 2026, podendo ser prorrogado em caso de segundo turno.

 

 

Galeria

Atividades desenvolvidas refletem ações articuladas entre a Secaid e Caaide do HU

Acervo PPGEnf