Na manhã desta quarta-feira, 26, a asa norte do Cidec-sul, em frente ao Núcleo de Memória Eng. Francisco Martins Bastos (Nume), recebeu amigos, colegas e alunos de Aimée Bolanõs para um ato fúnebre em memória da docente. Na ocasião, diversas autoridades da Universidade também prestaram suas homenagens e dedicaram leituras de trechos das obras da professora Bolaños, que faleceu no último domingo, 23, vítima de um atropelamento no balneário Cassino, envolvendo um motorista alcoolizado.
Felipe Wienke e Elisa Celmer tomam posse como diretor e vice-diretora da Faculdade de Direito
Instituto de Educação recebe primeira reunião do Nume fora da sua sede
FURG e Prefeitura de São Lourenço do Sul assinam protocolo de intenções para intensificar ações de prevenção de eventos extremos
Em sua fala, a reitora Suzane Gonçalves destacou o compromisso de manter a memória, a história e a produção da professora Aimée viva e pulsante. “Devemos honrar o seu legado, ao mesmo tempo em que devemos, também, cobrar justiça, pois a perdemos vítima de um crime, e isso não podemos esquecer”, destacou a gestora.
Nas redes, o ex-reitor da FURG e atual assessor especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Danilo Giroldo, também prestou as suas homenagens a Aimée. “Não deu tempo de te dar um último abraço[...]Eu devo tanto a essa mulher, talvez uma das pessoas mais inteligentes que eu já tenha conhecido e uma das vidas mais incríveis que eu já tenha testemunhado, terminada de uma forma tão brutal. Aimée vai sempre continuar entre a gente, mas é uma perda tão grande pro mundo”, escreveu o professor.
Algumas homenagens
O servidor aposentado e comentarista do programa FM Café, da rádio FURG FM, Eduardo Carvalho Pereira, recordou sobre o trabalho desenvolvido pela professora quando ainda muito jovem, em Cuba, alfabetizando crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Sua vocação e paixão pela docência se manifestaram desde muito cedo. Ela era uma pessoa muito inteligente, e que poderia desenvolver sua vida e sua carreira em qualquer lugar do mundo; falava diversas línguas e era reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho. Mas era no Cassino que se sentia à vontade. Ela escolheu esse lugar para construir o seu caminho, e se dedicou intensamente à cidade e à Universidade”, emocionado, discursou.
O autor – e patrono da 48ª Feira do Livro da FURG – Sérgio Carvalho Pereira, durante sua manifestação, fez a leitura de um trabalho organizado pela professora Aimée que remonta à época da pandemia de Covid-19. “Naquele momento em que estávamos em casa, isolados, sem produzir, Aimée fez contato com diversos poetas, muitos dos quais estão aqui neste momento, e, a partir disso, nos instigou a escrever. Essa era a força de Aimée, uma professora que transformou e tocou vidas”, destacou.
O poema em questão se chama “Naufrágio”, e é tido entre as pessoas próximas de Aimée como uma de suas obras mais queridas. O título evoca sua proximidade com a praia do Cassino e um pouco do pertencimento que sentia com o território.
Naufrágio
“Sobrevivi à tormenta
aferrada à tábua do desejo.
Recolhi os míseros fragmentos
e armei minha balsa de Medusa.
Naveguei o tempo em solidão.
Nenhum porto me deu abrigo
até descobrir uma praia
de escuras águas iintermináveis.
De novo salvei pedaços
e no espaço do ar
fiz minha casa impossível
tão semelhante ao nada.
A viagem me transformou.
Tenho mil rostos reais
tão alegres como tristes
uma frágil alma persistente
duas línguas e um corpo sábio
que resiste aos naufrágios.”
(de labirintos e espirais - sete poetas de Rio Grande, Editora Patuá). BOLAÑOS, Aimée, 2021, pág. 85.
A professora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Carla Amorim também prestou sua homenagem. “Todos nós que amamos Aimée; todos que escrevemos e gostamos de escrever, devemos honrar o seu legado e guardar com carinho a sua memória, para que as próximas gerações reconheçam a grandeza do seu trabalho. Eu própria sou pequena perto de tudo o que ela fez, mas nunca me senti pequena diante dela, tamanha sua generosidade”, compartilhou a docente.
A analista de mídias sociais da Secretaria de Comunicação (Secom) – e integrante do coletivo Mulherio das Letras - Juliana Blasina reforçou a fala dos demais, em contribuir para a salvaguarda da memória e do legado de Aimée. “Cabe a nós enquanto Mulherio das Letras, amigos e colegas, perpetuar a mensagem dela de acolhimento, de amor. Neste momento difícil, dois de seus versos me iluminaram, os quais compartilho com vocês: “digo amor, e amor me torno”.
O professor do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e doutorando em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Giliard Ávila Barbosa, declamou um poema de autoria da professora, e, em seguida, fez a leitura de um texto em que expressa seus sentimentos de perda e saudade.
“Queria poder te dizer agora palavras bonitas de amor, mas sinto revolta e infinita tristeza. Queria poder uma vez mais poder te dar um abraço apertado, queria te ler e te ouvir dizendo belezas, dizer outra vez que te amo muito”, escreveu em um trecho Giliard.
O diretor do ILA, Marcelo Gobatto, destacou a importância da professora para a Universidade, não apenas na figura de uma docente envolvida com as atividades de ensino, pesquisa e extensão, mas como uma grande amiga de todos. “Precisamos honrar o seu trabalho. O Instituto não esquecerá de Aimée, assim como ela nunca esqueceu da FURG”, concluiu o professor.