“Um passado de memórias, um futuro de histórias”. O tema que a FURG escolheu para marcar as comemorações de seu cinquentenário inspira o projeto que a Secretaria de Comunicação (Secom) apresenta nesta edição do evento. A série Minha história com a feira registra relatos de visitantes da 46ª Feira do Livro sobre suas vivências significativas com esse lugar especial que há 40 anos faz parte da vida da universidade.
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Clara Luísa Martins Brandão – 23 anos
Eu fui estudante da Geografia na FURG. E a minha história com a Feira do Livro é longa. Porque antes de trabalhar – agora eu trabalho com uma editora de produção popular, uma editora que busca trazer as publicações e produções científicas dos movimentos sociais – antes eu vinha quando criança, então é muito importante, ainda mais pra mim que sempre tive um bloqueio muito grande com leitura.
“As pessoas não costumam incentivar crianças negras a ler”
As pessoas não costumam incentivar crianças negras a ler, então eu tive esse bloqueio com a leitura até quase terminar o curso de graduação. E estar na Feira do Livro, estar trabalhando com uma editora que traz outra perspectiva sobre a sociedade, pra mim é bem legal. Queria dar livros para todas as crianças negras. Não posso fazer isso porque não sou rica mas é algo que eu gostaria de fazer.
“Quando tu apresenta o livro pra uma criança ou adolescente ela se identifica com aquilo”
[Poder do livro na sociedade é] transformador. Porque quando tu apresenta o livro pra uma criança ou adolescente ela se identifica com aquilo, ela se vê naquela produção, naquela imagem, ela se vê no mundo. Ela não se sente mais deslocada. E pros movimentos sociais significa trazer um conhecimento contra hegemônico sempre, né. Que não é necessariamente conhecimentos da universidade, conhecimentos da ciência eurocêntrica. É tu trazer outras perspectivas e outras alternativas de leitura.
[O Impacto do livro] na minha vida é bem profundo. Ainda mais recentemente. Antes eu lia um livro no ano e era muita coisa. Agora tô naquele desafio de ler um livro por mês. Porque agora eu quero mais, ler mais histórias, mais romances. Agora eu tô adorando ler ficção negra e isso tá sendo muito bom pra mim. Não fica sendo aquela coisa que eu escolhia dentro da universidade, aquela coisa que eu era de certa forma obrigada a ler, livros mais engessados das disciplinas.
“Potência”
[Uma palavra para a Feira do Livro:] Potência. Tudo tem potencial, eu acho. Mas a gente tem que pegar esse potencial e transformar numa ação. Porque o livro tá lá, ele não pode fazer nada. Mas quem pode fazer efetivamente são as pessoas.