COOPERAÇÃO NACIONAL

FURG e MCTI firmam parceria para fortalecer políticas públicas de gestão de riscos climáticos e ambientais

Protocolo reconhece atuação do CIEX e prevê integração de dados, conhecimentos e pesquisas para apoiar a prevenção e a resposta a eventos extremos no país

Foto: Divulgação

Na última terça-feira, 1, em Brasília, a FURG e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) firmaram um Protocolo de Intenções voltado ao fortalecimento da cooperação técnica para a gestão de riscos climáticos e ambientais no Brasil. Assinado pela reitora Suzane Gonçalves e pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o documento estabelece uma articulação institucional para aproximar a produção científica da Universidade, especialmente por meio do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX), da formulação e do aperfeiçoamento de políticas públicas nacionais e estaduais.

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De acordo com o texto do protocolo, a iniciativa visa fortalecer a cooperação técnica para ações de gestão de riscos climáticos e ambientais brasileiros por meio da expertise técnica da FURG e sua experiência com a atuação concreta em identificação e definição de estratégias e políticas para promoção da resiliência climática e ambiental.

A expectativa é que as informações e dados produzidos pela FURG contribuam para aprimorar políticas relacionadas à gestão de risco de desastres, ampliando a utilização de dados científicos no planejamento e na tomada de decisões do poder público, qualificando as estratégias nacionais de mitigação de impactos provenientes de eventos extremos.

“Para nós, enquanto Universidade, esse foi um passo extremamente importante, porque é um reconhecimento do MCTI, do trabalho que hoje o CIEX realiza; e é importante destacar que o CIEX é o primeiro centro do Rio Grande do Sul constituído para trabalhar e pensar as questões da resiliência climática e de suporte às defesas civis, olhando para a região toda da Lagoa dos Patos. Além disso, foi o primeiro instrumento vinculado ao Centro de Referência Internacional em Estudos Relacionados às Mudanças Climáticas – CRIEC, programa criado pelo Governo do RS, e também contar com o apoio da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Estado – SICT, para desenvolver as suas ações”, explicou a reitora.

Na prática, a assinatura aumenta o escopo do trabalho do CIEX, possibilitando um olhar que, até então, era voltado ao Estado do Rio Grande do Sul, e agora se expande para o cenário nacional como um todo, especialmente por meio de uma colaboração mais estruturada com mecanismos nacionais como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por exemplo.

Para a coordenadora do CIEX, Elisa Fernandes, esse é um momento muito importante, pois o centro está em plena operação há menos de um ano, e, durante o período, tem atuado fortemente no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para a resiliência climática do país. “Estamos desenvolvendo muita ciência e trabalhando fortemente junto aos municípios da região, chegando em um momento de maturidade para o compartilhamento dessas tecnologias. Com o escopo ampliado, podemos pensar em estratégias concretas para atuar nos desafios relacionados aos eventos extremos enfrentados pelas diferentes regiões do nosso país”, comentou a professora.

Hoje, o CIEX opera a partir do primeiro gêmeo digital (Digital Twin) ambiental do Brasil, o DT-LAGOA, que poderá ser adaptado e implementado em outras regiões, por meio das parcerias que o Protocolo de Intenções viabiliza.

Sobre o CIEX

Criado para atuar no monitoramento da Lagoa dos Patos e na previsão de eventos extremos no Sul do Rio Grande do Sul, o CIEX, instalado em 2025 na FURG, reúne pesquisadores, representantes do poder público, setor produtivo e sociedade civil. Entre suas atividades estão a disponibilização de dados em tempo real, a elaboração de prognósticos e a produção de boletins, notas e informativos técnicos destinados ao apoio de gestores durante situações ambientais críticas, em especial, na tomada de decisão inerente a esses momentos.

A gênese do CIEX está relacionada ao trabalho realizado pela FURG, em especial do seu Comitê de Avaliação e Prognóstico de Eventos Extremos, durante atuação nas enchentes de abril e maio de 2024. Na oportunidade, um grupo de pesquisadores da Universidade, a partir dos estudos realizados e de todo conhecimento sobre a Lagoa dos Patos e as relações climáticas que envolviam a região, assessorou de forma permanente as defesas civis, as prefeituras e também a comunidade com dados e informações atualizadas sobre o avanço das águas, contribuindo diretamente para a preservação da vida e do patrimônio.

“A partir desse case de sucesso, a instituição entendeu a relevância do trabalho realizado e ajudou a constituir esse centro. Diante dessa experiência e de todo o trabalho que temos feito com as defesas civis do Estado e com as lideranças e prefeituras de todos os municípios do entorno da Lagoa dos Patos, levamos ao MCTI uma apresentação para que eles conhecessem o CIEX e as suas potencialidades, uma vez que o Ministério está buscando estabelecer cooperação com as universidades para pensar e propor políticas públicas de enfrentamento às questões climáticas”, destacou Suzane.

Ainda segundo a reitora, o primeiro espaço em que apresentou o trabalho do CIEX foi a Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos, pasta coordenada por Andrea Latgé, que, juntamente com a sua equipe, se encantou pela potencialidade e pela capacidade instalada do centro e do trabalho científico produzido pela FURG também em outros espaços, laboratórios e projetos. “Em especial, um detalhe que chamou a atenção foi a complexidade do trabalho em rede que o CIEX desenvolve, acionando de forma ágil e integrada as defesas civis e os representantes das lideranças locais. Essa agilidade é de extrema importância em momentos de crise, uma vez que pode ser o diferencial para a preservação da vida”, completou Suzane.

Após essas primeiras articulações, houve o entendimento mútuo de que a FURG, por meio do CIEX, e o MCTI deveriam atuar de forma integrada. A partir disso, foi iniciado o protocolo de intenções, que avançou rapidamente entre as instituições diante da necessidade de fortalecer a preparação para um período potencialmente mais intenso em razão do El Niño. O próximo passo será a criação de um grupo de trabalho responsável por elaborar um plano de ação conjunto e ampliar a cooperação com instituições nacionais.

“Entendemos esse como um momento muito oportuno, pois será possível fortalecer e consolidar uma colaboração que já existe, em certo nível, com os principais centros nacionais de monitoramento do país, como o Instituto Nacional de Meteorologia - Inmet, o Cemaden e a própria Agência Nacional de Águas (ANA)”, completou a coordenadora Elisa.

Cooperação prevê integração de dados e novos projetos

Um dos eixos previstos no documento é justamente a integração e a disseminação de informações relacionadas aos riscos climáticos e ambientais. FURG e MCTI poderão promover análises e avaliações técnicas, intercambiar experiências e desenvolver ações direcionadas ao aperfeiçoamento de políticas públicas, infraestruturas de informação, processos de gestão e mecanismos de difusão do conhecimento científico. A parceria também prevê a participação conjunta em seminários e conferências, o intercâmbio de publicações e relatórios e o fortalecimento de redes de colaboração em pesquisa.

Outro ponto relevante é a possibilidade de integração entre bases de dados e repositórios mantidos ou utilizados pelas instituições. O documento prevê que essa interoperabilidade poderá ocorrer a partir de padrões abertos, protocolos reconhecidos pela comunidade científica, metadados estruturados e identificadores persistentes, buscando alinhamento com boas práticas nacionais e internacionais relacionadas às informações sobre riscos climáticos e ambientais.

A cooperação também cria condições para que os dois partícipes constituam grupos de trabalho e elaborem planos destinados a projetos específicos. Esses desdobramentos deverão ser formalizados posteriormente por meio de acordos próprios, permitindo detalhar atividades, metas e responsabilidades conforme novas iniciativas forem estruturadas.

Entre as possibilidades previstas estão ainda o compartilhamento de infraestrutura técnica, o apoio administrativo e logístico e a busca de recursos nacionais e internacionais para financiar atividades relacionadas à parceria. O protocolo, entretanto, não prevê transferência imediata de recursos financeiros ou doação de bens entre o Ministério e a Universidade. Eventuais projetos que envolvam repasses deverão contar com instrumento e plano de trabalho específicos.

O Protocolo de Intenções tem vigência inicial de três anos a partir de sua assinatura e poderá ser prorrogado por meio de termo aditivo. “Entendemos que esse acordo vai nos trazer muitas oportunidades de colaborarmos, mas também oportunidades de que nacionalmente se conheça ainda mais o trabalho que realizamos e que a tecnologia que está sendo desenvolvida aqui, na FURG, pode ser o diferencial necessário para outras regiões do Brasil”, concluiu a reitora.

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