MULHERES NA GESTÃO

FURG reúne lideranças femininas para debater a participação das mulheres na administração universitária

Seminário promoveu reflexões sobre representatividade, desigualdades de gênero e transformação institucional

Foto: Hiago Reisdoerfer/Secom

No final de outubro, a FURG promoveu o seminário interno Mulheres na Gestão. O encontro reuniu servidoras e servidores da instituição em um espaço de formação, reflexão e diálogo sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no exercício de funções de liderança na administração universitária. O encontro, realizado no auditório da Secretaria de Educação a Distância (Sead), partiu do reconhecimento de que, apesar dos avanços conquistados pelas mulheres no acesso à educação superior e na consolidação de suas trajetórias acadêmicas e profissionais, sua presença nos espaços de gestão ainda é atravessada por desigualdades históricas e estruturais.

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A programação teve início com a mesa-redonda "Mulheres na Gestão: experiências, desafios e possibilidades", que reuniu três professoras com trajetórias marcantes na administração universitária: Wrana Maria Panizzi, primeira reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Ursula Rosa da Silva, atual reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); e Cleuza Maria Sobral Dias, primeira reitora da FURG. A atividade contou com a mediação da reitora Suzane Gonçalves.

"Quando olhamos para a história das nossas universidades, encontramos mulheres que precisaram romper barreiras para ocupar espaços que, durante muito tempo, lhes foram negados. Hoje, temos a responsabilidade de reconhecer suas trajetórias, mas também de compreender que a presença de mulheres em posições de liderança, por si só, não significa que todas as desigualdades foram superadas. Precisamos criar condições para que mais mulheres possam assumir responsabilidades de gestão e garantir que suas vozes sejam efetivamente ouvidas na tomada de decisão. Esse seminário é um passo importante nesse sentido, porque nos convida a transformar a reflexão em compromissos concretos para a nossa Universidade", destacou Suzane.

A composição da mesa proporcionou um encontro entre diferentes gerações de mulheres que contribuíram, em momentos distintos, para ampliar a presença feminina nos espaços de poder e decisão das instituições públicas de ensino superior. Mais do que compartilhar experiências individuais, o diálogo colocou em perspectiva as transformações ocorridas nas últimas décadas e os desafios que permanecem para que a participação feminina na gestão deixe de representar uma exceção histórica e se consolide como parte da realidade institucional.

Pioneirismo e transformação dos espaços de liderança

Entre as participantes da atividade, a trajetória da professora Wrana representa um marco histórico na participação feminina na administração universitária brasileira. Primeira mulher a ocupar a reitoria da UFRGS, a docente ingressou na administração universitária ainda na década de 1980, quando assumiu como coordenadora geral do Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional da mesma instituição.

Em seguida ocupou espaços como pró-reitora de Planejamento e pró-reitora de Administração, até se tornar a primeira reitora da UFRGS, função que exerceu por dois mandatos consecutivos, de 1996 a 2004.

Professora titular aposentada do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, Wrana construiu uma trajetória de liderança que ultrapassou os limites da universidade. Entre as funções exercidas, destacam-se a presidência da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a vice-presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a presidência da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul.

Sua participação no seminário trouxe à discussão a importância histórica da conquista de espaços de liderança por mulheres em instituições tradicionalmente dirigidas por homens. Ao mesmo tempo, sua trajetória evidencia como a abertura desses caminhos contribuiu para ampliar as possibilidades de participação das gerações seguintes.

"Ser a primeira mulher reitora da UFRGS não foi uma conquista individual. Havia um significado coletivo naquela condição, porque, ao ocuparmos um espaço historicamente reservado aos homens, também demonstramos que outras mulheres podem chegar até ele. O pioneirismo carrega uma responsabilidade muito grande: a de abrir caminhos que não podem se fechar depois de nós. Avançamos muito desde então, mas ainda precisamos enfrentar barreiras que nem sempre são visíveis”, pontuou Wrana.

A presença da professora Cleuza Dias também conferiu ao encontro uma dimensão histórica significativa para a FURG. Primeira mulher reitora da Universidade, também presidiu a Comissão de Desenvolvimento Acadêmico da Andifes, participando de discussões nacionais relacionadas ao desenvolvimento das instituições federais de ensino superior. Atualmente está à frente da Secretaria de Município da Educação do município do Rio Grande, dando continuidade à sua trajetória na gestão pública.

A mesa contou ainda com a participação da professora Ursula Rosa da Silva, atual reitora da UFPel, presidente da Rede Gaúcha de Instituições para a Educação Sustentável (Regies) e professora titular do Centro de Artes e do Programa de Pós-graduação em Artes da instituição. Sua presença ampliou o debate ao incorporar a perspectiva dos desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres que atualmente exercem funções de direção nas universidades federais.

Da reflexão à construção de propostas

Além do compartilhamento de experiências, o seminário foi concebido com uma dimensão propositiva. Durante a tarde, a programação contemplou a realização de grupos de discussão destinados a aprofundar os temas abordados e identificar desafios relacionados à participação das mulheres na gestão da FURG.

A dinâmica previu momentos de debate, sistematização das reflexões e elaboração de textos-síntese, permitindo que as participantes contribuíssem diretamente para a formulação de propostas voltadas ao aperfeiçoamento das práticas institucionais.

As contribuições dos grupos foram organizadas para apresentação e discussão em uma plenária final, espaço destinado à identificação de pontos convergentes e à construção coletiva de encaminhamentos. O processo teve como horizonte a elaboração da Agenda das Mulheres na Gestão, concebida como instrumento para reunir propostas e orientar futuras iniciativas relacionadas à ampliação da participação feminina nos espaços de liderança da FURG.

 

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Seminário promoveu reflexões sobre representatividade, desigualdades de gênero e transformação institucional

Hiago Reisdoerfer/Secom