Pela primeira vez em sua história, o Congresso Mundial de Tribologia (World Tribology Congress - WTC) teve na América do Sul um país sede. Em sua oitava edição, o evento chegou ao Rio de Janeiro, de 20 a 25 de setembro, reunindo pesquisadores, profissionais da indústria e representantes de diferentes instituições para discutir avanços científicos, aplicações tecnológicas e tendências futuras em tribologia. Desde sua primeira realização, em 1997, o WTC passou por Londres, Viena, Washington, Kyoto, Turim, Pequim e Lyon.
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Tribologia e o objetivo do congresso
Dedicada ao estudo do atrito, desgaste e lubrificação entre superfícies em movimento relativo, a Tribologia é uma ciência multidisciplinar associada à área de engenharia, com aplicações que vão desde componentes industriais e sistemas de transporte até biomateriais, energia e ambientes extremos. Nesta edição, o congresso teve atenção especial na busca por soluções associadas à transição energética e à redução de emissões, além de reunir trabalhos relacionados à manufatura, mineração, inteligência artificial, biotribologia, metrologia de superfícies, nanogeradores triboelétricos e sistemas de monitoramento.
“O WTC 2026 reuniu uma comunidade global excepcional de líderes acadêmicos e industriais. Refletindo prestígio internacional, diversidade e compromisso com a excelência, o congresso recebeu cerca de mil submissões de mais de dois mil autores de 51 países. Após um rigoroso processo de revisão por pares, 910 trabalhos de alta qualidade foram aceitos para apresentação”, destacou Henara.
Organizado conjuntamente pela Rede Brasileira de Tribologia, pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Tribologia Verde para a Transição Energética, pela Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM) e pela Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), o evento contou ainda com o apoio da Academia Brasileira de Ciências e do Conselho Internacional de Tribologia.
A proposta do WTC é fortalecer a aproximação entre academia e indústria, promovendo a discussão de resultados recentes, novas aplicações e possibilidades de cooperação internacional. A programação contou com seis palestras plenárias ministradas por nomes de destaque internacional, entre eles Henara Costa, única mulher e única representante do hemisfério sul entre os plenários, com a apresentação “Tribologia e Transição Energética: uma Perspectiva Brasileira”. O congresso também reuniu quatro vencedores do Prêmio H. Peter Jost, 24 palestras keynote e 36 palestras convidadas sobre temas de vanguarda na área.
A programação incluiu ainda duas mesas-redondas dedicadas às tendências futuras em Tribologia Sustentável e às sinergias entre indústria e academia, com representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, e da China, além de 166 sessões técnicas orais e seis sessões de pôsteres voltadas à apresentação de avanços recentes em tribologia.
A tribologia como caminho para superação de desafios contemporâneos
Ao longo dos seis dias de evento, o WTC 2026 reuniu debates distribuídos por 14 grandes áreas temáticas. A diversidade das sessões evidencia o caráter transversal da tribologia, presente em diferentes setores da indústria e da ciência. A redução de perdas por atrito e desgaste, por exemplo, pode contribuir diretamente para aumentar a eficiência energética, prolongar a vida útil de equipamentos e reduzir o consumo de materiais e energia.
“A tribologia é uma forma de ciência que existe para que a gente possa, em diferentes ambientes de produção, gastar e consumir menos, ao mesmo tempo em que fazemos com que tudo dure mais. Para o futuro, já é identificado um papel crucial da tribologia na transição energética, uma vez que é por meio dela que se emprega a capacidade de reduzir perdas desnecessárias, tornando todo o processo muito mais eficiente”, destacou Henara.