Nesta última quarta-feira, 11, uma comitiva composta pela reitoria, órgãos vinculados e diretores de unidades acadêmicas esteve em São Lourenço do Sul, para a cerimônia de posse da nova direção do campus. Na oportunidade, a reitora Suzane Gonçalves, junto com as demais autoridades presentes, inaugurou o Banco Vermelho, ação internacional voltada à conscientização e combate às violências de gênero.
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Durante o ato, também foi realizada a assinatura do termo de início das obras do Restaurante Universitário em São Lourenço do Sul, uma importante demanda acadêmica do campus.
Em sua fala durante a posse, Suzane destacou a importância do compromisso ao assumir a direção de um dos campi da FURG, que além de ocupar uma função administrativa, é responsabilizar-se pelo cuidado de uma comunidade diversa. “Dirigir um campus exige sensibilidade, diálogo para trabalhar de forma coletiva e, sobretudo, assumir um compromisso de um projeto de universidade pública, que seja inclusiva, democrática, socialmente referenciada e comprometida com o desenvolvimento da sociedade. Eu tenho a convicção de que a nova direção do campus reúne todas essas qualidades”, comentou a reitora.
A chapa escolhida pela comunidade acadêmica, formada por Carmen Rejane, Ivan Sestari e Letícia Chaplin, recebeu 92,8% dos votos válidos durante o processo de consulta. Para a nova diretora, o número expressivo transmite a confiança de estudantes, técnicos e professores que confiaram nas propostas do grupo. “Acreditamos que chegou o momento de realizar sonhos importantes para o nosso campus. Sonhamos com novos prédios e melhores condições de trabalho e estudo. O primeiro prédio do novo campus já está concluído, e hoje teremos o anúncio da previsão de obras de mais um prédio. Queremos que a nossa Universidade firme cada vez mais suas raízes aqui no município”, completou a professora.
Ainda segundo Carmen, a gestão iniciou 2026 com boas notícias, como o aumento do número de ingressantes no campus, no entanto, os desafios ainda existem e se fazem presentes no dia a dia universitário. “Sabemos que temos muitos desafios, especialmente diante de limitações orçamentárias. Precisaremos trabalhar com muito empenho e fortalecer parcerias para a conclusão das obras, mas também contribuir para o desenvolvimento da extensão universitária, da integração de novas tecnologias e áreas de pesquisa. A direção do campus estará sempre comprometida em apoiar os institutos acadêmicos na criação de novos cursos de graduação e de pós-graduação, além de fortalecer também vínculos com a comunidade local e com os parceiros externos”.
Em termos de proposta de trabalho, a nova direção assume o compromisso de descentralizar as decisões administrativas, fortalecendo instâncias democráticas. “Defendemos em todas as circunstâncias a autonomia universitária e o caráter público, gratuito e socialmente referenciado da educação pública. Nossa gestão será orientada por processos coletivos, valorizando a participação de toda a comunidade universitária”, discursou Carmen.
Visita às obras do campus
De acordo com a reitora, desde a instalação do campus, a comunidade universitária lourenciana vem convivendo com as limitações de funcionar em prédios alugados e espaços cedidos. Com as verbas disponibilizadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, foi possível iniciar as obras de construção do primeiro prédio próprio do campus FURG-SLS. Neste espaço, serão realizadas atividades de ensino, com salas de aula; e atividades administrativas.
“O prédio foi finalizado. Dentro de um mês, ele deverá ser entregue à comunidade. Essa finalização foi possível porque, em 2025, juntamente com o prefeito Zelmute, conseguimos trabalhar junto ao Ministério da Educação, para mantermos a obra em andamento. Naquela ocasião, a FURG estava em um cenário orçamentário muito complicado, e não tínhamos a possibilidade de empenhar nenhum recurso de capital. A empresa estava em vias de cancelar o contrato, e, com muita luta, conseguimos manter”, recordou a reitora.
Para Zelmute, o trabalho realizado em São Lourenço do Sul é de extrema importância, uma vez que é resultado de uma longa luta de toda a comunidade para a consolidação do ensino superior no município, sonho que, segundo o prefeito, começou a ser sonhado em 2004, quando o pleito municipal aprovou o início da estruturação de um plano de futuro para o FURG-SLS.
“Na ocasião, nascemos da preocupação com o meio ambiente, com a qualidade da água e com o saneamento ambiental. E por conta dessas preocupações é que buscamos suporte na FURG, que é excelência do conhecimento nas relações costeiras, marítimas, lagunares e ambientais. Desde então, durante todos esses anos, estivemos sempre juntos, batalhando por infraestrutura e por melhores condições para o campus. Conseguimos colocar a proposta do prédio próprio na prioridade do PAC, conseguimos os recursos para a Casa do Estudante e para o Restaurante Universitário. Portanto, temos muito a celebrar e a sonhar”, destacou o prefeito.
Banco Vermelho
Após a assinatura dos termos de posse da nova direção, foi realizada a cerimônia de inauguração do Banco Vermelho no campus. A ação, conduzida pela Secretaria de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidades (Secaid), consiste na instalação de bancos pintados na cor vermelha em locais de grande circulação, acompanhados de uma placa ou inscrição que traga mensagens de conscientização e informações de ajuda. Nascido na Itália, em 2016, o movimento possui alcance internacional, e nos últimos anos se espalhou por vários países como símbolo da luta contra o feminicídio.
Em cada cidade que o abriga, o memorial tem como objetivo lembrar as vidas interrompidas pela violência, e também provocar reflexões coletivas sobre a pauta, convidando a sociedade a assumir responsabilidade no combate ao feminicídio e na promoção da igualdade de gênero.
De acordo com a secretária da Secaid, Ana Furlong, a iniciativa de instalar placas informativas junto aos bancos vermelhos busca facilitar o acesso de mulheres à rede de apoio em situações de violência. Em sua fala durante a inauguração, ela destacou que, mesmo que existam espaços de acolhimento disponíveis, muitas vezes é difícil identificar para onde recorrer, especialmente em momentos de ansiedade ou sofrimento. “Quando começamos a projetar essa placa que hoje está fixada aqui, eu estava na minha sala, em uma situação de tranquilidade, buscando os números de contato para fixar no material e, mesmo tranquila, tive alguma dificuldade em encontrar essas informações. Agora a gente imagina para uma mulher que está no contexto de violência”, comentou.
Por isso, a orientação é que a comunidade registre as informações presentes nas placas, fotografando os contatos disponíveis ou anotando esses dados de outra forma. A proposta é que não apenas mulheres, mas também homens se reconheçam como aliados no enfrentamento à violência, já que muitas pessoas têm em seu convívio irmãs, vizinhas ou amigas que podem precisar de apoio em algum momento. Ter acesso prévio a essas informações pode ser decisivo para que alguém saiba indicar onde buscar ajuda.
Em 2025, três bancos vermelhos foram instalados estrategicamente em pontos de grande circulação da Universidade: um no Centro de Convivência (CC – Carreiros); outro em uma área mais afastada da Unidade Carreiros, em frente à Fundação de Apoio à FURG (FAURG) e Parque Tecnológico (Oceantec); e um terceiro no Centro de Convívio dos Jovens do Mar (CCMar), próximo à Unidade saúde. No início de março de 2026, foi instalado o primeiro banco vermelho fora de Rio Grande, no campus de Santa Vitória do Palmar.
“A escolha dos locais levou em consideração tanto o fluxo de pessoas quanto fatores como o isolamento geográfico de alguns setores. No caso do CCMar, também foi considerada a presença de atendimentos a crianças em situação de vulnerabilidade, muitas vezes marcadas por histórias de violência no ambiente familiar”, completou Ana.
Segundo a reitora, não só na FURG, mas em um contexto nacional, a comunidade universitária é majoritariamente composta por mulheres, e os dados nacionais de feminicídio são assustadores. “O feminicídio, que muitas vezes está associado a uma relação afetiva, também se dá em outras relações. Nós tivemos no ano passado o brutal assassinato de uma colega no Cefet do Rio de Janeiro, porque um servidor não aceitou uma chefia feminina. Os espaços que as mulheres ocupam, de poder ou não, por vezes, geram relações de violência contra elas pelo simples fato de serem mulheres. Então, a gente precisa que a sociedade entenda que as mulheres podem, sim, ocupar qualquer espaço; e que as mulheres não tenham medo de ocupar esses espaços. Ao mesmo tempo, é preciso trazer segurança, para que saibam onde buscar apoio e ajuda”, explicou Suzane.