PREVENÇÃO

Especialistas da Rede Ebserh alertam sobre os perigos do tabagismo para a saúde

No Dia Mundial Sem Tabaco, é fundamental conscientizar a população sobre os efeitos nocivos ocasionados pelo uso e incentivar hábitos saudáveis

O uso do tabaco é a maior causa evitável de mortes prematuras em todo o mundo, matando mais de oito milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um a cada 10 adultos é vítima do tabaco, sendo que mais de sete milhões dessas mortes são resultado do uso direto do produto e 1,2 milhão é de não fumantes expostos ao fumo passivo. No Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) une-se à campanha mundial para alertar a população sobre os perigos do tabagismo para a saúde, orientando sobre os efeitos nocivos do tabaco para fumantes ativos, passivos ou ocasionais. Vale destacar que a prevenção é a melhor forma de combater o vício e seus malefícios.

O tabagismo é uma condição crônica resultante da dependência à nicotina encontrada nos produtos derivados do tabaco, como: cigarros, charutos, cachimbos, narguilés e cigarros de palha. Ela produz sensação de prazer, o que pode levar ao abuso e à dependência. “A nicotina é considerada droga, pois possui propriedades psicoativas que, ao serem inaladas, provocam alterações no sistema nervoso central e modificam o estado emocional e comportamental do usuário”, esclarece Daniel Wenceslau Votto Olmedo, pneumologista do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-FURG).

O efeito da nicotina no cérebro é semelhante ao de outras drogas (cocaína, heroína e álcool). O cérebro adapta-se à inalação contínua, exigindo doses cada vez maiores para manter a satisfação, a tolerância à droga. Com o tempo, o fumante precisa consumir mais cigarros, aumentando o risco de doenças crônicas, alerta o especialista.

O tabagismo e os riscos para a saúde

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo é responsável, a cada ano, por cerca de 161 mil mortes prematuras no Brasil. Fumantes adoecem duas vezes mais, quando comparados aos não fumantes, e apresentam menor resistência física, fôlego e desempenho esportivo e sexual. Também, experimentam um processo acelerado de envelhecimento e mudanças em vários aspectos: dentes amarelados, cabelos sem brilho, além de pele enrugada e impregnada pelo aroma do tabaco. É importante destacar que a fumaça não prejudica apenas o fumante, mas as pessoas que convivem com quem fuma, aqueles que estão próximos, inalando as substâncias produzidas pela queima do cigarro.

A pneumologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), Andressa Cunha, salienta que “o tabaco é uma das substâncias que comprovadamente causam maior malefício ao organismo e não é somente a nível respiratório. Causa uma inflamação sistêmica que lesiona não só o pulmão, mas atinge diversos outros sistemas do nosso organismo”. O tabagismo tem relação com muitas enfermidades, pois aumenta a predisposição a vários tipos de câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, rim etc.), doenças do aparelho respiratório e doenças cardiovasculares.

Sobre os “cigarros eletrônicos”, Andressa destaca que são amplamente utilizados pela população jovem e de maneira exagerada. O produto produz um vapor inalável com diversos aromas e sabores, o que é o grande atrativo para os usuários. No entanto, contém substâncias, como metais pesados, que são potencialmente tóxicos para o organismo quando aquecidos. Além disso, não há regulamentação sobre a composição desses dispositivos, permitindo que cada fabricante coloque o que quiser. “A quantidade usada e inalada está sendo de forma muito abusiva. Caracterizo ele como muito pior que o cigarro branco, por ter esse efeito atrativo do gosto; o consumo está sendo exagerado e não temos o controle do que tem ali dentro”, enfatiza a especialista.

Sobre a Rede Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.