A Matemática pode estar na lida da roça, nas mãos calejadas que colhem, medem e calculam sem fórmulas escritas. Foi essa percepção, nascida da própria vivência familiar, que orientou a trajetória acadêmica de Gabriel Monticelli, egresso do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas (PPGECE/FURG). Mestre e licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Gabriel é autor da dissertação que resultou no documentário etnomatemático “Entre Videiras e Saberes: A Matemática Presente na Tradição”, um trabalho que valoriza e reconhece os conhecimentos matemáticos presentes na viticultura desenvolvida por famílias descendentes de italianos no município de Caraá.
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Vindo de escola pública e de uma família sem acesso à educação formal, Gabriel construiu sua trajetória universitária entre jornadas de trabalho e dedicação aos estudos. Durante a graduação e o mestrado, conciliou dois empregos enquanto participava de projetos de ensino e extensão. Foi bolsista do PIBID, levando oficinas de Matemática para escolas públicas, buscando aproximar o conteúdo escolar da realidade dos alunos. Também atuou como monitor de Produção Textual, experiência que aprimorou sua escrita acadêmica e sua capacidade de interpretação.
“Minha história na FURG foi marcada por persistência, fé e propósito. Foi na universidade que aprendi que ensinar é também dialogar, reconhecer e valorizar o saber que cada pessoa carrega”, destaca.
A pesquisa que deu origem ao documentário surgiu da observação da rotina de famílias agricultoras em Caraá. Gabriel registrou e analisou práticas relacionadas ao cultivo das videiras, desde a organização dos parreirais até as medidas utilizadas na produção, evidenciando que há cálculos, proporções e estimativas precisas aplicadas de forma intuitiva, repassadas ao longo de gerações.
“O que vi nos meus pais e familiares era um conhecimento vivo. Eles usam a matemática de maneira não escolarizada, mas totalmente eficaz. Minha proposta foi mostrar que essa matemática também é legítima, que ela é cultura”, explica.
O documentário articula ciência e tradição, servindo como recurso pedagógico para professores que desejem promover discussões sobre diversidade de saberes, valorização cultural e relações entre conhecimento científico e popular.
Gabriel destaca a importância da universidade em sua caminhada pessoal e profissional. “Foi pela FURG que cheguei às oportunidades de trabalho que tenho hoje. Mas, acima disso, a FURG me ensinou que ensinar é construir junto. A pesquisa me mostrou que cada pessoa tem um saber que merece ser escutado e respeitado. A FURG abriu caminhos e me acolheu como parte de uma história maior. Sou profundamente agradecido por isso.”
Ele agradece especialmente aos pais e familiares, que inspiraram o projeto e contribuíram com o compartilhamento de suas práticas e histórias. Também destaca o papel do orientador, Prof. Dr. Lucas Nunes Ogliari, e de colegas e professores que acompanharam sua trajetória. Entre as pessoas que contribuíram diretamente para o trabalho, ele agradece: Alisson, Danielle, Edson, Guilherme, Luisa, Paulina, Sthefani e Zeferino.