O projeto de extensão "Capacitação e Qualificação em Segurança de Alimentos para Agroindústrias Familiares e Serviços de Alimentação", desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), busca aproximar a universidade das demandas da comunidade regional por meio de ações de formação, orientação técnica e qualificação de produtores rurais, manipuladores de alimentos, feirantes e responsáveis por serviços de alimentação. Entre seus objetivos, estão o desenvolvimento de capacitações em Boas Práticas de Fabricação, a orientação quanto à adequação às normas sanitárias e o apoio à implantação de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs), Manual de Boas Práticas e registros de autocontrole.
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A primeira ação extensionista do projeto foi planejada a partir de uma demanda apresentada pela Emater/RS-Ascar do município de Caraá/RS, evidenciando a necessidade de ações contínuas de qualificação na área de segurança de alimentos e adequação sanitária. A formação foi realizada na Unidade Bom Princípio (UBP) do Campus Santo Antônio da Patrulha (FURG-SAP), entre os meses de agosto e setembro, para aproximadamente 17 participantes. A atividade teve como público-alvo feirantes do município interessados na regularização sanitária, pousadeiros que oferecem refeições, responsáveis por restaurantes rurais e representantes de agroindústrias familiares dos segmentos de hortifrutigranjeiro, produtos lácteos, farináceos e mel.
De acordo com a equipe do projeto, além da capacitação coletiva, o contato com os participantes possibilitou identificar novas demandas de acompanhamento técnico. Entre elas, destacou-se a necessidade de realização de visitas in loco às agroindústrias, com acompanhamento dos processos de produção e observação das instalações, equipamentos e práticas adotadas, visando a propor melhorias relacionadas às condições higiênico-sanitárias e às Boas Práticas. Também foi identificada a possibilidade de acompanhamento de um dos restaurantes rurais participantes, ampliando o campo de atuação do projeto para os serviços de alimentação.
Segundo os organizadores, essa demanda apresenta relevância tanto para a qualificação do estabelecimento quanto para a formação dos estudantes, que poderão vivenciar situações práticas relacionadas às Boas Práticas em Serviços de Alimentação, complementando os conhecimentos desenvolvidos nas capacitações voltadas ao processamento de alimentos. Adicionalmente, foi identificada a demanda para o desenvolvimento de um rótulo para um produto lácteo, em conformidade com os padrões e requisitos estabelecidos pelos órgãos regulamentadores, ampliando as possibilidades de atuação técnica do projeto junto aos empreendimentos participantes.
Programação
A programação foi estruturada em quatro encontros, com duração de três horas cada, totalizando 12 horas de formação. No primeiro encontro, foram abordados os "Conceitos gerais sobre Boas Práticas de Fabricação (BPF) e legislação". No segundo, ocorreu a capacitação sobre "Boas práticas no processamento de farináceos" e no terceiro, foram abordadas as "Boas práticas no processamento de hortaliças". No último encontro, foram tratados os temas "Boas práticas no processamento de laticínios" e "Boas práticas no processamento de mel". Durante as atividades formativas, foram propostas diversas atividades interativas para que os participantes se sentissem à vontade para questionar, compartilhar experiências e relatar suas necessidades.
Contexto de atuação
Conforme a equipe envolvida, a produção e comercialização de alimentos representam importantes atividades econômicas para famílias rurais e pequenos empreendimentos da região do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, como agroindústrias familiares, feiras, pousadas e restaurantes rurais, que atuam na elaboração e comercialização de produtos, entre eles, farináceos, derivados de mandioca, produtos lácteos, melado, açúcar mascavo, hortaliças e mel. A equipe destaca que, apesar da relevância econômica e social dessas atividades, os empreendimentos de pequeno porte frequentemente enfrentam dificuldades relacionadas à interpretação e ao cumprimento da legislação sanitária, à implantação de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e à adoção de procedimentos adequados de higiene e manipulação de alimentos.
Para a equipe, a realização do projeto representa uma estratégia de interação dialógica entre universidade e comunidade, possibilitando a troca de conhecimentos acadêmicos e saberes construídos pelos produtores e manipuladores em suas experiências cotidianas, além de contribuir para a produção de alimentos mais seguros e para a melhoria das condições higiênico-sanitárias dos estabelecimentos, e valorização da agricultura familiar.