RECONHECIMENTO

"Braço é Braço" passa para etapa nacional em premiação voltada ao patrimônio cultural

Egressa de Arquivologia da FURG, a proponente Carla Lopes é a única pessoa física entre os gaúchos classificados no Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Foto: Acervo do projeto

O projeto Clube Cultural Braço é Braço: Memória, resistência e valorização de um patrimônio cultural negro foi aprovado em primeiro lugar na etapa estadual do 39º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, junto a outros sete projetos gaúchos, e agora está classificado para seguir concorrendo na etapa nacional do concurso. O projeto rio-grandino é o único do Rio Grande do Sul proposto por pessoa física, a egressa do curso de Bacharelado em Arquivologia, do Instituto de Ciências Humanas e da Informação da Universidade Federal do Rio Grande (ICHI/FURG), Carla Lopes.

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O prêmio tem como objetivo o fomento e o reconhecimento às ações de preservação e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro e destaca a originalidade, relevância e caráter exemplar e inovador entre as propostas inscritas. Todos os oito projetos gaúchos que concorrem para figurar entre os finalistas nacionais do prêmio conquistaram a nota máxima (50 pontos) na etapa estadual.

Quando recebeu os emails da organização do prêmio, referentes à avaliação, principalmente o último sobre a classificação para a etapa nacional, Carla demorou para acreditar. "Não tinha ideia, na minha cabeça, de que era o meu projeto entre tantos outros do Brasil todo. É muito gratificante para mim. Estou emocionada com isso, porque sou uma mulher negra, da periferia, entrei para a FURG aos 59 anos, me formei em Arquivologia e gosto muito de lidar com patrimônio, documentos... Não tenho palavras para descrever".

A pesquisadora conta que o projeto surgiu como uma proposta de resgate das memórias do local e que o inscreveu ao prêmio nacional para divulgar o clube, declarado patrimônio histórico e cultural municipal há 19 anos. Carla relembra que sua irmã debutou e casou no clube e que ela mesma frequentava as reuniões dançantes promovidas no local. "Acredito que a memória tem que estar presente, porque nós somos arquivos vivos, digo como arquivista. Queria que as gerações atuais conhecessem o poder de um dos clubes que foi importante depois da abolição e muito marcante para a comunidade negra".

Quanto à expectativa para as próximas etapas, a pesquisadora deixa clara a vontade de estar entre os finalistas e o exemplo que deixa ao ser aprovada para a etapa nacional. "Quero ficar entre os finalistas, mas chegar até aqui já foi um grande passo, maravilhoso, que vai ficar marcado para sempre, de que sou capaz e posso, porque, além de tudo, sou uma mulher desempregada. Essa conquista, em um certame nacional, valida a importância de pautar a epistemologia negra e a memória social no campo das Ciências da Informação e da Arquivologia. Esse reconhecimento pertence também às gerações que vieram antes e às que estão por vir", destaca a pesquisadora.

A relação definitiva das ações classificadas para a etapa nacional do concurso foi divulgada na última terça-feira, 21. A relação preliminar das ações finalistas será divulgada até 11 de agosto e a relação definitiva, até 25 do mesmo mês. A relação preliminar das ações vencedoras será divulgada até 29 de setembro. Até 16 de outubro será divulgado o resultado final, com as ações vencedoras. O Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, de abrangência nacional, é promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1987. Saiba mais sobre o prêmio AQUI.


Resgate histórico

O Clube Cultural Braço é Braço foi fundado em 1920 e teve suas funções encerradas em meados dos anos 2000. Voltado a agregar famílias para o desenvolvimento sociocultural, tornou-se um espaço de resistência, luta e articulação da sociedade negra de Rio Grande. O projeto recupera essa história e a contribuição do clube na construção social no município, especialmente na formação da cultura negra.

O projeto é resultado da formação acadêmica proporcionada pela FURG e da vivência comunitária da egressa, com ações que destacam o papel das redes de apoio, da ancestralidade e da práxis arquivística, na construção de acervos que contam a história a partir das perspectivas das populações negras. Nas ações desenvolvidas, a pesquisadora aplicou instrumentos metodológicos de organização, diagnóstico e preservação documental para dar visibilidade a acervos e histórias de resistência.

A atuação de Carla como pesquisadora inclui a participação em projetos de relevância sociocultural, que também promovem o resgate histórico da população negra no município, como o Caminhos Negros: Redescobrindo Rio Grande. Carla também contribuiu com os projetos Graça: Porque a Vida é Luta e Maria da Graça da Silva Amaral – Das raízes quilombolas ao centro da cidade do Rio Grande, que destacam a trajetória da técnica-administrativa em educação aposentada da FURG.

Desde 2022, a pesquisadora integra o Instituto Afro-Cultural Educacional Mães Negras, no qual colabora no projeto Biblioteca Itinerante, levando leitura, identidade e pertencimento a crianças e jovens da periferia. No mesmo período, passou a atuar na União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro), contribuindo para ações de defesa dos direitos da população negra e fortalecimento das lutas sociais.

Carla concluiu a graduação em Arquivologia em 2023, no tempo regular do curso, de quatro anos. Além de egressa da FURG, ela também participa do grupo Bangalô Café Cultural, incubado pelo Núcleo de Desenvolvimento Social e Econômico (Nudese/FURG), onde desenvolve atividades de Economia Popular e Solidária, incluindo formação, produção e comercialização de alimentos artesanais.

*Este material foi produzido de acordo com as normas disciplinadas pela Portaria Secom/MCom nº 5.973, de 28 de junho de 2022, assim como também considera e respeita os demais materiais publicados até o momento acerca do regramento para a comunicação pública dos órgãos federais durante o período de defeso eleitoral, compreendido de 4 de julho a 25 de outubro de 2026, podendo ser prorrogado em caso de segundo turno.

 

 

 

Galeria

A proponente e egressa da FURG Carla Lopes em frente ao Clube Cultural Braço é Braço

Acervo pessoal