TRADIÇÃO

Nehisp realiza celebração do Día de Muertos

Evento teve como foco a imersão nas tradições da América Latina e a difusão da cultura hispânica

O Núcleo de Estudos Hispânicos (Nehisp), do Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande (ILA/FURG), realizou, na tarde da última terça-feira, 3, a comemoração do Día de Muertos. Organizado pelas professoras Luciene Brisolara e Daniele Piletti, o evento, no átrio do ILA, teve como foco a imersão nas tradições da América Latina e a difusão da cultura hispânica.

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A programação contou com experiências gastronômicas latino-americanas, apresentações musicais em língua espanhola e o tradicional concurso de caracterização de Catrinas, icônicos esqueletos trajados com elegância que satirizam a vaidade humana e simbolizam a visão festiva e sem medo com que a cultura mexicana encara a morte. Além disso, os participantes puderam apreciar a elaboração das calaveritas literarias, poemas satíricos e bem-humorados típicos da data, atividade organizada pela professora Lucilene Ribeiro.

A iniciativa integra o conjunto de ações didáticas desenvolvidas para o curso de Licenciatura em Letras Português-Espanhol, visando integrar a práxis pedagógica aos saberes teóricos constitutivos da formação acadêmica dos estudantes.


Significado do Día de Muertos no México

As organizadoras do evento destacam que, ao contrário do tom lúgubre de outras culturas no Dia dos Finados, o Día de Muertos mexicano, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, é uma celebração festiva da memória e da vida. Segundo a tradição de origem pré-hispânica, enriquecida por elementos católicos após a colonização, durante os dias 1 e 2 de novembro os mortos recebem permissão para visitar seus entes queridos no mundo dos vivos. As organizadoras enfatizam que se trata de um momento de reencontro alegre, onde as saudades dão lugar à música, à boa comida e às lembranças afetuosas.


Simbologia do altar de muertos

Segundo as organizadoras, o altar, conhecido no México como ofrenda, funciona como um portal entre o mundo dos vivos e dos mortos, estruturado em degraus que simbolizam a passagem entre os diferentes níveis da existência. No topo, colocam-se as fotografias dos falecidos para indicar a quem a homenagem é dedicada. Todo o espaço é decorado com o papel picado, cujos recortes delicados balançam com o vento para representar o elemento ar e a própria fragilidade da vida.

Para guiar os espíritos em seu retorno ao lar, utilizam-se a luz das velas, que simboliza a fé e a esperança, e o perfume das marcantes flores de cempasúchil. Com suas pétalas de cor alaranjada viva, essas flores traçam o caminho visual e aromático que orienta as almas durante a travessia.
A acolhida aos visitantes do além envolve também elementos de purificação e conforto. Um copo d'água é oferecido para saciar a sede da longa viagem, acompanhado do sal, elemento fundamental para purificar a alma e evitar sua corrupção na jornada. Além disso, no altar há comidas e bebidas favoritas que o falecido apreciava em vida.

Completa essa tradição, de acordo com as organizadoras, o tradicional Pan de Muerto, um pão doce decorado com formas de massa que remetem a ossos e ao crânio humano dispostos em cruz, alude aos quatro pontos cardeais. No altar também há caveiras de açúcar, chamadas de calaveritas, que lembram a presença constante da morte, mostrando que ela faz parte do ciclo natural e pode ser encarada com doçura e leveza.

 

 

Galeria

Evento foi realizado na última terça-feira, 3