CELEBRAÇÃO

FURG comemora seus 57 anos de história durante tradicional Assembleia Universitária

Na oportunidade, instituição concedeu distinções, Honoris Causa e homenageou servidores por tempo de serviço

Foto: Hiago Reisdoerfer/Secom

Na tarde desta última quinta-feira, 20, a FURG celebrou os seus 57 anos de história junto da sua comunidade universitária, convidados e representantes da sociedade civil, durante a anual Assembleia Universitária. Na oportunidade, a instituição realizou a entrega do título honorífico de Doutor Honoris Causa ao professor da Escola de Engenharia (EE), Ernesto Alquati; e, postumamente, à intelectual Lélia Gonzalez, cuja homenagem foi recebida pelo seu filho, Rubens Rufino. Além disso, também foram concedidas distinções de Mérito Universitário e Mérito Institucional, títulos de Professor Emérito e homenagens aos servidores por tempo de serviço.

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Ao final da solenidade, que aconteceu no auditório do Cidec-sul, em Rio Grande, os presentes entoaram juntos o canto de parabéns à Universidade.

Compuseram a mesa de abertura da Assembleia a reitora Suzane Gonçalves; o vice-reitor, Ednei Primel; a ex-reitora e atual secretária de Município de Educação, Cleuza Dias; o diretor da EE, Luciano Biehl; a diretora em exercício da Faculdade de Direito (Fadir), Elisa Celmer; o diretor da Faculdade de Medicina (Famed), Claudio Moss; o superintendente do Hospital Universitário (HU-FURG/HU-Brasil), Fábio Lopes; e a prefeita da cidade do Rio Grande, Darlene Pereira; além dos conselheiros e conselheiras do Conselho Universitário (Consun).

Doutor Honoris Causa

Após declarar a abertura oficial das atividades, a reitora convidou formalmente para tomar o seu lugar à mesa de honra o professor da Escola de Engenharia, Ernesto Luiz Gomes Alquati. O engenheiro adentrou o auditório ao lado da sua comissão de honra, composta por sua esposa, Amália Regina Puccinelli da Silva; seus filhos, Carlos Salies Alquati e Matheus Salies Alquati; sua nora, Helena Vidal Branco; e suas irmãs, Isabel Cristina Gomes Alquati e Rosângela Gomes Alquati.

Em seguida, a reitora também convidou o economista Rubens Rufino para tomar o seu lugar à mesa de honra. O filho de Lélia Gonzalez adentrou o auditório ao lado de sua comissão de honra, composta pela filha e coordenadora da Diretoria de Articulação Interfederativa no Ministério da Igualdade Racial, Melina de Lima; pelos discentes da Universidade, Adelino N’ghasse e Murilo Trindade e Silva; pela técnica-administrativa em educação da FURG, Elina Rodrigues; e pela docente da instituição, Amanda Mota.

Ernesto Alquati

Graduado em Engenharia Metalúrgica e mestre em Engenharia, Alquati ingressou na FURG em 12 de março de 1980, como docente do então Departamento de Materiais e Construção.  Ao longo de sua carreira, ministrou disciplinas fundamentais para a formação de gerações de engenheiros.

Durante mais de 46 anos de carreira, o professor participou ativamente não apenas do desenvolvimento técnico e científico de seus estudantes, mas também de sua formação ética e humana.

Sua contribuição à FURG ultrapassa o campo do ensino; participou de diversos processos de gestão universitária, assumindo responsabilidades estratégicas em diferentes momentos da história institucional. Sua atuação como Superintendente Técnico, Pró-reitor de Infraestrutura e Assessor da Reitoria contribuiu significativamente para o fortalecimento da infraestrutura universitária e para a consolidação administrativa da Universidade.

Destaca-se igualmente sua atuação em defesa da categoria docente e da universidade pública, materializada em sua participação na fundação da Associação dos Professores da FURG e no exercício de funções de liderança na entidade. Reconhecido por colegas, estudantes e técnicos pela postura ética, pelo espírito público, pela capacidade de diálogo e pela dedicação à instituição, tornou-se uma referência para a Escola de Engenharia e para toda a comunidade universitária.

Em sua fala, Alquati dedicou o título a todas e todos alunos que teve, e que ainda tem, pois, em suas palavras, nada teria sem eles. “Eu estou muito feliz. Essa é uma homenagem que, como há pouco citei, é maior do que eu. Eu sou essencialmente, e faço força para ser, professor da Escola de Engenharia. Já contei com o respeito de dois ex-reitores e uma ex-reitora que está ali do meu ladinho na mesa, professora Cleuza. Nestas três administrações, fui convidado e agradeço aos três pela confiança em mim para ocupar cargos [...] mas é na convivência docente, nessa troca entre alunos e professor, que a gente aprende e se mantém vivo, se mantém motivado para continuar em frente, mesmo quando o caminho não é o mais fácil", declarou.

Em seu discurso, o diretor da EE destacou a amizade e a longa parceria profissional que construiu com o professor, ressaltando o caráter e o legado do homenageado. "Ao longo de tantos anos, deixaste marcas que vão muito além das salas de aula, dos cargos ou das funções que exerceste, deixaste marcas nas pessoas. E no fim das contas, talvez esse seja o maior legado que um professor possa deixar. Saber que ajudou a formar não apenas profissionais, mas pessoas e que fez diferença na vida daqueles que tiveram a oportunidade de cruzar o teu caminho", enfatizou Luciano.

Lélia Gonzalez

Antropóloga, filósofa, professora, escritora e ativista brasileira, Lélia Gonzalez construiu uma trajetória intelectual e pública que transformou o campo das ciências humanas no Brasil. Sua produção acadêmica e sua intervenção política contribuíram para a consolidação dos estudos sobre relações raciais, cultura afro-brasileira e gênero, em período marcado por silenciamentos institucionais, desigualdades estruturais e vigilância política.

Nascida em 1935, em Belo Horizonte, filha de um ferroviário negro e de uma trabalhadora doméstica indígena, mudou-se ainda na infância para o Rio de Janeiro e conciliou trabalho e estudo para permanecer na escola e prosseguir sua formação. Naquele contexto, o acesso de mulheres ao ensino superior era restrito, e a presença de mulheres negras nas universidades era praticamente inexistente.

Graduou-se em História e Geografia pela então Universidade Estadual do Guanabara e, posteriormente, em Filosofia pela mesma instituição. Cursou mestrado em Comunicação Social e doutorado em Antropologia na Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro, onde lecionou Cultura Brasileira, orientou pesquisas e exerceu a chefia do Departamento de Sociologia e Política.

Paralelamente à docência e à pesquisa, participou da fundação do Movimento Negro Unificado, em 1978, e do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras. Atuou no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher entre 1985 e 1989 e integrou mobilizações no processo de redemocratização. 

Entre 1975 e 1994, produziu extensa obra composta por livros, artigos, ensaios, traduções e intervenções públicas, publicados em diferentes idiomas. Participou de encontros acadêmicos na América, na Europa e na África, inserindo a reflexão brasileira sobre raça e cultura no diálogo internacional. Sua escrita atravessou universidade, imprensa e espaços culturais, ampliando o alcance do debate para além do ambiente acadêmico.

Hoje, sua obra integra currículos, linhas de pesquisa e projetos acadêmicos em diferentes áreas do conhecimento. Na FURG, seu pensamento sustenta a formação acadêmica e a produção científica por meio do Grupo de Estudos Feministas Lélia Gonzalez. Seus textos atravessam disciplinas, orientam pesquisas e sustentam debates que estruturam a formação crítica e o compromisso institucional da Universidade.  

Em seu pronunciamento, a reitora destacou a importância histórica e política da homenagem póstuma concedida a Lélia Gonzalez, especialmente em razão do seu impacto na compreensão das desigualdades brasileiras.

"Conceder o título de Doutor Honoris Causa em memória de Lélia Gonzalez é um ato de reconhecimento acadêmico, político e histórico. É afirmar que sua produção intelectual, sua militância e sua trajetória transformaram de forma profunda a compreensão sobre o Brasil, suas desigualdades e suas possibilidades de construção democrática. Seu legado pertence definitivamente ao patrimônio científico, cultural e político do nosso país. Que este título seja não apenas uma homenagem à memória de Lélia Gonzalez, mas também um compromisso com o futuro, um compromisso com uma Universidade cada vez mais plural, com uma ciência cada vez mais democrática, com uma sociedade livre do racismo e de todas as formas de discriminação. Um Brasil em que o conhecimento produzido por mulheres negras, por pessoas negras e pelos diferentes grupos que compõem nossa sociedade seja reconhecido como parte fundamental da construção do país", apresentou Suzane.

Rubens Rufino, filho de Lélia, recebeu a homenagem, e, emocionado, destacou o compromisso de sua mãe com a educação e a transformação social no Brasil. "Receber essa homenagem em nome dela é, para mim, uma experiência difícil de traduzir em palavras. Hoje estou aqui como filho, mas estou também como alguém que teve o privilégio de acompanhar de perto uma mulher que dedicou sua vida ao conhecimento, à educação e à luta por uma sociedade mais justa. Minha mãe acreditava profundamente que o conhecimento não deveria estar distante das pessoas. Para ela, pensar o Brasil significava olhar para as suas contradições, para as suas desigualdades e, principalmente, para aqueles e aquelas que historicamente foram colocados à margem", pontuou o economista.

Professores Eméritos

Concedida para professores aposentados que se destacaram de forma extraordinária pelo ensino, pesquisa e serviços prestados à Universidade, a honraria acadêmica de Professor Emérito, nesta edição, presta homenagem a três importantes docentes: Jussara Maria Silveira e Isabel Cristina de Oliveira, da Famed; e Péricles Gonçalves, da Faculdade de Direito (Fadir).

Jussara Maria Silveira

Com uma trajetória marcada pela excelência acadêmica, pela dedicação ao ensino e pelo protagonismo no enfrentamento ao HIV/Aids no extremo sul do Rio Grande do Sul, Jussara é médica formada pela FURG e, na instituição, praticou a docência por mais de quatro décadas.  

Entre as principais conquistas de sua trajetória estão a implantação do Hospital-Dia para atendimento de pessoas vivendo com HIV e a criação do Laboratório de Biologia Molecular do Hospital Universitário, que passou a realizar exames de carga viral e fortaleceu o diagnóstico e o acompanhamento dos pacientes na região. Também participou da formulação de políticas públicas em âmbito estadual e nacional, integrando comitês técnicos e colaborando para a descentralização da assistência em infectologia.

Em sua fala, a homenageada expressou profunda gratidão e sentido de coletividade, marcas que considera de grande valia durante a sua trajetória na FURG.

"Receber esse título me proporcionou o que talvez seja uma das maiores realizações profissionais: perceber que aquilo que ajudamos a começar cresceu, ganhou novas gerações e já não nos pertence enquanto indivíduos; pertence à equipe, aos pacientes, à instituição e à comunidade. Se hoje recebo esse título, ele também não pertence somente a mim; pertence aos profissionais que fundaram e desenvolveram o serviço, aos meus professores, alunos, ex-alunos e colegas. Obrigada, FURG, minha casa profissional durante tantos anos, por tudo que me ensinou e permitiu que eu ajudasse a construir. Valeu a pena", comentou.

Reconhecida com o Mérito Universitário da FURG em 2015, Jussara permaneceu à frente do Serviço de Infectologia do Hospital Universitário entre 1990 e 2017. Mesmo após a aposentadoria, segue contribuindo para a saúde pública como consultora do Ministério da Saúde, integrante de comitês técnicos estaduais e médica voluntária no Ambulatório de HIV/aids do HU-FURG/HU-Brasil.

Isabel Cristina de Oliveira

Médica formada pela FURG em 1984, ingressou no corpo docente da Famed em 1989 e, ao longo de mais de três décadas, contribuiu para a formação de médicos comprometidos com a ética, a humanização do cuidado e a defesa da saúde pública. Especialista em Pneumologia, desenvolveu pesquisas pioneiras sobre tabagismo passivo em lactentes, trabalho que recebeu reconhecimento científico nacional e internacional.

Na graduação, destacou-se como docente das áreas de Semiologia e Clínica Médica, priorizando uma formação centrada na relação entre médico e paciente e na integração entre conhecimento técnico e responsabilidade social. Também orientou estudantes em projetos de pesquisa e iniciação científica, contribuindo para o aperfeiçoamento do currículo do curso de Medicina.

"Ao revisitar minhas memórias, lembrei-me de um episódio que, embora simples, hoje me parece carregado de significado. Ao final de uma aula, ainda no antigo prédio da Santa Casa, um colega me falou: 'Isabel, tu gostas tanto da faculdade que ainda vais dar aula aqui'. Naquele momento, certamente não imaginava o quanto aquelas palavras se tornariam verdadeiras. Em 1984, após a formatura, fui para Porto Alegre para continuar minha formação e dizia que só retornaria para Rio Grande se fosse para trabalhar na FURG. Talvez ainda não soubesse exatamente como seria esse caminho, mas ele já estava traçado", recordou.

Na gestão universitária, Isabel exerceu funções estratégicas como coordenadora e vice-coordenadora do curso de Medicina, vice-diretora e diretora da Faculdade de Medicina, além de integrar comissões voltadas ao planejamento institucional, à ética em pesquisa, à revalidação de diplomas e aos projetos de expansão do Hospital Universitário. Sua atuação foi marcada pela capacidade de articulação, pelo compromisso institucional e pela busca permanente da qualificação da formação médica.

O diretor da Faculdade de Medicina, Claudio Moss, prestou sua reverência às professoras homenageadas, enfatizando a honra de prestigiar pessoas que ajudaram a construir a Universidade que hoje conhecemos. “Tive o privilégio de acompanhar de perto grande parte da trajetória dessas duas professoras extraordinárias. Ao longo de suas carreiras, ambas deixaram marcas profundas na Famed [...] mas o verdadeiro legado não está apenas naquilo que foi realizado, mas sobretudo naquilo que permanece, no conhecimento transmitido, nos exemplos deixados, nas pessoas formadas e nas transformações que ajudaram a construir", discursou.

Péricles Gonçalves

Ao longo de cinco décadas de dedicação ao ensino superior, à gestão universitária e ao fortalecimento da vida acadêmica e cultural da instituição, Péricles Gonçalves iniciou sua vocação ainda na adolescência, aos 16 anos, quando passou a preparar estudantes para os exames de ingresso ao ensino superior, experiência que deu início a uma carreira pautada pelo compromisso com a educação. Também nesta fase da vida, como estudante secundarista, integrou movimentos estudantis que buscavam a fundação de uma Universidade na cidade do Rio Grande, contribuindo diretamente para a criação das cinco faculdades que deram origem à FURG.

Péricles ingressou na instituição em 1975, junto ao então Departamento de Ciências Jurídicas. Ao longo da carreira docente, tornou-se referência nas áreas de Direito Constitucional, Teoria Geral do Estado, Ciência Política e Direito Internacional Público, contribuindo para a formação de inúmeras gerações de profissionais. Além da atuação em sala de aula, desempenhou papel decisivo na consolidação institucional da Universidade, exercendo funções como diretor do campus Avançado de Cáceres, chefe do Departamento de Ciências Jurídicas, diretor da Faculdade de Direito e pró-reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis, participando de diferentes momentos da expansão e do desenvolvimento da instituição.

Em sua fala, Péricles enfatizou que a maior satisfação de um educador não está em cargos ou títulos, mas em ver o sucesso de seus alunos. “O tempo que estive na FURG completa 59 anos de magistério. Tem pessoas aqui, que foram meus alunos no então segundo grau; portanto, eu gostaria de iniciar agradecendo. Me sinto vinculado a cada um, obrigado com cada um, para dentro do possível poder retribuir este gesto fraterno. Neste momento lembro dos alunos, e, por isso reitero que a maior recompensa que um professor poderia ter é ver seus alunos desempenhando hoje funções administrativas, sendo professores, tendo sucesso nas suas carreiras, porque essa é a função do professor [...] formar bons profissionais, mas, antes de tudo, boas pessoas”, declarou.  

Sua contribuição também se destaca pela promoção da cultura e da produção do conhecimento. Foi fundador e primeiro presidente da Editora da FURG, idealizador da primeira Feira do Livro da Universidade e responsável pela criação do Coral e do Grupo de Teatro da instituição, iniciativas que ampliaram a integração entre ensino, cultura e comunidade universitária.

Para a diretora em exercício da Fadir, a história de vida de Péricles se mistura com a história da própria instituição, sendo ele um grande exemplo para a unidade acadêmica. "O professor Péricles esteve em exercício na FURG por 50 anos. Durante este tempo, sua história se entrelaçou com a da Universidade.  [...] desempenhou suas funções com comprometimento, sem adornos, sem ostentações, o que não tornou sua trajetória menos extraordinária. É notoriamente encantado pela magia do encontro, simbolizada pela sala de aula, espaço em que se trabalha com a mais nobre matéria-prima: o coração e a inteligência dos seres humanos. Aliás, em tempos de artificialidades e extremismos, é preciso reforçar a importância da humanidade enquanto valor máximo a ser sustentado em qualquer sociedade", frisou Elisa.

Mesmo após a aposentadoria, Péricles se mantém ativo na Universidade como presidente do Núcleo de Memória Eng. Francisco Martins Bastos (Nume), dedicando-se à preservação da história institucional e à valorização do patrimônio acadêmico.

Distinções

Considerando o Regimento Geral da FURG, a distinção de Mérito Institucional é uma homenagem concedida para entidades, organismos ou instituições que sejam parceiras e apoiadoras da Universidade ou que se destaquem por sua atuação em prol do desenvolvimento da educação, da ciência, das artes, da redução das desigualdades sociais, da preservação do meio ambiente e da cultura em geral.

Nesta edição, a Universidade encaminhou a entrega da distinção para a Associação Amigas do HU e para a Prefeitura de Santo Antônio da Patrulha.

Amigas do HU

Criada em 1994, a entidade surgiu da mobilização de mulheres da comunidade rio-grandina. A Associação realiza ações voltadas à identificação e ao atendimento de necessidades estruturais e assistenciais do Hospital Universitário, por meio de suas integrantes, que mobilizam recursos através de parcerias com o comércio local e da realização de eventos beneficentes, viabilizando a aquisição de itens essenciais ao funcionamento do HU, especialmente em períodos de maior demanda.

A presença da Associação é especialmente marcante nas ações de cuidado e humanização junto aos serviços pediátricos. As integrantes do grupo dedicam-se à confecção e à doação de fraldas e enxovais destinados a crianças atendidas na Pediatria e nas unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal. A mobilização da Associação das Amigas do HU foi decisiva para a implantação da UTI Pediátrica do Hospital, em funcionamento desde 2017. Ao longo de sua trajetória, o grupo também teve papel relevante em momentos críticos, como durante a pandemia de Covid-19.

Prefeitura de Santo Antônio da Patrulha

A Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Patrulha tem papel direto no fortalecimento da educação superior no município. Desde a implantação do campus da FURG na cidade, iniciada em 2009, a gestão municipal colaborou para viabilizar as condições necessárias à instalação da Universidade.

Ao longo desse período, a Prefeitura manteve diálogo permanente com a FURG, com o Ministério da Educação (MEC) e com órgãos estaduais. Essa interlocução tem permitido o encaminhamento de demandas, o apoio a agendas institucionais e a construção de soluções para a consolidação do campus, com reflexos na formação acadêmica e na permanência estudantil. A gestão municipal também se destaca pela mobilização de parcerias e pelo apoio a ações que qualificam a estrutura educacional do município, reforçando a integração entre o poder público e as instituições de ensino.

Esse conjunto de iniciativas demonstra compromisso com políticas públicas de educação, com a ampliação de oportunidades para a população e com o desenvolvimento regional, evidenciando o papel estratégico do poder público municipal na consolidação da educação superior pública no território.

Mérito Universitário

Destinado ao reconhecimento de servidores e servidoras que, ao longo de suas trajetórias profissionais, contribuíram de forma expressiva para o desenvolvimento da Universidade, a distinção de Mérito Universitário representa o legado de compromisso institucional, competência e dedicação. Nesta edição, três servidores recebem a homenagem: Abel Varella da Silva, Cláudio Moss e Maria de Lourdes Lose.

Abel Varella da Silva

Com uma trajetória de 50 anos na Universidade, Abel tornou-se uma referência na área de infraestrutura, contribuindo diretamente para a manutenção, preservação e desenvolvimento dos espaços que sustentam as atividades acadêmicas e administrativas da instituição. Ingressando em 1976 como técnico em móveis e esquadrias, o servidor acompanhou diferentes fases da expansão física e administrativa da FURG

 Ao longo da carreira, atuou em setores como a Superintendência Técnica, a Superintendência de Administração dos campi e a Prefeitura Universitária, desempenhando papel essencial na execução de serviços voltados à conservação da infraestrutura universitária.

Em seu discurso, Abel reflete sobre sua trajetória, destacando a profunda ligação pessoal com a instituição. "A FURG, para mim, nunca foi apenas um lugar de trabalho. Depois de 50 anos, posso dizer que ela faz parte de quem eu sou e está na minha vida, na minha história, nas minhas lembranças, nas amizades que construí e, de certa forma, corre nas minhas veias", emocionado falou.

Cláudio Moss

Retornando à tribuna, agora como homenageado, Cláudio expressou profunda emoção e gratidão para com a instituição. Em sua visão, a distinção que recebe não se traduz em um feito individual, mas, sim, um reflexo de uma caminhada construída por encontros e oportunidades compartilhadas ao longo dos anos.

Em sua fala, o professor explicou que não encara a homenagem como o fim de um ciclo, mas como um compromisso contínuo com a Universidade. Além disso, reafirmou seu compromisso em defender a FURG como um espaço que forma profissionais qualificados e cidadãos éticos e engajados com os desafios da atualidade. "Sempre defenderei a FURG, uma Universidade que, além de formar profissionais competentes, forma cidadãos sensíveis, éticos e comprometidos com a sociedade", enfatizou.

Formado em Medicina pela FURG, Cláudio é especialista em Clínica Médica, Terapia Intensiva e Infectologia; além de mestre e doutor em Ciências da Saúde. Iniciou sua carreira na FURG como médico técnico-administrativo, assumindo, em 1993, o cargo de professor efetivo.

Como coordenador da Comissão de Residência Médica, conseguiu ampliar o número de programas de residência, com a criação dos programas de Anestesiologia, Ortopedia e Traumatologia, e Infectologia, além do aumento significativo do número de vagas para residentes. Atualmente é o diretor da Faculdade de Medicina, desde 2021.

No âmbito da extensão, é membro fundador do Serviço de HIV/AIDS do HU-FURG. Atuou de forma destacada na estruturação da assistência, na capacitação de profissionais e na criação de fluxos diagnósticos e terapêuticos, incluindo a implantação do Hospital-Dia. 

Maria de Lourdes Lose

Na FURG desde 1977, Maria ingressou no cargo de Assistente em Administração, vinculada ao Departamento de Matemática, onde trabalhou durante a maior parte de sua carreira. Aposentou-se em 1999, após mais de duas décadas de serviço. Paralelamente, concluiu graduação em História - Licenciatura pela FURG e, posteriormente, mestrado profissional em História.

Além de suas atividades administrativas, tem participação ativa na Associação Classista do Pessoal Técnico-Administrativo da FURG (Aptafurg), onde permanece atuante. Maria também integra, atualmente, a Comissão de Gênero e Diversidades da FURG. No âmbito público municipal, exerceu o cargo de vereadora por dois mandatos consecutivos; posteriormente atuou como coordenadora municipal de políticas para mulheres.

Em sua fala, relembrou a importância da extensão universitária e da conexão da instituição com a comunidade externa. "Esta homenagem, embora esteja aqui no meu nome, ela não é minha, ela é de todos e todas que, ao longo desses anos, compreenderam a importância de fazer com que essa Universidade fosse para a rua. [...] É o papel da extensão lá fora, a Universidade com a porta aberta, passando o muro e indo lá conversar, que realmente representa a transformação que tanto queremos e lutamos", comentou.

Cinquentenário do HU

O ano de 2026 também marca o aniversário de 50 anos do Hospital Universitário Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-FURG/HU-Brasil). Com o lema “Muitas vidas, uma história”, a comemoração do cinquentenário reforça o compromisso da instituição com a saúde pública, a produção de conhecimento e a formação de novas gerações de profissionais, consolidando o Hospital como um dos principais pilares do atendimento via SUS na Região Sul do Estado.

A reitora dedicou algumas palavras sobre o tema, ressaltando que a trajetória do HU foi construída coletivamente por profissionais da saúde, docentes, técnicos, estudantes, residentes, trabalhadores terceirizados e gestores. Segundo ela, o Hospital ocupa um papel central na FURG por articular pesquisa, extensão, formação profissional e atendimento à população, consolidando o compromisso da Universidade com o SUS e com o território em que está inserida.

“Hoje somos servidores FURG, servidores HU-Brasil, terceirizados, terceirizadas, estudantes, professores, técnicos das unidades acadêmicas atuando juntos e compromissados com a saúde pública, com o ensino e com a formação de profissionais na área da saúde. Ao longo destes 50 anos, o HU consolidou-se como uma referência nas áreas fundamentais para Rio Grande e para toda a região. E destaco com muito orgulho nossa maternidade, onde tantas vidas começam, sob o devido cuidado e o apoio; o serviço da UTI neonatal e pediátrica, que representa esperança na luta pela vida em momentos delicados; a atuação qualificada da ortopedia; do serviço de infectologia e de tantas outras ações que são realizadas em prol da saúde pública e do atendimento à população”, falou Suzane.

O diretor do hospital, Fábio Lopes, também teceu comentários sobre o momento festivo. Na oportunidade, resgatou a trajetória histórica do Hospital Universitário desde a criação do Hospital de Ensino da Faculdade de Medicina, em 1976. Segundo ele, o processo de consolidação do HU passou pela estruturação de uma unidade própria, pela ampliação da autonomia administrativa e pela incorporação progressiva de novos serviços assistenciais, de ensino e de formação profissional.

Ao longo das décadas seguintes, o HU ampliou sua atuação em diferentes áreas da assistência à saúde, com destaque para serviços materno-infantis, atendimento à gestação de alto risco, HIV/Aids, ortopedia, traumatologia, terapia intensiva, diagnóstico por imagem e inovações cirúrgicas. Para o diretor, esse processo consolidou o Hospital como uma referência especializada para a região Sul do Estado.

“São 28 municípios da região Sul do Rio Grande do Sul, um pouco mais de um milhão de habitantes, que têm no HU uma referência e, algumas vezes, a única referência de assistência em saúde especializada”, completou Fábio.

Atualmente, o Hospital reúne cerca de 1.650 trabalhadores, além de aproximadamente 200 docentes, residentes médicos e multiprofissionais e cerca de mil estudantes e estagiários. Para o diretor, a integração entre ensino e assistência constitui um dos principais diferenciais da instituição e contribui diretamente para a qualidade do atendimento prestado à população.

No último ano, o HU registrou mais de 105 mil consultas, 6,6 mil internações, mais de 7 mil cirurgias, além de centenas de milhares de exames e mais de 1,6 mil nascimentos.

Mais de 30 homenageados por tempo de serviço

Reunindo aqueles que, em 2025 e 2026, completaram 30, 35, 40, 45 e 50 anos de serviços prestados à Universidade, a homenagem contemplou 34 servidores, os quais receberam um diploma, uma medalha e um pin alusivos ao seu tempo de contribuição dedicado à FURG.

A homenagem busca reconhecer trajetórias que se confundem com a própria história da Universidade, valorizando profissionais que acompanharam diferentes fases de expansão, transformação e consolidação institucional. Mais do que marcar o tempo de serviço, o momento celebra vínculos construídos ao longo de décadas e a contribuição de cada servidor para o desenvolvimento da FURG e para a manutenção de sua missão pública.

Pronunciamento da reitora

Ao encaminhar o encerramento da Assembleia Universitária, a reitora destacou que celebrar os 57 anos da FURG representa mais do que recordar a data de fundação da instituição. Para Suzane, o momento também permite reconhecer as diferentes gerações que ajudaram a construir a Universidade e refletir sobre os caminhos que ainda precisam ser percorridos.

“A FURG é uma universidade feita de estruturas, projetos, cursos, pesquisa, extensão e produção de conhecimento, mas, antes de tudo, é uma universidade feita de pessoas. [...] Aqueles que homenageamos aqui hoje expressam diferentes dimensões de tudo que uma universidade pública deve representar: conhecimento, memória, compromisso social, formação humana, defesa de direitos, cuidado e transformação da sociedade”, destacou a gestora.

 

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