TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Japonesa JB Energy assina protocolo de intenções com Oceantec e município do Rio Grande nesta quinta, 15

Primeira subsidiária da empresa no Brasil será residente no Parque Tecnológico da FURG

Foto: Hiago Reisdoerfer/Secom

Nesta última quinta-feira, 15, no Parque Científico e Tecnológico da FURG (Oceantec), o CEO da japonesa JB Energy, Rodolfo Gonçalves, assinou um protocolo de intenções com a FURG e com a Prefeitura do Rio Grande. Os termos são referentes à instalação da primeira subsidiária da empresa no Brasil, cuja sede ficará dentro do Oceantec; e, também, ao início do projeto-piloto Aura Sul Wind, para a construção de uma plataforma eólica offshore na costa da cidade – o primeiro da América Latina.

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Durante o evento, estiveram presentes diversas autoridades, entre elas, o secretário da embaixada do Japão no Brasil, Tomoki Mitsuya; a prefeita, Darlene Pereira; o diretor da Portos RS, Henrique Ilha; a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação, Silvia Botelho; o diretor do Oceantec, Samuel Bonato; o representante dos pesquisadores envolvidos no projeto, Osmar Möller; e o CEO da JB Energy, Rodolfo Gonçalves.

De acordo com o CEO, a escolha da cidade para sediar tanto a primeira subsidiária da empresa no país quanto o primeiro projeto-piloto na América Latina, se dá em razão do grande potencial dos ventos no litoral. A iniciativa, que agora inicia os seus primeiros passos estruturantes, tem como objetivo a geração de energia renovável, agregando valor para a região, e, ao mesmo tempo, promover oportunidades para gerar conhecimento acadêmico que, por sua vez, será aplicado para suprir demandas reais do processo de geração de energia limpa.

“Nossos objetivos aqui são três: desenvolvimento regional, para fortalecer a economia local, estimular oportunidades, atrair investimento e consolidar Rio Grande e região como referência em energia e inovação internacionalmente; sustentabilidade, para contribuir para uma transição energética com uma solução alinhada com as demandas ambientais do nosso tempo; e, por fim, parceria e aprendizado contínuo, pois queremos integrar instituições, empresas, universidades e autoridades para fazer desse projeto um espaço permanente de cooperação e troca”, destacou Rodolfo.

Sobre o projeto

Desenvolvido em concreto protendido, o principal componente tecnológico do projeto é a plataforma flutuante Raijin Float. Essa alternativa de construção, que consiste em um tipo de concreto reforçado com cabos de aço tensionados, aumenta a resistência, permitindo a elaboração de estruturas mais duráveis, leves e capazes de suportar grandes cargas e esforços.

Segundo a empresa, essa escolha foi adotada de forma estratégica, pois viabiliza a mobilização da cadeia produtiva do Estado e contribui para a retomada de competências da indústria naval local. Além da FURG, o projeto conta com outros parceiros estratégicos como a Portos RS, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sindienergia-RS, entre outras instituições.

A instalação da estrutura está prevista para ocorrer a aproximadamente 60 km da costa de Rio Grande, em uma área com 45 metros de profundidade. A escolha do local considerou o equilíbrio entre alto potencial eólico e a redução de impactos ambientais e operacionais, e está sendo acompanhada por uma série de pesquisadores, dos quais o professor da FURG, Osmar Möller, é representante.

“Este é um dos projetos mais importantes que tive a oportunidade de participar. Além de poder contribuir com o desenvolvimento econômico da região, o Aura Sul Wind também vai ampliar horizontes nos cursos de graduação e pós-graduação das universidades envolvidas”, destacou Osmar, cuja carreira na pesquisa oceanográfica se estende por mais de 50 anos.

Qualificação da formação, oportunidades de emprego e desenvolvimento da região

Para o diretor do parque, outro fator importante que o projeto agrega para a região, e mais especificamente para a FURG, dada a instalação da subsidiária no Oceantec, é o seu papel na melhoria contínua da formação de recursos humanos. “Quando a gente percebe a potência no caráter formativo agregado à presença das empresas residentes no Oceantec, começamos também a notar o potencial que existe no desenvolvimento de recursos humanos, de conhecimento e de tecnologia, a partir de projetos como esse”, comentou Samuel.

Para representar a sua fala, o diretor entregou como presente simbólico um protótipo em escala da torre eólica, desenvolvido por uma bolsista do parque, no laboratório de prototipagem.

“Acreditamos que, aliado ao potencial formativo, esse projeto também vai estimular empregos e capacitação. Com as ações em andamento, teremos a capacidade de aproximar a academia e o mercado, conectando pesquisa aplicada em demandas reais. Assim, pretendemos reforçar a posição estratégica do município como uma cidade que sabe olhar para o mar, não apenas como paisagem, mas como futuro, sem deixar de pensar na sustentabilidade”, respondeu Rodolfo.

A prefeita, em sua fala, também comentou sobre o tema, destacando a importância de enxergar o potencial de Rio Grande alinhado com a sua capacidade de desenvolvimento. “Eu tenho muito orgulho de hoje poder assinar este termo, validando e ampliando o compromisso do município com a sustentabilidade e com o desenvolvimento da nossa região. Nós precisamos estar unidos e construir coletivamente para atingir o objetivo final de beneficiar a nossa sociedade. 

Brasil e Japão

O projeto possui outra particularidade: aproxima ainda mais as relações frutíferas entre o Brasil e o Japão, conforme ressaltou o secretário da embaixada do Japão no Brasil durante a sua fala no evento. “Nossos países desenvolvem uma série de ações em conjunto, e o Aura Sul Wind, em especial, congrega esforços conjuntos para o setor de energias renováveis.  Adicionalmente, o fato de o CEO de uma empresa japonesa ser brasileiro reforça o caráter simbólico dessa iniciativa como um exemplo concreto da cooperação bilateral”, comentou.

Ainda durante a sua fala, Mitsuya comentou sobre a confiança do Japão no sucesso do projeto, ao envolver o conhecimento de importantes stakeholders japoneses e brasileiros, unindo experiências e capacidade instalada, além de uma colaboração sólida entre os setores públicos e privados. “Expresso meus votos para que o projeto possa ser um exemplo para o desenvolvimento sustentável do Japão e do Brasil, bem como para que o seu progresso contribua para a comunidade do Rio Grande, gerando benefícios duradouros para futuras gerações”, completou.

Impacto para a cidade e para a FURG

Representando a reitora Suzane Gonçalves, a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação frisou a alegria da Universidade em poder não só abrigar a subsidiária da JB Energy no país, mas também por ser o espaço de lançamento oficial do projeto-piloto. “Hoje marca o momento em que a região dá um passo histórico para o início da transição energética, seguindo os passos da atualidade, em que o mundo migra dos combustíveis fósseis para as novas fontes de energia limpa.

“Realmente, é muito importante vermos Rio Grande posicionado como um ator central nessa transição energética. Portanto, colocamos a FURG à disposição para contribuir com a superação dos desafios impostos nesse processo”, declarou Silvia.

Energia Limpa e sustentabilidade

Com base na convicção de que é possível e necessário conciliar crescimento com cuidado ambiental, nasce o projeto Aura Sul Wind, pautado na seriedade, diálogo, atenção aos impactos, transparência e respeito às instituições e comunidades que esse processo envolve. “Quando falamos em energia limpa, falamos em deixar um legado de inovação responsável, de compromisso com as próximas gerações, e de uma economia que prospera sem comprometer aquilo que é essencial”, destacou Rodolfo durante a sua apresentação.

Para o CEO, a empresa acredita que será possível reativar diversos pilares associados à inovação e ao investimento na região, derivados não apenas do potencial do projeto, mas também pela forma com que os diversos atores envolvidos abraçaram a ideia, colocando seus recursos humanos e infraestruturas à disposição. “Dito isso, quero registrar de forma muito clara a gratidão da JB Energy e de todos os envolvidos pela receptividade e pelo apoio institucional que tornou possível vivermos esse momento agora”, concluiu.

 

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Primeira subsidiária da empresa no Brasil será residente no Parque Tecnológico da FURG

Hiago Reisdoerfer/Secom