A FURG recebeu, nesta quarta-feira, 16, a abertura da 24ª Conferência Sul-Americana de Engenharia Industrial, de Produção e Mecânica (Seprosul 2026), realizada no auditório do Cidec-sul, no campus Rio Grande. O evento reúne pesquisadores, professores, estudantes, profissionais e representantes do setor produtivo ao longo de uma programação de três dias voltada à integração científica e tecnológica na América do Sul.
Entenda as cotas no Vestibular FURG 2027 e saiba quem pode concorrer
FURG, ao lado de outras três universidades, cria Centro de Referência para educação básica na Campanha
Boletim do Ciex aponta tendência de chuva acima da média no RS para o trimestre atual
Com o tema “A Nova Fronteira da Produtividade: Inteligência Artificial e Trabalho Humano para o Desenvolvimento da América do Sul”, a edição propõe discussões sobre a relação entre inteligência artificial e trabalho, transformação digital, Indústria 4.0 e 5.0, produtividade, sustentabilidade, economia azul e desenvolvimento regional. A programação reúne participantes de seis países, mais de 30 painelistas, nove áreas temáticas e dez visitas técnicas.
A solenidade de abertura contou com a participação do vice-reitor da FURG, Ednei Primel; do vice-reitor da UFPel, Eraldo Pinheiro; do representante da AUGM, Juan Manuel Sotelo; do coordenador disciplinar do Núcleo de Engenharia Mecânica e de Produção da AUGM, Óscar Quiroga; do coordenador-geral da Seprosul 2026, Rafael Paes; e do diretor da Escola de Engenharia (EE), Luciano Biehl.
Ao longo da atividade, os representantes destacaram a importância da cooperação entre universidades sul-americanas, da aproximação entre academia e setor produtivo e da construção de soluções conjuntas para desafios relacionados ao desenvolvimento tecnológico e econômico da região.
“Nós precisamos ter a clareza de que, como agentes, como instituições, como academia, como setor produtivo, temos o papel de dar continuidade não só ao nosso território, mas ao ambiente de cooperação sul-americana como um todo, porque somente juntos é que nós vamos encontrar a solução para os desafios que se apresentam nesse território. Não precisamos esperar ninguém para trazer essas soluções; nós temos as condições plenas para desenvolver o que precisamos, desde que articulados”, destacou Rafael durante a sua fala.
Quiroga ressaltou a sua alegria em participar do evento e aproveitou para reforçar o papel do Seprosul como ambiente de estreitamento de laços e criação de oportunidades de cooperação. “Esse é mais do que um espaço para apresentar trabalhos científicos, é uma chance de encontrar pessoas, trocar conhecimentos, estabelecer colaborações e fortalecer os vínculos entre as nossas universidades. Espero que os dias aqui sejam proveitosos e que, de cada encontro, possam nascer novas ideias e oportunidades de cooperação”.
Em sua fala, o vice-reitor destacou que os temas debatidos na Seprosul dialogam diretamente com a trajetória e a vocação institucional da Universidade. “Esses temas estão muito próximos da própria essência da Universidade. Desde a sua origem, em 1969, com a participação da Faculdade de Engenharia entre as faculdades que deram origem à FURG, a instituição construiu uma trajetória fortemente ligada à ciência, à tecnologia e aos desafios do território. Ao longo do tempo, consolidamos também uma vocação voltada aos ecossistemas costeiros e oceânicos, unindo essa perspectiva ao compromisso com todas as áreas do conhecimento, com seus desafios e suas complexidades”, apontou Ednei.
O professor também ressaltou que os desafios contemporâneos colocados para as engenharias ultrapassam a dimensão estritamente técnica, uma vez que envolvem diretamente a vida das pessoas, as relações de trabalho e as transformações nos diferentes setores produtivos. Nesse contexto, considera fundamental a participação de estudantes, professores, pesquisadores e técnicos na discussão de temas como inteligência artificial, robótica, automação, transição energética justa e descarbonização, questões que, segundo ele, não dizem respeito apenas ao Sul Global, mas constituem desafios de alcance mundial.
“Hoje se fala muito em inovação a partir da pesquisa, mas precisamos ampliar esse olhar. É necessário discutir também de que forma essas transformações repercutem nos territórios, nas relações de trabalho, no desenvolvimento econômico e na sociedade. Só a partir dessa compreensão mais ampla poderemos contribuir de forma efetiva para o avanço da América do Sul e para a construção de respostas aos desafios que são próprios da nossa realidade”, completou Ednei.
Inteligência artificial e transformação do trabalho
Em seguida, a programação técnica teve início com a palestra do professor Alejandro Frank, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), intitulada “O trabalho da mudança ou a mudança do trabalho? Dinâmicas entre inteligência artificial e trabalhadores na nova realidade das operações”.
O debate sobre inteligência artificial permaneceu no centro da programação do primeiro dia. O painel “Inteligência Artificial e Competitividade: o desafio da produtividade na América do Sul” discutiu transformação digital, automação e Indústria 4.0 como vetores de produtividade, eficiência e competitividade industrial. Na oportunidade, participaram representantes da Transpetro, Petrobras, UFRGS, Universidad Nacional del Litoral e da própria FURG, por meio do diretor da Unidade Embrapii iTec-FURG, Paulo Drews.
Após o encerramento do painel, foi realizada a entrega dos prêmios dessa edição, que incluem as categorias Best Paper, para o trabalho de destaque; e Applied Research & Industry Impact, para pesquisas aplicadas e com impacto no setor produtivo. Além disso, também foi entregue o reconhecimento Distinguished Legacy ao professor da UFRGS, José Luis Duarte.
Nos dias 17 e 18, a programação do evento ampliou as discussões iniciadas na abertura, articulando pesquisa, inovação, indústria e cooperação internacional. Nesta quinta-feira, 17, as atividades permaneceram no em Rio Grande, com uma agenda voltada especialmente à relação entre desenvolvimento tecnológico e setor produtivo. Pela manhã, Gerhard Peters, gerente de Meio Ambiente da TGS, apresentou a palestra “Projeto Sísmica: Bacia de Pelotas”. Na sequência, o painel “Política Industrial e Inovação: Estratégias das Organizações” reuniu representantes da Transpetro, Ecovix, APL Marítimo RS, UFRGS e Marinha do Brasil para discutir ciência, tecnologia e inovação como instrumentos de desenvolvimento produtivo e transformação econômica regional.
Ainda no segundo dia, as sessões temáticas abriram espaço para apresentação e debate de trabalhos científicos e tecnológicos. À tarde, Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, abordou a aplicação de inteligência artificial na indústria marítima sob a perspectiva dos armadores. O painel “Cadeias Globais de Valor: Desafios e Oportunidades para a Indústria” deu continuidade à programação, com discussões sobre internacionalização, comércio exterior, logística, produtividade, inovação, sustentabilidade e agregação de valor. Participaram representantes da Ecovix, Refinaria Riograndense, Connexion Export, UFRGS e Wilson Sons – Tecon Rio Grande.
Na sexta-feira, 18, a programação aconteceu em Pelotas, na UFPel, reforçando o caráter interinstitucional e itinerante da Conferência. Pela manhã, a Reunião Institucional AUGM/NDEMP foi dedicada à agenda de cooperação acadêmica e à integração entre as universidades parceiras da Associação. Em seguida, os participantes tiveram atividades acadêmicas e visitas técnicas, antes do encerramento institucional do evento, com a síntese dos debates e dos principais encaminhamentos construídos ao longo dos três dias de programação.