CIÊNCIA DE IMPACTO

Conhecimento convertido em Negócios: FURG lança programa Sonar nesta quinta-feira, 10

Programação reuniu pesquisadores, universidades, empresas, investidores e demais atores do ecossistema de inovação

Photograph: Hiago Reisdoerfer/Secom

Na manhã desta quinta-feira, 10, a Pró-reitoria de Inovação e Tecnologia da Informação (Proiti), por meio do Parque Científico e Tecnológico (Oceantec) e da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Innovatio), realizou o lançamento do programa Sonar. Ao longo da programação foram apresentados painéis, manifestos, cases e workshops, além de também oportunizar momentos de networking com pesquisadores, representantes de outras universidades, empresas, investidores e demais atores do ecossistema de inovação.

De acordo com a organização, o conceito do programa se baseia em alternativas para escoar o conhecimento de alta qualidade produzido pelas universidades brasileiras que, por sua vez, enfrentam dificuldade em converter-se em soluções e negócios. Sendo assim, o Sonar se constitui como o início de uma nova cultura institucional, promovendo caminhos para a criação de startups e oportunidades de transferência de tecnologia.

O projeto visa mapear, localizar e oferecer aos pesquisadores os instrumentos conceituais e metodológicos para que, caso deseje, possa encontrar caminhos para aplicar a sua tecnologia em ambientes produtivos, aproximando o conhecimento da sociedade e do mercado.

Para declarar a agenda aberta, foram convidados para compor a mesa de autoridades a reitora da Suzane Gonçalves; o vice-reitor, Ednei Primel; a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação, Silvia Botelho; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação; e a pró-reitora de Extensão e Cultura, Débora Amaral.

Relevância Institucional e ampliação de perspectivas

Para Silvia, o programa parte de uma preocupação central: ampliar o impacto da pesquisa desenvolvida na Universidade sobre a sociedade. Nesse sentido, a iniciativa busca observar experiências de outras instituições, tanto no Brasil quanto no exterior, para compreender diferentes formas de aproximar a produção científica de soluções concretas para problemas sociais e do setor produtivo.

Segundo a pró-reitora, iniciativa busca construir uma trajetória para que a ciência produzida na Universidade possa “efetivamente chegar num produto ou num processo que impacte o setor produtivo, os setores sociais e a comunidade como um todo”, explicou.

Mesmo desenvolvido e protagonizado pela Proit, o programa envolve diferentes setores da Universidade. A proposta é alcançar diretamente pesquisadores, técnicos, docentes e estudantes envolvidos em suas atividades acadêmicas e de pesquisa, incluindo trabalhos de mestrado e doutorado.

A partir do programa, a expectativa é que esses integrantes da comunidade universitária desenvolvam um novo olhar sobre suas pesquisas. “A intenção é que a pesquisa vá além da produção da ciência e passe a considerar também o que, na prática, pode trazer como solução para uma demanda real da sociedade”, completou a professora.

A programação contou com representantes de outras Instituições de Ensino Superior Federal como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que apresentam suas experiências e discutem a forma como vêm trabalhando a relação entre ciência, inovação e transferência de conhecimento, além dos desafios encontrados nesse processo.

Outros caminhos além da docência

A iniciativa parte do reconhecimento de que a universidade foi historicamente concebida como um espaço de produção científica de qualidade. No entanto, existe uma diferença significativa entre a capacidade de produzir ciência e a capacidade de transformar esse conhecimento em inovação e soluções aplicáveis. Esse cenário evidencia a existência de uma barreira entre o fazer científico e sua efetiva aplicação. O desafio, conforme ressaltado, não é exclusivo do Brasil.

Em sua fala, a reitora reforçou a importância do objetivo do programa, uma vez que considera essencial que a excelência acadêmica produzida dentro da Universidade possa se converter em soluções para a melhoria de diferentes aspectos da vida cotidiana e para a superação de desafios da indústria. “Muitas pesquisas acabam permanecendo restritas aos grupos de pesquisa e aos ambientes universitários. Nesse sentido, o Sonar representa um passo importante, criando caminhos para que a Universidade ultrapasse seus espaços tradicionais e alcance diferentes ambientes. Trata-se de levar o conhecimento para o território”, comentou Suzane.

A reitora também destacou que a própria atuação institucional tem mostrado o tamanho do potencial da FURG. Para ela, a aproximação entre Universidade e sociedade pode ocorrer de diferentes formas, com o conhecimento produzido sendo capaz de contribuir tanto com grandes empresas quanto com pequenos negócios.

Ainda assim, o cenário acadêmico enfrenta uma barreira cultural, proveniente da própria característica presente na formação universitária. Nesse sentido, observa-se que a grande maioria dos pesquisadores não são treinados, orientados e incentivados a constituírem-se profissionalmente com o objetivo de estabelecer diálogo direto com o setor produtivo.

“A pós-graduação permanece fortemente vinculada à produção científica tradicional, especialmente por meio de artigos, livros e outras publicações acadêmicas, mirando um caminho que leva à docência, mas é preciso mostrar para a nossa comunidade que um pesquisador tem outras possibilidades para o seu futuro”, destacou em sua fala a pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação.

A expectativa, segundo Daiane, é que o encontro represente apenas o início de uma agenda permanente de discussão sobre a aplicação do conhecimento produzido na Universidade. “Enquanto pesquisadora, eu sempre tive uma inquietude muito grande em relação ao futuro. A gente desenvolve muitas coisas boas e, normalmente, isso fica depositado ou nas gavetas de um laboratório ou das bibliotecas. A ideia desse programa é identificar onde estão as possibilidades mas, principalmente, tirar a gente da zona de conforto para enxergar outros caminhos”, concluiu.

A transformação da pesquisa em uma solução concreta, portanto, exige uma trajetória própria, marcada por diferentes etapas e decisões. Trata-se de um processo que demanda tempo, energia e a capacidade de identificar e escolher entre diferentes caminhos. Entre eles, é importante entender também o lado da sociedade; isso significa reconhecer que a inovação não ocorre de maneira isolada, tampouco depende exclusivamente da capacidade técnica do pesquisador.

 

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Hiago Reisdoerfer/Secom