VALORIZAÇÃO

Dia da Ciência e Tecnologia

Cursos de pós-graduação são o grande motor da pesquisa no Brasil; cerca de 80% vem das universidades federais

A fim de valorizar as grandes descobertas e incentivar os cientistas a desenvolverem novas pesquisas, o dia 16 de outubro, no próximo domingo, foi escolhido como o Dia da Ciência e Tecnologia. A intervenção do homem gerou inúmeras descobertas e invenções, e diversos cientistas tornaram a vida mais fácil: Alexandre Graham Bell, o inventor do telefone; Thomas Edson, inventor da lâmpada elétrica; Samuel Morse, criador do telégrafo; Johannes Gutenberg, inventor da imprensa, entre outros.

Porém, foi Galileu Galilei quem afirmou que para comprovar a ciência é preciso testá-la - e assim, seguindo essa teoria, veio Albert Einstein que publicou o primeiro trabalho científico, com o tema dos líquidos e os canudos. E antes disso já havia desenvolvido a Teoria da Relatividade.

Efeitos da Pesquisa

Se esse recorte histórico a respeito do impacto da ciência, da tecnologia e da pesquisa parece muito distante da nossa atual realidade, podemos voltar só um pouco ao passado e olhar para o ano de 2020, quando o mundo foi atingido pelo coronavírus, e após 1 ano a humanidade ganhava o alívio e a esperança da criação e aprovação de vacinas que viriam prevenir e combater a doença e assim salvar vidas.

À época da aprovação dos imunizantes em território nacional, a diretora da Anvisa, Meiruze Freitas, mencionou em seu relatório que “guiada pela ciência e pelos dados, a equipe concluiu que os benefícios conhecidos e potenciais dessas vacinas superam seus riscos. Os servidores vêm trabalhando com dedicação integral e senso de urgência".

Para o diretor de pesquisa da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da FURG, Leandro Bugoni, “ficou bem claro o papel fundamental que a ciência teve na pandemia, com o desenvolvimento, detecção e monitoramento da Covid-19 e o desenvolvimento também rápido de uma série de vacinas e as adaptações necessárias para cada uma das variantes. Esse é um exemplo de como a ciência pode ser fundamental para a solução de problemas”.

FURG em destaque

As pesquisas realizadas nas universidades são mundialmente reconhecias e geram impacto na sociedade. Segundo Bugoni,95% da produção é proveniente das instituições públicas e, destes, cerca de 80% é das universidades federais. A excelência dessa produção de conhecimento foi reconhecida recentemente em duas ocasiões. Em setembro a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o processo de avaliação referente ao período 2017-2020, e a Pós-graduação da FURG alcançou resultados considerados excelentes. E também em setembro representantes da FURG conquistaram o prêmio Pesquisador Gaúcho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).

Ciência e Tecnologia em risco

Os impactos positivos oriundos da pesquisa transformada em avanço da ciência e da tecnologia vêm sendo ameaçados. Os constantes cortes e bloqueios realizados pelo governo federal no Ministério da Educação e nos órgãos de fomento têm prejudicado o fazer científico.

Para o representante da Dipesq, Leandro Bugoni, está mais do que comprovado que os avanços e o desenvolvimento da pesquisa têm diversos impactos na sociedade e portanto a redução de recursos destinados à área interfere diretamente nessa realidade. Assim, o diretor elenca fatores passados e atuais que estão enfraquecendo o desenvolvimento da pesquisa.

A redução de editais de pesquisa: passamos anos com pouco ou quase nada de edital pelas agências de fomento, em especial o CNPq. Tivemos dois ou três anos sem edital aberto para nenhuma área do conhecimento – isso é extremamente prejudicial para a continuidade das pesquisas; outro aspecto são os contingenciamentos, temos editais, por exemplo, que estamos executando agora que são de 2014, ou seja, a liberação desses recursos foi adiada e agora os valores são completamente diferentes, o câmbio mudou, muitos equipamentos nem existem mais. O edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por exemplo, para a infraestrutura de equipamentos de grande porte é um desses que sofrem essa defasagem”, enumera o diretor.

E mais recentemente, - como informado pelo jornal Folha de São Paulo nesta quinta-feira, 13, o governo federal publicou três portarias que retiram mais de R$ 1,2 bilhão do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que é um importante mecanismo para financiar o desenvolvimento científico e tecnológico. “Tivemos a notícia da publicação do Diário Oficial da União suspendendo vários editais da Finep já aprovados, inclusive um que aprovamos para a FURG este ano , com dois subprojetos: um na área da saúde e outro na área de biodiversidade, e que estão suspensos. Essa dura realidade tem afetado e muito o desenvolvimento da ciência”, afirma Bugoni.

Outro aspecto que vem ocorrendo nos últimos anos é o corte de bolsas. O número de bolsas reduziu bastante e isso tem afetado os cursos de pós-graduação, que são o grande motor da ciência e da pesquisa no Brasil, salienta Bugoni, que complementa: “junto com isso, as bolsas estão extremamente defasadas, desde 2013 não tem aumento. Então os valores são muito baixos para um aluno de iniciação científica e especialmente para um mestrando /doutorando que precisa de dedicação integral à pesquisa. Isso tem um grande efeito e vem se arrastando ao longo do tempo. Os valores estão completamente inviáveis mesmo para Rio Grande, e muito mais para cidades que são capitais onde o custo de vida é mais elevado”, finaliza Bugoni.

O cenário descrito acima é de bastante preocupação quanto ao desenvolvimento da pesquisa, especialmente dentro das universidades públicas, e deixa preocupação quanto ao futuro da ciência e da tecnologia.

 

 

Este material foi produzido de acordo com as normas disciplinadas pela Instrução Normativa nº 1, de 11 de abril de 2018, bem como se ancora e respeita os demais materiais publicados até o momento no que tange o regramento para a comunicação pública dos órgãos federais durante o período de defeso eleitoral, compreendido de 2 de julho a 2 de outubro, prorrogado até o dia 30 do mesmo mês em função do segundo turno.

 

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Cursos de pós-graduação são o grande motor da pesquisa no Brasil; em torno de 95% estão associados às universidades federais

Fernando Halal/Secom