O chamado da FURG à comunidade para debater o programa Future-se foi atendido na noite desta segunda, 12, com o auditório do Cidec-Sul lotado. A reitora, Cleuza Sobral Dias, ao apresentar o contexto da proposta do Ministério da Educação para as universidades federais, observou que esta é a primeira vez que uma reforma tão ampla para o ensino público é elaborada sem que as universidades tenham sido consultadas.
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Apresentado à comunidade no dia 17 de julho, o programa entrou em consulta pública pela internet no mesmo dia. Aos reitores, o Future-se foi apresentado no dia anterior, 16 de julho. A Consulta Pública fica aberta até esta quinta-feira, 15 de agosto. Após, o projeto de lei que consolida as alterações deve ser encaminhado ao Congresso Nacional.
Por isso, de acordo com a reitora, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), está trabalhando para sensibilizar a sociedade, não apenas no curto período da consulta, mas no tempo necessário para aprofundar o debate, já que a proposta irá ao Congresso. “A decisão sobre o Future-se não será nossa, será a decisão da comunidade, por isso queremos ouvir e debater”, disse.
O vice-reitor, Danilo Giroldo, fez uma apresentação minuciosa dos principais pontos da proposta. Diferente do que tem sido abordado nas campanhas institucionais do MEC, os pontos centrais, conforme explicou, são a presença de Organizações Sociais (OS) na gestão das instituições e o modelo de financiamento. “O papel da OS não é secundário nesse programa, ele é central. A OS atuaria na atividade-fim, possibilitando inclusive a contratação de pessoal. E os limites entre o que a OS e a universidade vão fazer não estão claros”.
Já em relação ao fomento, o vice-reitor chama atenção para os riscos de lançar o orçamento das universidades a fundos de investimento. “O fundo precisa gerar resultado financeiro. Nossas ações seriam orientadas a gerar resultado financeiro neste fundo, subvertendo o interesse público e o atendimento a demandas da sociedade por parte das universidades”.
Para a reitora, há um grande risco implicado ao caráter público da universidade. “Essa universidade é da sociedade e precisa continuar sendo da sociedade, mantida pela sociedade e financiada pelo governo federal, se não ela se descaracteriza. Essa proposta desresponsabiliza o governo pelo ensino superior.”
A preocupação dos gestores foi compartilhada por muitos dos presentes que se manifestaram. “Nós lutamos e resistiremos a este projeto, e defenderemos com todas as forças possíveis essa universidade e todas as universidades e instituições públicas deste país”, afirmou o professor Cristiano Engelke, presidente da Aprofurg, o sindicato dos docentes da instituição.
Muitos estudantes tomaram a palavra e contaram suas histórias com a universidade. A experiência em pesquisa, em extensão, o potencial transformador da universidade em suas vidas e na comunidade. Motivo que os leva a se mobilizar em defesa da manutenção do caráter público da universidade e contrariamente ao programa proposto pelo MEC.