"Eu tenho um plano, meu primeiro ato após a cirurgia será chegar na praia e tomar banho sem camisa. Estive lá há poucos dias e lembrei de quando era criança e tinha a liberdade de tomar banho sem camisa e é isso que eu vou fazer de novo, 56 anos depois”, contou o paciente Luis Mahin Reis Domingues, 63 anos, um pouco antes de sua cirurgia de mastectomia masculinizadora.
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Segundo a ginecologista e cirurgiã que realizou o procedimento, Kharen Carlotto, “Esta cirurgia reafirma os princípios do SUS, entre eles o acesso universal e sem discriminação. Além disso, existe a conexão com outras políticas públicas que impactam positivamente na qualidade de vida das pessoas trans e no exercício da cidadania, como o uso do nome social e as ações afirmativas”. Para a especialista: “Não se trata de uma conquista pessoal do Luis, mas de toda a população transgênero que, cotidianamente, enfrenta um longo caminho para o exercício dos direitos humanos”.
Desde o início de sua terapia hormonal, há sete anos, o paciente aguardava pelo procedimento e, antes da cirurgia, compartilhou: “Quando criança já me reconhecia como homem, mas esperei crescer e amadurecer. Essa cirurgia será importante para que eu consiga olhar no espelho e me reconhecer”. Após a cirurgia, Luis expressou: “A felicidade é ter liberdade e, agora, sinto-me liberto”.
A psicóloga hospitalar responsável pelo atendimento dele no HU-Furg, Jéssica da Rocha Mareque, afirmou: “Os pacientes que realizam a mastectomia masculinizadora passam por um processo de transformação psicológica”. Os efeitos emocionais incluem a melhora da autoestima, bem-estar, conforto psíquico, maior autonomia e realização pessoal. Ela explicou: “As modificações da transição começam internamente e, com a cirurgia, refletem externamente a verdadeira identidade de gênero, proporcionando a liberdade de ser quem se é”.
“A idade não importa; o essencial é cuidar do corpo e manter a saúde em dia, com a terapia hormonal e o acompanhamento médico adequado para a transição. Minha experiência aqui no Hospital e no SUS foi marcante, sempre com uma equipe dedicada ao meu cuidado”, ressaltou Luis. Conforme a legislação brasileira, os procedimentos de redesignação sexual podem ser realizados dos 18 aos 75 anos, respeitando a autonomia e a decisão da pessoa em relação à identidade de gênero.
Sobre o Ambulatório Especializado do HU-Furg
O Ambulatório Multidisciplinar Especializado em Transexualização do HU-Furg, inaugurado em janeiro de 2024, conta com uma equipe multiprofissional. Para a chefe da Unidade da Saúde Mulher, Tânia Fonseca, “O início da realização de cirurgias do processo transexualizador é um marco histórico na assistência a população transexual no estado”.
O processo transexualizador, de redesignação sexual ou de afirmação de gênero é um conjunto de procedimentos clínicos e cirúrgicos para pessoas transgênero, regulamentado pela Portaria GM/MS 2803/2013 e pela Resolução CFM n.º 2265/2019. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 2% da população adulta brasileira são pessoas transgênero e não binárias, ou seja, “identificam-se com um gênero diferente daquele que lhes foi atribuído ao nascer ou não se percebem como pertencentes exclusivamente ao gênero feminino ou masculino”, explicou Tânia.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul ampliou os pontos de atenção às pessoas transgênero na modalidade ambulatorial, com apoio de municípios, universidades e financiamento estadual pelo Programa Assistir. Até janeiro de 2024, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) era o único centro habilitado pelo Ministério da Saúde para atendimento cirúrgico no processo transexualizador, enfrentando uma demanda reprimida.
Segundo Tânia, “A habilitação do HU-Furg na modalidade cirúrgica do processo transexualizador amplia a oferta de procedimentos cirúrgicos minimizando o tempo de espera”. No HU-Furg, a etapa cirúrgica é destinada a pacientes encaminhados, com acompanhamento pré e pós-operatório que pode durar, no mínimo, um ano.
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.