O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realiza na próxima quinta-feira, 11, encontro com pesquisadoras e pesquisadores contemplados na Chamada CNPq/MIR nº 03/2024 – Ciência e Tecnologia para o Fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial. A Universidade Federal do Rio Grande (FURG) participa do encontro por meio do projeto "Diagnóstico do racismo ambiental junto a comunidades quilombolas de São Lourenço do Sul, Rio Grande do Sul: entre memórias e conceptualizações da tragédia das enchentes de 2024", com a presença da coordenadora Aline Nardes dos Santos, do curso de Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa do Campus São Lourenço do Sul (FURG-SLS).
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A coordenadora do projeto destaca: "Trata-se de um patrimônio imaterial que nunca foi mapeado antes no município de São Lourenço do Sul, conhecido unicamente como território de alemães e pomeranos. Nosso projeto reforça que São Lourenço também é negro, é quilombola, e precisa pensar políticas públicas específicas para esses grupos, cujas vivências são particulares e demandam um olhar para a complexidade da sua história".
A professora Aline reforça que o projeto dá visibilidade às experiências negro-quilombolas. "Tanto no contexto de emergência climática, quanto em relação aos saberes sobre o meio ambiente que constituem a história dessas comunidades", completa.
O encontro presencial será na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), em Brasília/DF, das 8h às 17h. A reunião prevê a apresentação e acompanhamento dos resultados das pesquisas e marca um passo importante na consolidação de uma agenda científica compromeda com o enfrentamento ao racismo e a promoção da igualdade racial no Brasil, valorizando a produção de conhecimento feita por pesquisadoras e pesquisadores negros, quilombolas e de comunidades tradicionais.
Sobre o projeto
O projeto foi aprovado em 6 de dezembro de 2024. As ações iniciaram em janeiro de 2025 e terminam em janeiro de 2026. A pesquisa focou na análise das narrativas quilombolas em São Lourenço do Sul/RS e buscou identificar como as comunidades quilombolas conceptualizam o racismo ambiental, revelando estruturas cognitivas que organizam e dão sentido às suas vivências. Também buscou identificar os efeitos imediatos e duradouros das experiências relacionadas às inundações e a outras situações discriminatórias que emergiram ao longo da tragédia.
O projeto reúne ações de diagnóstico das injustiças ambientais e também o registro, análise e valorização dos Saberes Afroecológicos, conhecimentos tradicionais ligados ao cultivo, ao manejo sustentável do território, ao uso de plantas medicinais, à espiritualidade ancestral e a modos de vida que preservam o equilíbrio ambiental.
Em junho, o projeto foi apresentado em reunião virtual com a equipe de avaliação do Ministério da Igualdade Racial (MIR). Em novembro, ocorreu a entrega oficial dos resultados da pesquisa ao prefeito de São Lourenço do Sul Zelmute Marten. A entrega contribui para o fortalecimento das ações de enfrentamento às desigualdades ambientais e para a construção de políticas públicas mais inclusivas às comunidades quilombolas de São Lourenço do Sul.
São bolsistas de apoio técnico: Ariely Romani (bolsa AT-NM ICB/FURG, Nível Médio - graduanda em Agroecologia); Carina Santana Ferreira (bolsa AT-NS FURG, Nível Superior - mestra em antropologia pela UFPel, Quilombo Coxilha Negra); Matheus Schneider (bolsista de Iniciação Científica, ILA/FURG). O projeto também conta com bolsistas voluntárias: Charlene Santana Ferreira (mestra em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais UFPel; Quilombo Coxilha Negra), Priscila Ferreira (ICB/FURG; Quilombo do Torrão), Maria Fernanda Pires (graduanda em Letras – ILA/FURG) e Ana Teresa Santana (ICB/FURG; Quilombo Coxilha Negra – São Lourenço do Sul).