A FURG participou, nesta quinta-feira, 10, do 2º Encontro de Colaboração da Indústria Aura Sul Wind, realizado no Parque Científico e Tecnológico (Oceantec). A atividade reuniu representantes da indústria marítima, do setor portuário, do poder público e da Universidade para avançar na discussão acerca da implantação da energia eólica offshore flutuante no Brasil e das oportunidades que esse novo setor pode gerar para Rio Grande e para a região.
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Em sua manifestação, a reitora ressaltou que a Universidade atua como agente indutor desse processo ao reunir infraestrutura, capacidade técnica, pesquisadores e expertise em diferentes áreas. Para Suzane, projetos inovadores com potencial de impacto econômico, social e ambiental encontram na FURG um ambiente capaz de oferecer apoio técnico e institucional, aproximando pesquisa, desenvolvimento tecnológico e setor produtivo.
Capitaneado pela empresa japonesa JB Energy, o Aura Sul Wind trata-se de um projeto-piloto pioneiro na área de energia renovável em alto-mar. A iniciativa é desenvolvida em parceria com universidades, empresas, entidades do setor e instituições públicas com o objetivo de contribuir para a formação de uma cadeia produtiva nacional associada à energia eólica offshore.
A proposta prevê a instalação de uma plataforma flutuante de concreto com aerogerador, em águas profundas, a aproximadamente 60 quilômetros da costa de Rio Grande, utilizando a tecnologia Raijin FOWT®, que permite a montagem da estrutura em terra e seu posterior transporte até o local de operação, favorecendo a eficiência logística, a redução de custos e a segurança operacional.
Além da geração de energia limpa, o Aura Sul Wind possui caráter estratégico para o desenvolvimento tecnológico e industrial da região. O projeto busca estimular a participação das empresas locais na cadeia de fornecimento, promover pesquisa, inovação e qualificação profissional e fortalecer a integração entre universidades, setor produtivo e poder público.
Desde janeiro deste ano, a JB Energy possui uma sede no Oceantec, reforçando a sua aproximação com o território. Durante a reunião, a empresa firmou um protocolo de intenções com outra startup do ecossistema de inovação da FURG, a TerraMares, voltado à área de biodiversidade. A parceria destaca o caráter agregador da proposta, unindo frentes de trabalho que englobam inovação tecnológica, conhecimento ambiental e acompanhamento dos impactos associados às atividades offshore.
Atualmente, o projeto avançou da etapa inicial de estudos de viabilidade para uma nova fase, que envolve o detalhamento de engenharia, o desenvolvimento da cadeia de suprimentos local e os estudos socioambientais necessários ao licenciamento. A previsão é de conclusão dos estudos técnicos e de engenharia entre 2026 e 2028, com início da construção a partir de 2029.
Programação
O evento teve início a partir de uma apresentação proposta pelo professor Artur Gibbon, presidente do APL Marítimo-RS, que abordou a conexão entre o cluster marítimo do Rio Grande e o projeto. Em seguida, o diretor do Oceantec, Samuel Bonato, conversou com os presentes sobre as possibilidades de integração entre pesquisa, infraestrutura e indústria.
Além da participação da FURG, a programação também contou com apresentações sobre as operações marítimas previstas pelo projeto e sobre a infraestrutura portuária necessária para a expansão da eólica offshore flutuante.
O Aura Sul Wind prevê investimentos da ordem de US$ 100 milhões ao longo dos próximos quatro anos; a proposta é que a energia produzida seja utilizada, inicialmente, no complexo do Porto do Rio Grande, contribuindo para a descarbonização das atividades logísticas da zona portuária. A expectativa é de que a consolidação do novo segmento possa gerar de 5 a 10 mil empregos diretos e indiretos.