SAÚDE

Em conjunto com a UFRGS, FURG publica nota técnica sobre Gripe Aviária no Estado

Confira o texto na íntegra a seguir

Texto é assinado pelo professor do ICB, Leandro Bugoni, e professora da Ana Cláudio Franco (ICBS-UFRGS)

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Em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a FURG divulga uma nota técnica, assinada pelos professores Leandro Bugoni, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB-FURG), e Ana Cláudio Franco, do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS-UFRGS), acerca da detecção de um foco de Gripe Aviária no Estado. Confira o texto na íntegra a seguir.

Nota técnica

Diante das informações divulgadas pela imprensa acerca da detecção, pelos órgãos veterinários e de vigilância sanitária oficiais, de um foco de gripe aviária na Estação Ecológica (ESEC) do Taim, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informam que suas equipes estão realizando pesquisas com aves silvestres em diversas áreas do estado do Rio Grande do Sul. Um destes estudos é parte do projeto “ECOCLIM-RS: Rede de Monitoramento de Riscos Eco-Epidemiológicos em Ambientes Terrestres e Marinhos sob Variações Climáticas: Impactos em Saúde Única no RS”, aprovado e iniciado em 2025, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS, Edital FAPERGS 05/2025, CRIEC - Programa de Unidades do Centro de Referência Internacional em Estudos Relacionados às Mudanças Climáticas – CRIEC).

Neste contexto, identificaram-se amostras positivas para gripe aviária de alta patogenicidade em amostras ambientais de fezes do cisne capororoca (Coscoroba coscoroba) e do talhar-mar (Rynchops niger) coletadas na região do Taim. Adicionalmente, amostras analisadas em março de 2026 mas coletadas em outubro de 2025 no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, mostraram-se positivas para gripe aviária de alta patogenicidade (H5), nas espécies batuiruçu (Pluvialis dominica), narceja (Gallinago paraguaiae) e narceja-de-bico-torno (Nycticryphes semicollaris). Amostras adicionais da mesma localidade coletadas em janeiro de 2026 mostraram-se negativas para o vírus.

As análises foram realizadas em laboratório com nível 3 de biossegurança (NB3) da UFRGS, e as autoridades foram notificadas conforme procedimentos regulamentados. As atividades de pesquisa, incluindo coletas, seguem estritamente os procedimentos de biossegurança para proteção individual e desinfecção de materiais e equipamentos utilizados em campo.

As instituições reforçam que os casos foram detectados em aves silvestres, sem impactos para criações comerciais. Destacam, ainda, que ao encontrar uma ave morta ou debilitada, silvestre ou de criação, o serviço de vigilância sanitário oficial deve ser comunicado para os procedimentos cabíveis. Recomenda-se manter distância e não entrar em contato direto com o animal. Por fim, destaca-se que as aves silvestres são sentinelas de um problema de saúde de interesse aos humanos e suas atividades agropecuárias. Portanto, também são vítimas e não causadoras da gripe aviária. Agressões ou abate de aves silvestres é crime ambiental e não representa solução para o problema.

Profa. Dra. Ana Cláudia Franco (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS), Instituto de Ciências Básicas da Saúde – ana.franco@ufrgs.br

Prof. Dr. Leandro Bugoni (Universidade Federal do Rio Grande – FURG) Instituto de Ciências Biológicas – lbugoni@furg.br