Inaugurada no dia 19 de outubro e em permanência no Saguão do Prédio das Artes - situado no campus Carreiros -, a exposição artística Recriar, da artista Fabiana Stone, recebeu um trabalho de audiodescrição e descrição em braile completo do seu acervo. A ação é fruto de uma parceria entre o Núcleo de Estudos e Ações Inclusivas (Neai) e o Instituto de Letras e Artes (ILA), por meio do curso de Artes Visuais, e tem como objetivo tornar acessível a arte para aqueles que não podem ver.
Prograd promove primeira edição do Comgrad em 2026
Instituto de Oceanografia oferta disciplinas online na temática socioambiental
Grupo de Pesquisa em Economia Azul da FURG recebe o Prêmio ANTAQ 2025
De acordo com o Marcelo Gobatto, professor do curso de Artes Visuais, o espaço foi preparado para atender pessoas cegas por meio da completa audiodescrição e descrição em braile do acervo artístico, a ação é pioneira neste formato. “Poder realizar este trabalho nos dá a expectativa de que, daqui em diante, possamos aprimorar cada vez mais nossas ações de inclusão em iniciativas artísticas e culturais”, explicou o professor.
Ainda segundo Gobatto, pensar a inclusão é uma preocupação constante na atualidade, o que ele enxerga como uma tendência social, e, considerando o papel formador da universidade, é por meio dela que a mudança precisa começar. “Entendendo a grande importância que as universidades têm no aspecto de relevância e fomento cultural, além de todo trabalho formador e educacional, é essencial que estejamos a frente desse processo, promovendo inclusão e acesso nas atividades propostas dentro da instituição”, comentou.
Para a diretora de Arte e Cultura da FURG, Débora Amaral, arte e cultura são direitos constitucionais, e ainda assim, o cenário social posto é de negação ou pouca compreensão deste direito. Pensando nisso, a FURG, por meio de seus espaços expositivos, trabalha na resistência da garantia de oferta deste direito, através do acesso e das tentativas de descentralização, apoiando ações nas mais diversas frentes para não apenas conscientizar, mas promover, de fato, acessibilidade.
“Para além disso, a FURG vem buscando garantir que a arte possa ser acessibilizada por todas as pessoas, por meio de movimentos de acessibilidade cultural. Nossas ações institucionais, construídas na teimosia e na esperança de quem acredita no poder transformador da arte, mostram que essas ações são necessárias e possíveis. Vivemos um cenário político que tem buscado fortalecer a política de acessibilidade cultural, como exemplo disso vemos na aplicação da Lei Paulo Gustavo a obrigatoriedade de 10% do recurso investido aplicado em acessibilidade cultural, seja no aspecto arquitetônico, atitudinal ou comunicacional”, complementou a gestora.
Sobre o processo de acessibilização
De acordo com a coordenadora do Neai, Cristiane Fernandes, a parceria entre o curso de Artes Visuais e o núcleo começou há algum tempo. A parceria gerou frutos por meio da realizando de ações de acessibilização de diversos materiais produzidos pelos estudos do curso, e agora, avança mais uma etapa com a proposta de acessibilização integral da exposição Recriar.
“Essa exposição é formada por esculturas, o que facilita o entendimento das obras por pessoas cegas; mas queríamos ampliar a acessibilidade para além do toque, inserindo descrições de detalhes que são percebidos apenas por meio da visão”, detalhou a professora.
Assim, a equipe do Neai realizou a audiodescrição das obras, disponível ao lado de cada peça por meio de um Qrcode. Além disso, também anexado ao lado de cada peça está a sua descrição completa em braile, impressa por meio da Sala de Recursos Multifuncional do núcleo.
Visita da Escola de Educação Especial José Alvares de Azevedo
No dia 22 de novembro, a universidade receberá a visita de algumas turmas de estudantes cegos da Escola de Educação Especial José Alvares de Azevedo, além de estudantes cegos da FURG, demonstrando a plena acessibilidade da ação e incentivando o consumo de cultura por todos e para todos. Segundo Cristiane, a ideia - e o grande sonho do Neai -, é fazer com que toda gama de conhecimento, ações e possibilidades que a instituição abarca em suas atividades estejam disponíveis para toda comunidade acadêmica, em suas peculiaridades e necessidades específicas.
“É muito importante que nada impeça essas pessoas de ter acesso, em sua completude e dentro das suas características, a tudo aquilo que é ofertado dentro da universidade”, apontou a coordenadora.
Sobre a exposição e a artista
A iniciativa faz parte do Projeto de Extensão e Cultura “Expoarte DAQUI”, coordenado pelo professor Gobatto. A ação reúne uma série de trabalhos de artistas que vivem e produzem em Rio Grande e nas cidades do seu entorno, e acontece na FURG desde julho de 2022. Segundo o professor, o objetivo é promover visibilidade para a produção local, considerando tanto a relevância para a formação dos estudantes quanto para a comunidade.
“Somos carentes de espaços de exposição e atividades artísticas; inclusive, por vezes os artistas são egressos da universidade, e, mesmo aqueles que não tiveram sua formação junto à FURG, também encontram dificuldades em conseguir espaço para apresentar seu trabalho”, contextualizou Gobatto.
Fabiana Stone é formada em artes visuais pela FURG, e, desde 2009, atua como professora da rede municipal. Além de premiações, a artista conta com obras expostas em vários estados do Brasil, além de passagens internacionais como Portugal, Alemanha e Estados Unidos. Atualmente, Fabiana é vice-diretora, curadora e professora da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos.
“Fabiana tem uma característica na sua produção: a vasta maioria de suas obras são feitas com material reciclado. Sua técnica predominante é o uso do papel machê”, completou Gobatto. Confira a seguir algumas fotos de peças que compõe a exposição.