Um amplo movimento está buscando o resgate da memória e revitalização institucional do Clube Cultural Recreativo Braço é Braço. A iniciativa entrelaça o saber acadêmico com a sabedoria popular e é liderada por egressas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Além das egressas, a ação conjunta envolve o Movimento Negro, docentes e técnicos da FURG.
A base documental deste renascimento é o projeto "Clube Cultural Braço é Braço: Memória, resistência e esquecimento de um patrimônio cultural negro", aprovado na Lei Paulo Gustavo/Aldir Blanc. A iniciativa é de autoria da arquivista e ex-aluna da FURG, Carla Maria de Oliveira Lopes, que transformou seu trabalho de conclusão de curso sobre arquivos negros em uma ação prática de salvaguarda.
O projeto prevê a criação de um livreto e um site oficial, constituindo um inventário físico e digital que garanta a acessibilidade e a perenidade da história do clube. O objetivo é catalogar bens e narrativas, combatendo o silenciamento histórico e fomentando a educação antirracista nas escolas e na comunidade.
Comissão técnica e acadêmica
O projeto conta com o apoio de um corpo técnico especializado para devolver à comunidade este patrimônio de resistência fundado em 1920. Para garantir a solidez da reestruturação, foi formada uma equipe multidisciplinar de trabalho coordenada pela doutoranda em Educação Ambiental (FURG) e ativista, Bilina Amaral Peres.
A coordenação conta agora com o reforço de nomes de peso da academia e da área técnica: dr. Artur Vaz (FURG), professor e pesquisador que soma ao grupo com sua expertise em estudos históricos e sociais; drª. Cassiane Paixão (FURG), professora e pesquisadora que integra a equipe para fortalecer o vínculo institucional e pedagógico do projeto; e Nadiane Castro (Takôa), arquiteta responsável pela avaliação e planejamento físico do espaço, visando a futura restauração da sede.
Esta equipe atua em sintonia com os "Bracistas" históricos, garantindo que a técnica respeite a ancestralidade.
Nova diretoria e regularização jurídica
Em um passo decisivo para a retomada da autonomia da instituição, foi realizada a eleição da nova Diretoria Executiva para o biênio 2026/2028, encerrando um longo período de vacância administrativa. A nova gestão trabalhará fortemente na regularização judicial e cartorial do clube.
A diretoria eleita é composta pelo presidente André Costa Brisolara Cardozo e pelo vice-presidente Arcenir Machado Lopes. O vice-presidente, Arcenir Machado Lopes, celebrou a união de gerações durante reunião realizada no Mercado Público. "Este trabalho teve início com o chamamento da jovem Bilina, que vem liderando este processo. Nós, que já estamos há mais tempo nesta luta, fomos testemunhas de que temos que renovar, ter sangue novo. Destacamos a presença do senhor Ricardo, parceiro da antiga e 'bracista' dedicado, que se declarou entusiasmado com a retomada desta causa justa."
Arcenir também anunciou a chegada de reforços jurídicos. "Recebemos mais uma integrante, advogada, que tão logo seja inserida formalmente no grupo de reconstrução, anunciaremos o nome dessa jovem."
Convite à comunidade
Para a equipe envolvida, a reativação do Clube Braço é Braço transcende a recuperação de um prédio: trata-se de uma reparação histórica e sociocultural imprescindível para a igualdade racial em Rio Grande. A equipe coordenadora, juntamente com a presidência e os apoiadores, convida toda a comunidade rio-grandina a participar deste resgate.
O grupo, definido por seus membros como uma "equipe guerreira que veio para fazer acontecer", segue trabalhando nos desdobramentos do projeto, que inclui o lançamento do acervo digital e ações educativas em escolas públicas e espaços periféricos.